Somente Cristo! Somente a Bíblia!

"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

QUAL É O VERDADEIRO CRISTO DA IGREJA CRISTÃ?

- Solo Cristus Deo Crucis -

Geralmente, esta pergunta tem outra forma: Quais são as características da verdadeira igreja? A igreja Adventista do sétimo dia, por exemplo, em seu evangelismo costuma usar esta pergunta para promover suas doutrinas particulares. No entanto, perguntar pelas características é algo equivocado. Jesus não profetizou que nos últimos dias levantar-se-iam “falsas igrejas” senão “falsos Cristos”. A verdadeira igreja cristã não se define a partir de suas características, senão de seu Cristo. Se seu Cristo é o verdadeiro Cristo, será a igreja verdadeira. Se seu Cristo é um “falso Cristo”, será uma igreja falsa. Conheceremos as igrejas que não têm a verdade por seus falsos cristos. Portanto, a pergunta “qual é a verdadeira igreja?” responde-se à luz de seu Cristo e não das “doutrinas particulares” de dita igreja.

Para estabelecer sua igreja Cristo perguntou a seus discípulos: “Quem dizeis que eu sou?”

13Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? 14E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. 15Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? 16 Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. 18Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. 20 Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo. 21Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. 22E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. 23Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.” (Mateus 16:13-23).

Quando Cristo estabeleceu sua igreja, Ele o fez dirigindo a pergunta cristológica a seus discípulos: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” A resposta dos discípulos denunciou uma confusão entre as pessoas que o seguiam no tocante à identidade de sua pessoa. “E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mateus 16:13, 14). Hoje, diríamos que tinham uma cristologia confusa e equivocada. Confundiram a identidade de Jesus com a identidade de outras personagens bíblicas. Trataram de fundir ou fusionar a identidade de Cristo Jesus com a identidade de outros líderes religiosos. Cristo previu que seus discípulos ao longo da história também tratariam de confundir e amoldar sua identidade com alguma outra personagem. Cristo quis que seus discípulos se dessem conta que sua identidade era única e que não podia misturar-se, combinar-se ou, de nenhuma outra maneira, amalgamar-se com nenhuma outra personagem ou líder bíblico. Cristo disse que esta falsificação de sua pessoa com a de outros mensageiros chegaria a enganar, ainda se fosse possível, aos escolhidos (Mateus 24:24). Em outras palavras, o engano dos falsos Cristos com seus falsos profetas estaria na aparente semelhança que teria o falso Cristo com a identidade do verdadeiro Cristo. A identidade e mensagem do verdadeiro Cristo estariam misturadas com a identidade e mensagem de verdadeiros mensageiros bíblicos. Esta combinação da identidade de Cristo, o “único” em quem Deus toma complacência, com a de outros profetas, ainda que fossem verdadeiros, resultaria num falso Cristo. Por isso advertiu Cristo que estes falsos profetas seriam tão astutos na arte do roubo da identidade do verdadeiro Cristo, que enganariam, se fosse possível, ainda aos escolhidos.

Quando seus discípulos o confundiram com João (o Batista), Elias, Jeremias ou algum dos profetas, Cristo não aceitou nenhuma dessas identidades. Recusou-as e insistiu que lhe dessem uma resposta acertada. Ainda quando parecia que Pedro, finalmente, tinha acertado com a resposta, Pedro também não a acertou cabalmente e Jesus teve que o corrigir fortemente.

Todas as respostas dadas pelos discípulos se repetem hoje na voz das diferentes igrejas cristãs e na variedade de suas mensagens. Em outras palavras, a igreja cristã ainda se debate quanto a quem é o verdadeiro Cristo. Alguns seguem pensando que Cristo é a reencarnação das mensagens de João (o Batista), de Elias, outros de Jeremias ou de algum dos profetas.

O Cristo Identificado com João, o Batista

Este é o Cristo que, igualmente a João, o Batista, denuncia publicamente o pecado alheio tentando provocar o pecador para o arrependimento. Apesar de que se batizam no nome de Jesus, os que são batizados por causa da mensagem do arrependimento são realmente batizados no batismo de João. Neste batismo o penitente anuncia sua intenção de mudar sua vida a fim começar uma nova que dará “...frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8). Segundo este Cristo, o batismo os limpa pelos pecados passados e sua decisão de se batizar os impulsiona a pactuar com Deus a viver dali em adiante uma nova vida reta e abnegada, para sempre jamais livre de todo pecado.

De quando em quando este Cristo se anuncia como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, semelhantemente ao que João anunciou ao Cristo. No entanto, a mensagem de Cristo como o Cordeiro de Deus fica turvada e correlacionada com a mensagem da abnegação e sacrifício, e os muitos frutos que ainda se devem colher da árvore do arrependimento.

Este Cristo, também, do mesmo modo que João, o Batista, anuncia a preparação para a vinda do Senhor, prega que 5Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; os caminhos tortuosos serão retificados, e os escabrosos, aplanados; 6e toda carne verá a salvação de Deus. Todo o vale se encherá, E se abaixará todo o monte e outeiro; E o que é tortuoso se endireitará, E os caminhos escabrosos se aplanarão; E toda a carne verá a salvação de Deus.” (Lucas 3:5,6). Este Cristo anuncia sua segunda vinda assim como João, o Batista anunciava sua primeira vinda. O evangelho deste Cristo é sua segunda vinda. A salvação que este Cristo oferece é mediante sua breve volta em todo poder e glória. Portanto, a salvação que este Cristo oferece está por vir, não é uma salvação que se tenha consumado. Este Cristo chama a que os pecadores tenham a atenção posta nos sinais que anunciam o fim do mundo e sua vinda para salvação dos pecadores que se arrependam. Este Cristo não exclama de sua missão redentora “...Está consumado...” (João 19:30), senão “Cedo todas as coisas ficarão consumadas”. Esta mensagem, com freqüência, prega-se com toda aparência de fervor, mas negando a eficácia da cruz.

Não obstante, Cristo diante de seus discípulos não se identificou com João, o Batista, nem sua mensagem. Quando os discípulos lhe disseram que alguns o confundiam com João, o Batista, Cristo não respondeu que em parte tinham razão, que essa mensagem era parte de sua mensagem, mas não toda sua mensagem. Quando os discípulos lhe disseram que as pessoas diziam que Ele era João, o Batista, Cristo desconheceu a mensagem de João, o Batista como a sua. As Escrituras dizem escassamente “Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz” (João 1:8). De Jesus, o Verbo de Deus, as Escrituras dizem, “a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.” (João 1:9). Por mais que João, o Batista, “testificasse a respeito da luz” (João 1:7), ele não era a luz verdadeira. O refletor, por mais perfeitamente que reflita a luz, não é a luz verdadeira. Cristo não se confundiu com seu refletor.

O Cristo Identificado Com o Profeta Elias

Este Cristo também se encontra nas igrejas cristãs. É o Cristo dos milagres. É o Cristo que faz cair fogo do céu, que ressuscita mortos, que castiga o pecado com sinais e milagres. É o Cristo da oração, e a oração pode muito, até deter a chuva ou que chova a torrentes após a seca. É o Cristo que tudo resolve em algumas igrejas cristãs com vigílias, orações, jejuns, línguas, testemunhos, profecias de assuntos ocultos e segredos, privados e públicos, previdências espetaculares, muletas e cadeiras de rodas eliminadas, lenços benditos, águas benditas, mantas benditas, altares, amuletos e muitos outros sinais acompanham ao Cristo confundido com Elias. Também pregam a restauração das relações na família, citando a Malaquias 4:5,6 que nos últimos dias enviaria a Elias para converter “...o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais...”. No entanto, esta pregação, não obstante sua nobre intenção, carece da pregação da cruz como fundamento.

Em nenhum momento Cristo se deu a conhecer como o Cristo segundo o profeta Elias. Em outra ocasião, quando perguntaram a Jesus se Ele era Elias, Jesus respondeu sumariamente: “Não” (João 1:21).

O Cristo Identificado Com o Profeta Jeremias

Do mesmo modo que confundiram a Cristo com o profeta Jeremias no tempo de Jesus, assim este Cristo se faz presente em algumas igrejas cristãs.

Este é o Cristo que chora pelos pecados do povo de Deus. Este Cristo profetiza que horríveis e terríveis coisas estão por vir sobre o povo de Deus e a todo pecador em pagamento por seus pecados e desobediência.

Este Cristo chora pela triste condição da juventude: imoralidade, delinqüência, uso de drogas, sexo fora do casamento. Chora pelos pecados dos casais, do adultério, da fornicação e muitas outras perversões. Este Cristo se escuta pregando nas igrejas de todas as faltas cometidas e por cometer do povo de Deus. Ninguém fica de fora: os meninos, jovens, adultos, idosos, homens, mulheres, a moda, a bebida, os vícios, a sociedade, as obras injustas. Este Cristo se lamenta pelo aquecimento global e culpa a governantes, empresários, incrédulos e crentes de igual maneira. O mundo, segundo este Cristo, somente pode estar pior. Os que se salvam são aqueles que unem seu lamento ao desse Cristo, denunciando, acusando e vaticinando as mais horrendas calamidades ao povo de Deus e a todos em geral por seus pecados.

Mas Cristo em nenhum momento identificou-se com o profeta Jeremias.

O Cristo Identificado Com “Algum dos Profetas”

O Cristo Identificado Com o Profeta Moisés

Quando Jesus abasteceu a uma grande multidão, multiplicando os pães e os peixes, as pessoas o confundiram com Moisés.

14Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo. 15Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte..” (João 6:14-15).

Entendia-se, entre os israelitas do tempo de Jesus, que “o Profeta” designava a Moisés, em cumprimento de sua mesma profecia.

“O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás.” (Deuteronômio 18:15).

“Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.” (Deuteronômio 18:18).

Confundir a Cristo com Moisés era uma proposta sumamente atraente para os israelitas. Cristo como “o Profeta” parecia ser um Moisés bem mais tolerante que o caudilho de outrora. Jesus de Nazaré interpretava a lei de uma maneira bem mais benigna e justa que as interpretações tradicionais dos escribas e dos fariseus. De fato, Jesus até quebrantava o sábado curando aos doentes e permitindo tarefas diárias como levar uma cama e colher alimento do campo. As interpretações da lei que Jesus dava não surgiam para favorecer aos líderes religiosos de seu tempo, nem também para os ganhos financeiros do templo. Sua interpretação da lei ia para além das ações penetrando até os pensamentos. No entanto, Jesus curava e perdoava os cegos, surdos, coxos, paralíticos, publicanos e prostitutas, todas as pessoas que tinham sido condenadas pelos religiosos de seu dia.

Devido a que o povo sofria sob o jugo romano e desejava libertação política e social, confundia a Jesus com “o Profeta” predito por Moisés que seria levantado para libertar a Israel da opressão do Egito.

Viam a Jesus como um grande caudilho, um grande líder, de imenso poder. A partir da multiplicação dos cinco pães e os dois peixes, podiam ver que ele, igualmente a Moisés, podia alimentá-los e suprir suas necessidades básicas, como o tinha feito Moisés com o maná que caía do céu.

No entanto, Cristo recusou a que se lhe confundisse com o caudilho Moisés. Após o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, deu-lhe as costas à oportunidade de se apresentar como o Cristo segundo Moisés.

11Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles; e também igualmente os peixes, quanto queriam. 12E, quando já estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca. 13Assim, pois, o fizeram e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que haviam comido. 14Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo. 15Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte.” (João 6:11-15).

Por outra parte, os líderes judaicos não participavam dessa confusão. Eles compreendiam claramente que Jesus não era nenhum Moisés. De fato, eles acusavam a Cristo de se opor a Moisés. Escribas e fariseus consideravam-se discípulos de Moisés. Na conversa com o cego de nascimento que Jesus curou, os líderes judaicos deixaram claro que não havia confusão alguma em suas mentes entre Moisés e Jesus.

“...28Então, o injuriaram e lhe disseram: Discípulo dele és tu; mas nós somos discípulos de Moisés. 29Sabemos que Deus falou a Moisés; mas este nem sabemos donde é..” (João 9:28-29).

Eles viam a Jesus como uma ameaça ao sistema judaico que eles controlavam e manipulavam. Controlavam ao povo mediante um sofisticado moralismo fundamentado na lei de Moisés. Eles se criam os guardiões da lei. Para toda situação tinham um pronunciamento moral, ético e fundamentado sobre os Dez Mandamentos. Eles criticavam a Jesus porque Jesus não falava nem se comportava de uma maneira conforme com suas práticas discriminatórias que recusavam ao pecado e pecador por igual. Sustentavam a observância do sábado como o sinal do povo de Israel e, rigorosamente, denunciavam ao que quebrantava no sábado. Eles de jeito nenhum identificavam a Jesus de Nazaré com Moisés e muito menos como o Messias. Viam a Jesus como rebelde e revolucionário que apresentava uma justiça maior à lei de Moisés que eles tanto defendiam.

No entanto, hoje as coisas mudaram. Dentro da igreja cristã também existe um Cristo identificado com Moisés, o Moralista. Este é outro falso Cristo.

Este é o Cristo da igreja cristã que se distingue por seus grandes enunciados moralistas. Estas igrejas – sem distinção de nomes – são conhecidas por seus pronunciamentos éticos que propõem atingir toda ação humana privada e social. De tal modo que em alguns países se conhece o cristianismo hoje somente por suas grandes posições morais que objetam e protestam antes de tudo: desde a investigação do uso das células-tronco até a categórica condenação do homossexualismo; desde a imigração indocumentada até o aborto por todas as causas e razões; este Cristo fundamentalista apóia as guerras contra os países não cristãos, o uso da força e a violência militar para proteger seu patrimônio cristão. Tudo se faz em nome de Cristo, o Moralista, o novo Moisés. Estas posições cristológicas se apóiam sempre nos 10 Mandamentos interpretados diversamente, mas não obstante vigentes, regentes e, também, controlados por uma cúria ou pastorado manipulando os regulamentos à conveniência do poderio do sistema.

Mas, Cristo em nenhum momento identificou-se com o profeta Moisés, nem com Moisés o Caudilho, nem com Moisés o Moralista. Pois bem, segundo pela palavra inspirada de Jesus, “Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” (João 1:17). A lei – toda a Torá - não continha essa dinâmica, que só se encontrava em Jesus: “graça e verdade”.

Em outra ocasião o mesmo Jesus ressaltou em relevo o contraste entre ele e Moisés.

32...não foi Moisés quem vos deu o pão do céu...”. “35...Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede...”. “36Porém eu já vos disse que, embora me tenhais visto, não credes...” “40De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna...”. (João 6:32,35,36,40).

Há que se captar o impacto das palavras de Jesus e a razão pela qual ofendiam aos líderes judaicos. Jesus estava a lhes dizer que tudo o que Moisés lhes deu não era pão da vida. Nada do que tinham recebido de Moisés saciava a fome nem a sede e muito menos dava vida eterna. A vida eterna está em ver ao Filho e não a Moisés!

Moisés (representando ao Cristo dos Dez Mandamentos) e Elias (representando à condenação dos profetas por quebrantar a lei) desaparecem no Monte da Transfiguração. Só Cristo permanece representando a “graça e a verdade” e ouve-se a voz do Pai que retumba, “...Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.” (Mateus 17:5-8).

A identidade de Cristo se apresenta sozinha sem a ajuda de Moisés ou Elias, para salvação de todo pecador.

Portanto, quando Jesus estava por estabelecer sua igreja, perguntou: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” (Mateus 16:13). Com esta pergunta, Ele estava assumindo o título da personagem em Daniel 7:13,14. Esta personagem é o Messias que recebe o reino e seu aspecto é “como o Filho do Homem”.

13Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. 14Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído..” (Daniel 7:13-14).

A pergunta que Jesus dirige a seus discípulos não perde valor devido porque Ele usou a frase “Filho do Homem”. Pois bem, ao usar este termo na pergunta Jesus se atribui o título do Messias que encontramos em Daniel 7:13, com ênfase em sua natureza humana: “O Filho do Homem”. As respostas que os discípulos tinham dado o confundiam com outros profetas. Ele não quer confusões. Ele quer que lhe digam “Quem é o Filho do Homem?” Eles estão equivocados quando dizem que ele é algum dos profetas, pois nenhum dos profetas se tinha anunciado como o Messias. Ele, sim, apresenta-se como “O Filho do Homem”, o Messias Ungido de Deus para dar perdão a Israel e salvação a todas as nações.

Em Mateus 16:13-15 Jesus desconhece todas as respostas que o confundiam com outros profetas, e dirige a pergunta diretamente aos discípulos, “15Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?

Simão Pedro tinha antecipado a pergunta e adianta a resposta: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (v. 16).

O surpreendente da resposta de Pedro estava em reconhecer que o Cristo seria um ser divino e não somente humano. Os judeus pensavam que ainda que o Messias tivesse poderes sobrenaturais não seria um ser divino, porque Deus era um e não poderia haver mais que somente o Deus de Israel.

A resposta de Pedro era radical porque superava todo o pensamento rabínico de seu dia. Declarar que o Cristo era o “Filho do Deus vivo”, era declarar que Jesus de Nazaré, em função de Messias (o Cristo), era da mesma substância do divino, Deus, por razão de ser seu Filho. Essa maneira de pensar se sobrepunha a centenas de anos de teologia rabínica, de tradições, de crenças fundamentais, de todas as principais correntes do pensamento de seu dia. Essa maneira de pensar é a mesma que precisamos hoje para reconhecer a missão da igreja à luz da identidade de Cristo.

No entanto, Jesus imediatamente esclareceu que a declaração de Pedro não vinha de seu pensamento, de sua investigação teológica, de sua vida de oração, de sua leitura da Tora, dos salmos ou dos profetas, nem ainda de sua fé.

17Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 16:17).

O Pai revelou a Pedro que seu Filho era Jesus de Nazaré e que era um ser divino, da mesma essência do Deus único de Israel.

Mas, o Pai não revelou tudo a Pedro. O Pai deixou a maior e melhor revelação no Filho de quem o mesmo Pai disse: “...O TEU TRONO, Ó DEUS, É PARA TODO O SEMPRE...” (Hebreus 1:8). Jesus, o Filho do Deus vivo daria a plena revelação da identidade do Messias, do Cristo Ungido para a salvação dos pecadores.

A cristologia cristã errou porque se deteve na revelação da natureza dual de Jesus como o Messias: que Jesus era plenamente humano e plenamente divino.

Quanto à natureza de Jesus como o Cristo, a cristandade recebeu somente a revelação do Pai e não do Filho no tocante à identidade de Jesus de Nazaré.

O cristianismo cometeu o mesmo erro que cometeu Pedro pouco depois que declarou – mediante revelação do Pai - que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Pedro se deteve com a revelação de que Jesus, além de ser humano, também era plenamente divino. Quando lhe chegou a plena revelação do que significava a divindade de Cristo, Pedro a recusou, não a quis receber, e até repreendeu a Jesus por se dar a conhecer em sua plena natureza divina.

Pedro, a princípio, não reconheceu o pleno alcance de sua declaração de que Jesus era o Filho do Deus vivo. Não foi senão até após a ressurreição de Jesus, quando Pedro acreditou que deveras tinha entendido qual era a verdadeira natureza de Jesus como o Cristo de Deus.

Jesus revelou uma verdade maior no tocante à divindade de sua pessoa. Jesus de Nazaré, Filho do Homem, é o Cristus Deo Crucis. Jesus é Deus Crucificado para ser nosso Cristo, nosso Messias, nosso Redentor.

A verdadeira cristologia é só e exclusivamente Cristus Deo Crucis. A única razão pela qual a Pessoa de Cristo tem duas naturezas é precisamente em função da missão messiânica de Jesus de Nazaré: O Cristo crucificado como Filho do Homem é Deus mesmo derramando seu sangue para remissão de nossos pecados. É aqui precisamente quando a cristologia chega a seu ponto final como tema acadêmico e pode se expressar somente em termos confessionais: Jesus de Nazaré, plenamente homem e plenamente Deus morreu na cruz derramando seu sangue para me dar pleno perdão por todos os meus pecados. Deus mesmo, por seu magno amor, sofreu numa cruenta cruz para o perdão de meus pecados. O mesmo Messias tomou meu lugar na cruz fazendo-se pecado e em meu lugar sofreu a eterna separação de Deus em meu favor. Esse é o grande mistério do amor de Deus. Todo estudo e conhecimento cristológico está somente e categoricamente ao serviço de pregar a “...Jesus Cristo e este crucificado”. (1 Coríntios 2:2).

21Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.” “...para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mateus 16:21; 20:28).

É muito lindo dizer que “Jesus é o divino Cristo para a salvação da humanidade”. Mas essa declaração tem um sentido rigorosamente Deo crucis.

Jesus elucida algo que “é necessário” que se cumpra em sua missão como o Cristo, o Messias: sua morte na cruz “para dar sua vida em resgate por muitos”.

“É necessário” que a cristología da natureza humana e divina de Cristo seja entendida à luz da cruz na qual o Cristo morreu em expiação pelos pecados e o pecado da humanidade.

CRISTUS DEO CRUCIS: A PEDRA ANGULAR DA IGREJA DE CRISTO

Quando Pedro declarou em resposta à pergunta de Jesus, “E vós, quem dizeis que sou?”, Jesus respondeu:

18Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. (Mateus 16:18-19).

Este texto tem sido polemizado ao longo da história da igreja cristã. A polêmica foi em torno da natureza de Pedro como líder da igreja.

Mas este texto não tem que ver com a natureza de Pedro.

Este texto tem que ver com a natureza divina do Cristo, Jesus de Nazaré, Filho do Homem, Filho de Deus!

Este texto tem sido mal interpretado como referente a Pedro. Mas o texto tem como referência a Jesus, o Cristo, o Filho do Deus vivo!

Este versículo é parte da resposta à pergunta de Cristo, 15Mas vós... quem dizeis que Eu sou?”. As palavras de Jesus “18Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...”, torna compreensível a resposta de Pedro “Tu És o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

Jesus não tinha perguntado a seus discípulos, “Quem diz o povo ser Pedro?” As respostas que tinham dado os discípulos não tinham que ver com Pedro.

Nem também Jesus havia perguntado aos discípulos “E vós, quem dizem ser Pedro?”

Portanto, tudo o que Jesus diz com respeito a Pedro é para esclarecer a resposta que Pedro desse concernente à Sua divindade.

A Rocha não pode ser Pedro porque Pedro está por cometer um dos piores erros na cristologia cristã que, como veremos em breve, repete-se até hoje. Se Pedro fosse a rocha da igreja cristã, a igreja cristã estaria construída sobre a areia. Efetivamente, muitas das igrejas cristãs decidiram construir-se sobre Pedro em vez do Cristo, o Filho do Deus vivo. O resultado é que não têm nada mais que oferecer que areia, e areia movediça. Mas, estamos a adiantar-nos em nosso tema.

A Rocha é a declaração que Pedro fez no tocante à natureza de Jesus: Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Tão forte e segura é essa Rocha que “as portas do Hades” – da morte eterna – “não prevalecerão contra a igreja”. Pedro nem com sua vida nem com sua morte fez coisa alguma que pudesse dar tal garantia. Jesus está a falar da força de sua própria Pessoa como o Cristo e o sucesso de sua missão será tal que as portas da morte eterna, ainda que abrir-se-ão para enganar até os escolhidos como as portas da vida, não prevalecerão contra a igreja.

Mas, que significam as palavras de Cristo a Pedro, E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus?

No incidente que se segue, Cristo explica o significado da declaração de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Igualmente, esclarece o significado das palavras a Pedro que se lhe dariam as chaves do reino dos céus e que o que for unido ou atado na terra seria atado nos céus, e o separado na terra ficaria separado nos céus.

21Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. 22E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. 23Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.”. (Mateus 16:13-23).

Atente nas palavras ditas a Pedro, referentes às chaves do reino e de atar e desatar, neste incidente, para entender a missão cristológica de Jesus.

A primeira questão está na pequena palavra grega “dei” que em espanhol se traduz “é necessário”. Nas línguas modernas (inglês, espanhol, português, francês, italiano) existe um adjetivo muito prático para expressar o imprescindível, o indispensável, o inevitável: “necessário”.

Mas não é assim no grego. Para dizer que alguém está comprometido com certa obra, que lhe é imprescindível fazer algo ou estar em algum lugar, singelamente se usa um derivado do verbo “atar” ou “unir”. Alguém está atado para realizar certa missão ou está unido a cumprir com verdadeiro compromisso. O sentido de obrigação sem escapatória vem do verbo “atar”. Em outras palavras, que alguém está atado ou unido a tal ou qual função. O verbo “atar” podia-se usar literalmente ou figurativamente, mas tal qual fosse o caso, significava um compromisso ou uma situação inevitável.

Quando Pedro diz a Jesus que Ele é “o Cristo, o Filho do Deus vivo”, Jesus passa a elucidar o significado dessa declaração. Jesus dizia a Pedro, Tua declaração que Eu sou o Messias noivo significa que, como o Cristo, estou atado à obra de salvação e livrarei essa batalha em favor de todo pecador na cruz!

A divindade de Cristo, cuja qual reconheceu Pedro, está inevitavelmente atada à cruz. Assim também sua humanidade está unida a levar os pecados de todo pecador na cruz. A cristologia está inquebrantavelmente atada a seu sacrifício na cruz para resgatar à humanidade do pecado e suas eternas conseqüências! Na cruz, a cristologia, a soteriologia e a eclesiologia encontram-se num ósculo santo que define a salvação da humanidade!

Desde esse momento Jesus anunciou sua morte – a partir de ser declarado o Divino Messias Ungido – três vezes. Na terceira, alumiou ainda mais sua missão de Messias, “...o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mateus 20:28). De fato, quando Jesus esclareceu sua missão de ir à cruz como o Cristo, o Filho do Deus vivo, advertiu-lhes “...que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.” (Mateus 16:20). Por que esta advertência? Para que não pudessem ter oferecido obstáculo em seu caminho para o Calvário e a cruz. “Era necessário” que ele como o Cristo de Deus, derramasse seu sangue em resgate de todo pecador.

Jesus deu toda sua vida, sua vida e sua morte em resgate. A totalidade de sua vida. Vida por vida, morte por morte. Alguns pensam que só a morte de Cristo é substitutiva. Toda a Pessoa de Cristo, em sua vida e em sua morte se dá em resgate. Pede-se sua vida e pede-se sua morte. Todo o ser de Cristo, incluindo sua divindade, toma o lugar de todo pecador. A vida do perfeito amor de Cristo Jesus pela vida de concupiscência de todo pecador; sua morte tendo sido feito pecado substituindo a merecida morte de todo pecador. Bem como a natureza dual de Cristo é indivisível, assim também sua substituição em favor do pecador é indivisível. A Pessoa de Cristo é uma unidade em sua natureza, assim também como em sua função como nosso Redentor e Suplente. Não podemos dividir sua natureza humana de sua divina. Também não podemos dividir sua substituição em favor do pecador somente na morte. Sua substituição é também em sua vida de obediência em nosso favor. Cristo na totalidade de sua vida de perfeito amor e sua morte de amor pelos pecadores, é nosso Substituto e Redentor.

Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, é o Homem forte que entra na casa do valente e saqueia-lhe seu poderio, seu poderio da morte, para que “...livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.” (Hebreus 2:15).

Devido a que Jesus Cristo na cruz despojou ao diabo de seu poderio sobre o pecado e a morte, as portas do Hades (as portas da morte eterna) não podem prevalecer contra a igreja. Para os que crêem em Jesus Cristo, o Jesus Messias Ungido, Filho do Deus vivo, a morte como castigo do pecado não pode prevalecer contra eles. E eles são sua igreja. Os eximidos por seu sangue são sua igreja. Sua igreja são “...os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro.” (Apocalipse 7:14).

As chaves que Cristo põe nas mãos de Pedro são as chaves do conhecimento do que significa a Pessoa de Cristo, o que Jesus fará como o Cristo do Deus vivo para dar salvação a Israel e aos gentios. Mas, Pedro terá que aprender esse conhecimento com seu próprio sofrimento, decepção e decepção ao se conhecer a si mesmo como uma muito pequena pedra em contraste com a Rocha que é Cristo, o Filho do Deus vivo, o que iria à cruz em seu lugar. Mas, Pedro não pôde receber estas chaves senão somente após a ressurreição de Jesus, no dia de Pentecostes.

Do mesmo modo, a cristologia Cristus Deo Crucis explica o que significa atar na terra e no céu e desatar na terra e no céu. Estando Cristo, como Messias, em sua Pessoa, unido, ligado a ir à cruz para dar sua vida em resgate por muitos, a pregação da cruz é aquilo mesmo que liga na terra e no céu. Ao mesmo tempo em que os que crêem no Cristo crucificado são atados com Cristo para vida eterna, da mesma maneira são desatados ou separados do poder da morte eterna sobre eles. “...o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”. Todo aquele que fique atado a Cristo, mediante a fé em seu sangue derramado na cruz, ficará unido a Cristo eternamente nos céus. Todo aquele que mediante a pregação do evangelho fique desatado da condenação do pecado, sua condenação nos céus também ficará separada. “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Romanos 8:1).

De tal modo que a cristologia dual de Jesus Cristo tem uma dinâmica inteiramente Deo Crucis, pois “...sem derramamento de sangue, não há remissão” de pecados (Hebreus 9:22).

De outra maneira, a cristologia da natureza dual de Jesus presta-se para muita confusão, a mesma confusão que existe na igreja cristã hoje.

As igrejas que entendem a natureza de Jesus somente em sua natureza dual de pleno homem e pleno Deus sem entender a natureza Deo Crucis de Cristo, ensinam um plano de salvação fundamentado num misticismo no qual o ser humano se salva mediante a comunhão com esse ser divino. Esta pregação e ensino têm um são maravilhoso, e alucinante, atrativo. É como o canto das sereias. Nesta cristologia a salvação se obtém mediante a amizade com Cristo, mediante o alcance de uma inquebrantável comunhão com Deus, na qual o crente se compenetra na mesma natureza divina, a natureza humana do pecador fica presa com a natureza divina e, portanto, Deus pode confiar que o pecador pode ser salvo porque atingiu tão alto grau de compenetração com a divindade de Cristo. A final de contas quem dá a garantia é o pecador com seu misticismo no qual sua vontade se funde, amalgama-se, perde-se na vontade divina. Mas nesta cristologia não há sacrifício do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, não há derramamento de sangue para remissão de pecados. Deus não se apresenta em Cristo, o Filho de Deus, para dar sua vida em resgate pelo pecador. Nesta cristologia, as “melhores promessas” não são as do Cristo crucificado cumprindo o pacto em favor do pecador. Nesta cristologia as “melhores promessas” são as do devoto consagrado a se perder na imensurável Pessoa do Cristo humano-divino. Esta é uma cristologia muito atraente, muito hipnotizante e muito errada. Toda cristologia sem o sangue de Cristo é a de um falso Cristo, dada por falsos profetas. De fato, é a marca 666 do anticristo, pois em tudo pareceria apresentar-se um Cristo verdadeiro. Mas “Uma coisa lhe falta”: o “precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1:19). O apóstolo João, ensinou que “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 João 4:10). Foi nesse contexto da propiciação por meio do sangue de Cristo, em que o mesmo apóstolo também advertiu:

1Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. 2Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; 3e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo.” (1 João 4:1-3).

É por isso que a cristologia tem que ser radical e categoricamente Deo crucis, a cristologia do Deus crucificado, para a salvação plena e eficaz do pecador!

É sobre este Cristo onde Deus estabelece, constrói e faz crescer sua igreja. Esta cristologia é a grande pedra onde Cristo fundamenta sua igreja. Tudo o mais são “Pedros”! E para muitos esta pedra fundamental é também a pedra de tropeço porque o sangue de Cristo é ofensa para o judaizante e loucura para os gentios.

A reação dos muitos “Pedros” da igreja cristã à cristologia Deo crucis é igual à de Pedro quando Cristo elucidou sua missão de ser o Cristo crucificado.

“E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá.” (Mateus 16:22).

De modo algum, Senhor! Dê-nos qualquer cristologia, menos a cristologia da cruz!” “Dê-nos a João o Batista, a Elias, a Jeremias, a Moisés, até a cristología da dupla natureza de Cristo, mas não nos ofenda com a idéia que se teve que derramar sangue divino para o perdão de nossos pecados!” “De modo algum, Senhor, que nos estejas a ensinar um modelo tão primitivo da expiação como o derramamento de sangue numa cruz”. “Tal ensino fica bem para a mente primitiva, mas para o homem moderno e pós-moderno é uma ofensa à sua sofisticação, educação, e inteligência!” “De modo algum, Senhor! Dê-nos a mensagem histórica de nossos pais, dê-nos crenças particulares que façam ressaltar nossos distintivos especiais, mas não nos dês a cristologia da cruz!” “Dê-nos profecias, línguas, dons espirituais, mas não faças questão da mensagem da cruz!”

Mas, para todos os que tropeçam com a cristologia da cruz, Cristo tem uma advertência e convite:

“Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.” (Mateus 16:23).

A palavra de Cristo para todas as demais cristologias é que se retirem e deixem de estorvar a obra de Cristo, o Messias de Deus, derramando seu sangue para o perdão de todo pecador. A obra de Satanás é precisamente opor-se à cruz, pois ali se quebrantou seu domínio de pecado. Na cruz, ao derramar seu sangue, o Cristo de Deus destituiu os poderes de Satanás “para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” (Hebreus 2:14). A vitalidade eterna do sangue de Cristo estava escrita na mesma lei de Moisés anunciando seu sacrifício, “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida.” (Levítico 17:11).

Esta é a cristologia SOLO CRISTUS DEO CRUCIS.

Todas as outras cristologias é pensar de acordo com os homens.

A cristologia Deo Crucis é pensar “nas coisas de Deus”, em que Seu Cristo, Seu Filho em quem ele tem complacência, é o Cordeiro imolado desde dantes da fundação do mundo.

Qual é o verdadeiro Cristo da igreja cristã? Solo Cristus Deo Crucis. A verdadeira igreja cristã não se define a partir de suas características, senão de seu Cristo. Se seu Cristo é o verdadeiro Cristo, será a igreja verdadeira. Se seu Cristo é um pseudo-Cristo, será uma pseudo-igreja. Afinal de contas, a pergunta “qual é a verdadeira igreja?” tem uma resposta centrada totalmente na pessoa de Cristo “e este crucificado” (1 Coríntios 2:2).

“pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos.” (Marcos13:22).

Solo Cristus Deo Crucis. Sobre esta Rocha Cristo estabeleceu sua igreja. 15E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. 16Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Marcos 16:15-16). “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9).

44A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia 47e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. 48Vós sois testemunhas destas coisas.” (Lucas 24:44-48).

Louvado e glorificado seja para sempre o bendito nome do Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus imolado por nós desde a fundação do mundo, amém!

Haroldo Camacho, pastor do evangelho de Jesus Cristo

Palm Springs, CA 92264

5 de Outubro de 2007.

haroldocam@gmail.com

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