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"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero

domingo, 18 de março de 2012

TESTEMUNHOS: DESPERTANDO DE UM "PESADELO ESPIRITUAL"


Meu nome é Eliézer Rien, nasci já nos átrios da IASD, sou a terceira geração de adventistas. Quero começar pelo dia do meu “batismo”...


Fui “batizado” com 11 anos de idade, em um “batismo de primavera” tão famoso no meio adventista. Aquele ano parece-me, que não foi um bom ano para as metas batismais dos pastores, pelo menos não para o pastor da minha igreja local. A igreja que eu freqüentava é até hoje uma das maiores igrejas adventistas da cidade de Porto Alegre, muitos membros, igreja grande. Lembro-me do pastor umas semanas antes do tal batismo percorrer as salas de “escola sabatina” a fim de angariar crianças para batizarem-se. Eu de minha parte atendi parcialmente ao chamado aceitando seu apelo na “escolinha”. Entretanto para mim, aquilo tinha ficado por isso mesmo. Mas alguns dias depois meus pais me perguntaram se eu gostaria de me batizar, creio que alguém, provavelmente o pastor, havia ido conversar com eles a respeito do meu batismo.


No dia do meu batismo, foram reunidas várias pessoas, porém foi feito uma separação em dois grupos: as pessoas que haviam aceitado o batismo e estavam tornando-se membros adventistas naquele evento e um grande grupo de crianças da própria igreja local. Lembro-me que um pouco antes do programa começar, o próprio pastor procurou meu grupo e reuniu a todos a fim de passar as instruções, que foram mais ou menos estas: “Não fiquem nervosos, não tem problema algum, somente entrem no tanque batismal e o resto eu falo na hora. Também, depois do batismo, vocês serão chamados até ao púlpito e vou fazer 10 perguntas a vocês, é só vocês responderem sim para todas elas e pronto”.

Não preciso dizer que estas palavras até hoje ecoam em minha mente. É assustador a falta de preparo, de delicadeza, e seriedade de algo que deveria ser o momento mais importante de sua vida. Naquele momento me senti mais um número, tive este sentimento mesmo sendo uma criança de 11 anos.

Os anos se passaram e meu pai foi transferido de estado por causa de sua profissão. A partir dos 14 anos, freqüentei por um ano o IAP (Instituto Adventista Paranaense), posso dizer que este ano pra mim foi muito bom, pois fiz amigos, me diverti muito neste ano, mas um detalhe me marcou imensamente naquele lugar. Meu preceptor era um pastor, se é que posso chamar aquilo de pastor, que como ser humano posso afirmar sem sombra de dúvida que tem sérios problemas psicológicos, uma pessoa extremamente egocêntrica, tudo se resumia ao seu umbigo, e para piorar ainda mais, ele tinha em si um toque de crueldade misturado com masoquismo.

O grêmio masculino freqüentemente fazia lanches a fim de arrecadar dinheiro. Normalmente estes eventos tornavam-se festas de horrores, pois alguns pobres bolsistas não tinham dinheiro para comer aqueles lanches deliciosos (eram bons mesmo), e nosso “bom” preceptor tinha digamos uma “brincadeirinha” para aqueles que quisessem “ganhar” um lanche. Esta criatura havia fabricado uma ripa de madeira-ferro de cerca de 40x8x2cm toda furada no seu miolo. Com este brinquedinho, ele “trocava” 3 palmadas dadas por ele, por um lanche do grêmio. Aqueles pobres jovens, muitas vezes se submetiam aquela seção de tortura para poder comer um daqueles lanches que o grêmio fazia. Muitas vezes, quando pude, paguei lanches para alguns destes coitados, com o propósito de evitar o pior.

No outro ano, voltei para casa. Quando eu tinha 18 anos, em um sábado à tarde, eu estava deitado no sofá de casa lendo um livro chamado “Viajem ao Sobrenatural” de Roger Morneau. Sim, eu era um jovem que fui “criado” com o habito da leitura, nesta época eu já havia lido quase que totalmente as principais obras de Ellen G. White, e muitos outros títulos de escritores famosos adventistas. Porém, este livro a mim, causou um sentimento diferente, tive certo gosto a mais por aquela leitura.

E naquela tarde de sábado, tive uma experiência que nunca mais vou esquecer na vida. Enquanto eu lia certo capítulo, algo me tocou e comecei a chorar e naquele mesmo momento comecei a orar, minha oração foi mais ou menos assim: “Senhor, não quero ser mais um esquenta banco dentro da igreja, chega de ser um fardo, quero fazer algo em prol da Tua obra. Abra meus olhos e me mostre àquilo que Tu queres que eu faça”. Não pude acabar minha oração, pois naquele mesmo instante ouvi uma voz, como se alguém estivesse bem na minha nuca, dizer: “SEJA PASTOR”. Não preciso dizer que me assustei de maneira como eu nunca havia me assustado. Olhei para trás e não havia ninguém na janela atrás de mim. Ainda muito assustado, fechei meus olhos, e novamente me pus a orar, e disse: “Pai, não sei bem o que aconteceu, e quero acreditar que não estou louco ouvindo coisas, por favor, se isso for de Ti e não for pedir muito, confirme o que acabei de ouvir”.

Imediatamente, como se ouve a voz de qualquer pessoa em um diálogo, ouvi novamente a mesma frase: “SEJA PASTOR”. Naquele momento, tive uma avalanche de emoções dentro de mim, uma mistura de medo com empolgação, misturado com outros sentimentos que não sei descrever melhor. Após o ocorrido, fiquei em conflito, pois ser pastor era algo que me repudiava de certa forma que não conseguia nem me imaginar fazendo algo neste sentido. Tenho pastores, obreiros, fundadores de igrejas na família, tanto por parte de pai, quanto de mãe, mas me tornar pastor, nunca foi minha intenção.

Dias, meses, anos se passaram, e eu deixei de lado aquilo, mesmo com todo desfecho sobrenatural da situação, em meu coração, não era o que queria para mim. Neste período, me casei e fui morar em Santa Catarina. Cheguei lá a fim de abrir uma empresa de sociedade com meus cunhados. Logo no final dos primeiros 6 meses, a coisa não deu certo por conflito de idéias. Eu e minha esposa freqüentávamos a igrejinha local, e dentre os membros, havia um senhor que tem uma marcenaria.

No final de um culto de domingo à noite, eu estava conversando com ele, e surgiu a oportunidade de eu falar que eu estava sem emprego, se ele sabia de alguma empresa que precisa de alguém. Ele disse-me, que na marcenaria dele, precisava de um ajudante de marceneiro, e se eu estivesse interessado, era só falar. Prontamente, combinamos valores para meus ganhos e demais detalhes. E comecei a trabalhar com este senhor. Posso dizer que muitas coisas aconteceram neste período que freqüentei esta igreja e trabalhei para este senhor. Mas são coisas que não convém relatar aqui.

Certo mês ele atrasou meu pagamento, e isso se repetiu por mais 1 mês. Um determinado dia, fui conversar com ele, a fim de resolver o problema, e o que ele me disse me marcou de maneira assombrosa: “Não vou te pagar, você anda falando mal de mim pelas costas. E saia da minha frente antes que eu desça o braço em você”. Aquilo para mim foi uma das piores decepções da minha vida. Mas eu já deveria esperar, pois a quantidade de cobradores que iam até a empresa cobrar as dívidas desde senhor era enorme e ele sempre usando de mentiras e ameaças para se livrar destes cobradores. Só que eu era membro da mesma igreja, tínhamos quase que os mesmos amigos, para mim não tinha cabimento o que ele tinha feito comigo. Fora que a situação era exatamente o contrário daquilo que ele havia me dito, pois, indiretamente, “toda” igreja sabia das malandragens deste senhor, e eu sempre o defendia quando via alguém falando mal dele pelas costas. 

Mediante a nova situação, a coisa havia mudado, tentei falar com ele mais uma vez, queria ouvir está história direito, mas meu trabalho foi em vão, nem me atender ele quis. Foi aí que decidi conversar e me orientar com o “meu” pastor. Ele era um pastor jovem, dinâmico, porém, com a maioria dos pastores que conheci na minha vida, era mais um que fazia exatamente o oposto do que pregava. Eu posso dizer que gostava muito dele, e gosto até hoje, como pessoa, não como “ministro”, pois neste quesito deixava muito a desejar. Mas nunca levei muito a questão a sério, porque sempre ouvia na igreja que temos que focar na igreja como um todo, pois se focarmos em pessoas, certamente iríamos desistir dela. Não adiantou em nada pedir instrução ao pastor, pois a orientação dele foi que eu seguisse minha vida e deixasse isso quieto.

Neste período, comecei a pensar no que Deus poderia querer de mim? E relembrei aquilo que havia acontecido comigo naquela tarde de sábado. Contei para minha esposa, e começamos a orar para que Deus orientasse naquilo que fosse melhor para nós.

Logo depois, consegui um emprego em uma grande empresa de fabricação de móveis planejados da cidade, fui contratado pelo proprietário da fábrica. Não durei uma semana, no mesmo dia que entrei no trabalho já vi que teria problemas com o gerente de produção, um senhor que havia ganhado a vaga por falta de opção, não por merecimento. Sou uma pessoa extremamente detalhista, gosto das coisas muito bem feitas, tenho que admitir que em determinados momentos sou chato mesmo neste quesito, por este motivo, eu demorava um pouco mais que os outros para fazer os móveis, pois me dedicava e tentava ser quase que perfeito, se isso fosse possível.

Este senhor, aproveitando a situação começou a pegar no meu pé em relação a este assunto. Aproveitando uma viajem que o proprietário da empresa fez, na sexta-feira me dispensou dizendo que eu era muito lento e não daria conta do trabalho. Descobri depois, que na verdade não era este o problema, pois ele andou falando com outro marceneiro que eu era um “filhinho de papai” com faculdade que estava brincando de marceneiro. Tive a impressão que na verdade, ele estava era com medo que eu “tirasse” a vaga dele de gerente, pois eu havia ouvido do dono da empresa que aquele cargo dele era somente temporário até achar alguém “mais adequado e capacitado”, e pelo que o outro marceneiro havia me dito, creio que este foi realmente o problema.

Tive outras tentativas em outras empresas do ramo, e sempre por algum motivo mesquinho, não dava certo. Foi aí que resolvi procurar novamente “meu pastor”. Contei tudo que havia acontecido comigo, contei sobre aquele sábado e tudo que aconteceu. O pastor ficou extremamente comovido com a minha história e disse que eu não poderia continua fugindo de Deus. Eu tinha um chamado, e Deus iria me “perseguir” até eu obedecer. Baseado naquelas palavras, me convenci que aquilo era o correto. Mas não sabia nem por onde começar. Pedi orientação novamente a ele, e ele me disse que eu precisava fazer o vestibular de teologia do UNASP/EC, e que a segunda coisa a fazer era me tornar colportor, pois além de pagar meus estudos, eu teria obrigatoriamente de passar pela colportagem antes de me formar. Com muita resistência, resolvi seguir sua opinião, e ele me disse que no outro dia ele iria até Florianópolis na Associação e que era para eu ir junto que ele iria me recomendar pessoalmente ao diretor de Colportagem de SC.

No outro dia fomos a Associação, naquele momento eu não sabia, mas naquele dia conheci a pessoa mais horrível que já conheci em minha vida, afirmo isso sem medo de errar. A princípio fui muito bem recebido, o pastor pediu que eu contasse minha história ao diretor de colportagem, e assim o fiz. No final ele me pareceu sínico, pois era evidente que o sentimento que ele tentou demonstrar era falso, claramente via no rosto dele a falsidade. Está foi a primeira má impressão que tive deste senhor. Conversamos um pouco e ele me passou detalhes sobre a colportagem, e me disse que estaria começando uma “Campanha” em Joinville no mês seguinte e que era para eu ir para lá. O grande problema é que minha esposa trabalhava no colégio adventista (também é uma triste história), eu não poderia abandonar minha esposa sozinha em outra cidade e ir para Joinville. Estranhei um pouco, mas a orientação dele foi deixar minha esposa sozinha e que eu deveria ter fé, pois Deus cuidaria dela. Mas como era a orientação de um pastor, eu acatei, e no mês seguinte deixei minha esposa e fui para Joinville.

Cheguei a Joinville e a campanha já havia começado a 3 dias. Acomodações precárias, jovens passando fome, pois não tinham dinheiro nem para comprar comida, o que encontrei foi algo que nunca pensei que encontraria dentro da IASD. Nunca imaginei que “a obra de Deus” pudesse ser daquele jeito. Foi uma grande decepção, contudo eu estava focado e precisava vender os livros para ter o que comer, e ainda guardar para poder pagar meus estudos no UNASP.

Fui colocado de dupla com um rapaz que se tornou um grande amigo. Colportavamos juntos e começamos a vender muito bem. O dinheiro entrando e eu estava ficando satisfeito com tudo aquilo, pois meu objetivo estava sendo alcançado. Ao meio dia, nós sempre parávamos por 1 ou 2 horas a fim de descansar, em uma destas paradas, foi que eu tive o primeiro contato pessoal com uma oposição bíblica a doutrina adventista. Eu estava lendo o Novo Testamento, quando me deparei com um versículo que dizia que os apóstolos batizaram em nome de Jesus.

Naquele momento me veio uma lógica que eu nunca tinha tido antes, mesmo lendo os mesmos versículos em outras oportunidades anteriores. Como que Jesus manda em Mateus 28:19 batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e os apóstolos fizeram diferente depois? Isso me deixou encucado, e comecei secretamente a estudar sobre o assunto. Foi aí que percebi que existia algo de muito errado na doutrina adventista. Um dia, num destes momentos de almoço, peguei este amigo, e comecei a mostrar para ele aquilo que eu havia descoberto. No começo, foi um pouco duro para ele e para mim, pois estávamos com um grande problema nas mãos: Nós fazíamos parte da “única igreja verdadeira da terra”, e está igreja tinha um erro tão grave! Discutimos muito a respeito do que fazer com aquela nova descoberta, e chegamos à conclusão que aquilo era o chamar de Deus para nós, pois sendo pastores (ele também queria fazer teologia) poderíamos tentar corrigir este erro doutrinário dentro da “Igreja de Deus”. Chegou o dia do vestibular, e fomos levados até Florianópolis para fazer as provas. Voltamos para Joinville e a vida continuou.

Um dia a liderança da Campanha de Joinville começou a organizar grupos de colportores para criar campanhas menores em cidades menores. Foi aí que tive a idéia de colportar em minha cidade. Falei com meu amigo e fiz a proposta para ele. Seria perfeito, pois além de eliminar os custos com hospedagem e comida, poderia ficar próximo à minha esposa, pois a saudade estava me corroendo por dentro.

Informamos a liderança da campanha e a aceitação foi imediata, mas tinha um problema, ele não queria nos fornecer material, e fomos obrigados a comprar R$3.000,00 em materiais. Por mais insatisfeito que eu tenha ficado, a mim não pareceu uma coisa muito ruim, já que em pouco mais de duas semanas eu e meu amigo havíamos vendido mais que isso.

Em 2008, ouve uma grande tragédia natural em SC, passamos por toda na minha casa. Vários dias sem água potável em casa e muitas outras dificuldades. Como a enchente não alcançou minha casa, saímos e fomos ser voluntários em um abrigo na cidade de Itajaí; para chegar ao abrigo, que ficava num clube em um bairro da cidade, precisamos ser levados de lancha do Corpo de Bombeiros de tão feia que foi a coisa toda, até corpos boiando entre as ruas da cidade nós vimos, mas isso é outra história.

Dias depois quando as coisas estavam melhorando e as cidades estavam voltando ao normal, meu amigo recebe a ligação do Diretor de Colportagem de SC convidando ele e a mim a ser líder e vice em uma das campanhas que iria começar no outro mês na cidade de São Bento do Sul. Como iria ser uma campanha pequena, ele acertou os detalhes ali por telefone mesmo. O meu amigo como líder, iria ganhar uma porcentagem da arrecadação da campanha e eu como vice, ganharia uma carta de crédito que pagaria meu primeiro semestre no UNASP. Mal eu sabia no que estava me metendo. Quando começou a campanha em São Bento do Sul, naturalmente, fui assumindo as responsabilidades e sem querer fui assumindo a liderança da Campanha, não uma liderança nominal, mas sim uma liderança natural. Éramos muito amigos, e um dia paramos para conversar sobre o assunto. Meu amigo percebeu e sem causar problema algum, aceitou sem problemas esta naturalidade da coisa. Tenho esta liderança nata, é algo que acontece naturalmente, e aos poucos fui conquistando a confiança da equipe toda. Mas como eu sei me colocar em meu lugar, sempre qualquer decisão a ser tomada, levava até meu amigo para que decidíssemos juntos. E tudo estava perfeito. Até que um dia, fomos avisados que uma colportora individual iria vir com a filha dela e ficaria conosco, pois elas trabalhavam com palestras, mas precisavam de um lugar para ficar.

Imagine uma pessoa extremamente  fanática, não tínhamos na casa fogão convencional, usávamos fogão à lenha, e esta pessoa começou a criar problemas com os colportores, pois eles não poderiam comer no sábado, porque teriam que acender fogo. (ela tinha trazido um microondas, kkk) Muitas noites, todos fomos acordados por ela, pois ela dizia que tínhamos que fazer “madrugadas de oração”, imagine um bando de jovens, muito cansados, que andam 20 a 30 km por dia, terem que acordar de madrugada para ficar fazendo madrugada de oração? Cada vez que se lia a bíblia ela obrigava todos ficarem em pé, bem coisa de pentecostal mesmo. Fora que frequentemente ela recebia umas mensagens de Deus, sim, isso mesmo, ela dizia que ouvia Deus falar com ela, e ela vivia mandando recados de “Deus” para todo mundo.

Isso começou a diminuir o rendimento do pessoal, e tivemos que tomar medidas em relação aquilo. Chamamos a tal irmã, e conversamos seriamente com ela, informamos, que os líderes da campanha eram nós, e que a partir daquele momento, ela não tinha permissão de fazer nada sem nossa expressa autorização.

Assinei meu nome na lista dos perseguidos naquele momento. Pois realmente, me senti na inquisição, esta senhora começou a inventar mentiras a meu respeito, começou a tentar colocar os membros do grupo contra mim. Chegou até procurar meu amigo e sugerir para ele que o que eu queria mesmo era passar a perna nele. Sei que a coisa foi feia. Mas o pior ainda iria vir, pois ela era uma “ótima colportora”, leia-se: “faturava muito”. E tinha certos privilégios perante a diretoria. Estas mesmas mentiras chegaram aos ouvidos do diretor de SC, e ele escolheu de que lado ficaria, escolheu o dela. Outro fator que a diretoria não gostou, era o fato de eu e meu amigo, ajudarmos os colportores que tinham dificuldades. Nós antecipávamos pagamentos e outras poucas coisas mais, a fim de ajudar a alguns pelo menos terem o que comer. Comecei a ser perseguido por este senhor também, como meu amigo não daria conta de levar a Campanha sozinho, ele não me tirou do “cargo” de vice, mas recebi várias vezes ligações dele dizendo  que eu deveria ficar na minha e não causar problemas para a dita cuja, senão a coisa iria “feder” pro meu lado, entre outras “cositas mas”.

Vou fazer um parêntese, para falar aqui um pouco sobre este “pastor”: em determinado sábado, fomos convocados a fazer uma confraternização com a equipe de outra cidade, iríamos passar o dia lá, e a noite teríamos um treinamento de vendas, também o pastor Diretor de Publicações da Casa Publicadora Brasileira estaria lá conosco.  Naquele dia, tive mais uma demonstração da liderança adventista. O pôr-do-sol era em torno das 17:45hs naquele dia, porém, lá pelas 16:00hs, eu estava em uma roda de 3 pessoas, incluindo este pastor visitante, e ele sem mais nem menos, começou a contar piadas, leves de começo, mas a coisa começou a ficar pesada a medida que ele ia se empolgando; até chegar ao ponto de começar a contar piadas pornográficas. Quando chegou às 17:00hs começaram a fazer o culto de pôr-do-sol, pois não poderia atrasar o cronograma. O tal do treinamento de vendas começou exatamente às 17:30hs, 15 minutos antes dó que deveria ser. Depois ele se desculpou dizendo para um grupo de pessoas, que Deus haveria de dar um desconto, afinal estávamos ali por causa da obra Dele.

Este pastor, frequentemente comprava no Paraguai eletroeletrônicos, enchia o porta malas do seu carro, e levava para as campanhas para “vender” as colportores. Ví várias vezes ele entregando um objeto na mão de um colportor, dar um preço quase que o dobro do valor de mercado, virar as costas e dizer que no final da campanha ele descontaria no acerto. Mesmo sem saber se havia interesse ou não das pessoas, ele fez isso muitas vezes, inclusive com aqueles mais pobres que passavam necessidades.

O que vou falar agora é muito grave, mas é a mais pura verdade, este “pastor” acobertava descaradamente os constantes roubos da liderança. No final da Campanha, eu e meu amigo, fomos obrigados a passar os acertos a outro líder, pois disseram que não saberíamos fazê-los. Faça os cálculos comigo: aluguel da casa – R$ 1.200,00 + água – R$ 350,00 + energia – R$ 1.000,00 (custos médios por mês).  A regra em campanhas é somar todos os custos e dividir por todos os membros da campanha. A soma desta conta aí é R$ 2.550,00 x 3 (a campanha dura 3 meses) que é igual R$ 7.650,00 por todo o período de 3 meses de campanha. Foram em torno de 80 membros o total de pessoas que passaram pela campanha de São Bento. Dividindo R$ 7.650,00 por 80, dá um resultado de R$ 95,62 por pessoa. Este deveria ser o custo de campanha para cada membro. Porém, no acerto foi cobrado em torno de R$ 350,00/pessoa, isso dá um total de R$ 28.000,00, somente da Campanha de São Bento do Sul. Fiquei sabendo que alguns pagaram até mais que R$ 350,00. E aí não estão contabilizados os valores que os colportores têm que acertar dos livros que eles ficam devendo. Existe muito mais coisa bem cabeluda que não  vou contar, pois meu relato ficaria extremamente longo. Só com estes detalhes, você leitor, já pode ter uma pequena idéia da podridão que é a colportagem adventista. Fiz uma pesquisa, e descobri que a IASD estaria com grandes problemas se um fiscal do trabalho fizesse uma fiscalização em uma destas campanhas. Literalmente, existe trabalho escravo descarado nestes lugares.

Fechando o parêntesis. Passei no vestibular, e fui para o UNASP, como sou casado, não poderia morar nos alojamentos, isso quer dizer: precisava me virar. Fui morar em Mogi-Mirim, uma cidade bem próxima do UNASP, ia e voltava de carro todos os dias, pagava por uma “carona” de um colega meu de classe que morava na mesma cidade. Esta fase da minha vida, foi decisiva para abrir meus olhos a respeito do adventismo. Quando cheguei como aluno de teologia, tinha certeza que minha missão era me formar, ser ordenado e começar uma reforma na Instituição, pois não poderia aceitar que a “Igreja de Deus na terra” tivesse um erro doutrinário tão grosseiro.

No primeiro mês já veio a primeira decepção. Aquela carta de crédito que eu tinha “ganhado” não chegou, pedi para meu amigo, que ainda estava colportando, pois não havia passado no vestibular, ir até a Associação em Florianópolis falar com o pastor. Fiquei sabendo que o tal do pastor decidiu não mais me dar a tão esperada carta. E agora, que eu poderia fazer? o curso de teologia é em período integral, e eu teria 6 meses pela frente de custos com alimentação, moradia, vestuário, transporte e mais o valor do curso que por sinal é um absurdo de caro. Baseado que ali estão se formando pessoas para trabalharem na obra adventista, o correto é a obra pagar tudo, mas acontece exatamente ao contrário: tudo é cobrado, descontado e etc... Logo no primeiro mês de aulas, ao fazer um trabalho, me deparei com Esdras 7:27 que diz que naquele ano o rei “ornou” o templo em Jerusalém, isso vai na contramão daquilo que Ellen White diz, fere todo o princípio da “Profecia das 2300 tardes e manhãs”.

Fiquei muito preocupado com o que havia lido e aproveitei a vasta biblioteca do UNASP para começar a estudar mais e mais as profecias da senhora White. Quanto mais eu me aprofundava, mais estarrecido eu ficava com minhas descobertas. A vantagem é que eu tinha tudo o que eu precisava ali na mão e de forma fácil, livros de todos os tipos e edições. Comecei também a procurar comentários na internet sobre as falsas profecias de Ellen White, e pude comprovar uma a uma. Tinha a minha disposição o Centro White, e todo tipo de material que eu precisava. Este período de descobertas durou todo o primeiro semestre, e neste tempo, pude argumentar com alguns professores a respeito de várias coisas. Obtive muita embromação, mas a frase que mais me marcou foi a de um pastor, em plena sala de aula. Antes de perguntar a ele sobre um determinado assunto, eu disse que eu procurava me aprofundar mais nos estudos, queria ir além daquilo que me era apresentado, a resposta dele foi uma das mais marcantes da minha vida. Ele disse: “Pessoal, vocês não precisam pensar, é só vocês aceitarem o que ensinamos para vocês. Já está tudo pronto, não tem nada de novo pra ser descoberto”.

Lembro-me que um dia, este mesmo pastor estava ministrando uma aula de História do Adventismo, e um dos assuntos abordados eram as características físicas sobrenaturais quando Ellen White “recebia” uma visão. Um dos meus colegas, na inocência, perguntou ao pastor se aquele tipo de coisa Satanás também poderia fazer? Este pastor ficou extremamente irritado, e respondeu: “Poder, ele podia, mas você também poderia ter ficado de boca fechada”. Este tipo de coisa acontece frequentemente dentro das salas de aula. Os alunos não são encorajados a pensar por conta própria, os alunos de teologia do UNASP são programados a serem robôs, receber tudo que é passado de bom grado, e nunca argumentar nada que seja fora do padrão adventista, pois se você fizer isso, começará a ser visto com maus olhos pela direção do curso.

Neste período, pude comprovar tudo que há de pior dentro da IASD, e para mim e minha esposa foi um período extremamente difícil, pois à medida que eu ia me aprofundando, mais apavorado eu ficava, pois ia descobrindo que perdi 31 anos da minha vida em uma instituição que era mais uma farsa religiosa, que não tinha diferença alguma de qualquer outra igreja que ela condena tão veemente. Foram muitas madrugadas de oração, estudo e choro, quanto mais eu me aprofundava no assunto, mais eu via que aquela igreja era simplesmente mais uma, e ia me convencendo daquilo que eu deveria fazer: afastar-me completamente dela. Percebia que toda minha vida espiritual, desde meu nascimento, havia sido um engano.

A decisão não foi fácil. Muito sofrimento, muitas noites sem dormir, muitas lágrimas derramadas, mas as coisas foram tomando seu rumo, e hoje posso dizer que estou livre daquele pesadelo espiritual que se chama Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em relação as necessidades financeiras, Deus nos deu capacidade para pensar e força para agir, e não passamos necessidades, graças a Ele.

Meu pesar é que tenho muitos parentes queridos dentro desta instituição. Rogo a Deus que me dê a graça de livrar estas pessoas antes que seja tarde demais. Graças a Deus, consegui mostrar estes mesmos erros a meu irmão, e hoje ele não mais pertence à IASD. Está para mim já é uma grande vitória.

Mas você pode me perguntar: mas se foi Deus que mandou você se tornar pastor, na igreja adventista ainda, porque você saiu dela? A resposta é bem simples, Deus me conhece e sabe das minhas convicções, sou uma pessoa firme nas minhas idéias e para mudá-las os argumentos precisam ser fortes e muito bem embasados. Tenho certeza que Deus me enviou para o UNASP porque somente estando lá, eu poderia ter acesso a muito material que não teria em outros lugares. E somente estando lá é que pude ver com meus próprios olhos, coisas sobre a instituição que não poderia ver em nenhum outro lugar. Deus preparou isso pra mim, exatamente para me salvar das ilusões adventistas. O Eterno seja louvado por isso. AMÉM! 

Hoje, sou editor do micro blog HTTP://foconaverdade.wordpress.com que utilizo para mostrar as verdades que aprendi e continuo aprendendo através somente da bíblia, sem nenhuma outra intervenção humana. E também utilizo assim como este site, para mostrar as barbáries adventistas, a fim de alcançar um único adventista que seja, e mostrar-lhe a “verdadeira verdade”, a verdadeira libertação em Jesus Cristo.

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