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"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

AMÁLGAMA: O “PECADO ESQUECIDO”.


Estimado amigo leitor; eis um tema muito, mas muito interessante e também polêmico, que definitivamente, os líderes adventistas querem a qualquer custo deixar “debaixo do tapete”, completamente “morto, enterrado e esquecido”.

Também sempre evitam tocar no assunto, pois ele tem a capacidade de “provocar arrepios” em todos aqueles que têm a pessoa de Ellen G. White – co-fundadora do adventismo - como uma “mensageira divina”.   

Neste artigo, iremos abordar em detalhes mais um assunto que põe em xeque a validade da doutrina fundamental nº. 18 dos ASD. Discorreremos sobre o “pecado gravíssimo” mais insólito da terra: A amálgama.

Para um bom entendimento, pedimos a todos os leitores a gentileza de lerem atentamente, com calma e paciência tudo que for colocado, sempre conferindo os textos originais em suas fontes.



Declarações históricas, devidamente documentadas, feitas pela Srª. Ellen G. White (grifos nossos):

"Mas se há um pecado acima de todo outro que atraiu a destruição da raça pelo dilúvio, foi o aviltante crime de amálgama de homem e besta que deturpou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte. Era propósito de Deus destruir por um dilúvio aquela poderosa e longeva raça que havia corrompido seus caminhos diante do Senhor." 
Spiritual Gifts (1864), Vol. 3, pág. 64, par. 2, The Spirit of Prophecy, vol. 1, pág. 69.

 "Toda espécie de animal que Deus criou foi preservada na arca. As espécies confusas que Deus não criara, resultantes da amálgama, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio, tem havido amálgama de homem e besta como pode ser visto nas quase infindáveis variedades de espécies animais e em certas raças de homens.”
Spiritual Gifts (1864), Vol. 3, pág. 75, par. 3, The Spirit of Prophecy, vol. I pág. 78.

Amálgama: “Mistura ou ajuntamento de pessoas ou coisas diferentes, confusão” (Fonte: Dicionário Michaelis). 

Uma breve introdução:
Ellen G. White afirmou em sua primeira declaração, que o amálgama foi “um pecado acima de todo outro” e que “atraiu a destruição da terra pelo dilúvio”. Ela ainda fez questão de frisar que tal pecado foi um crime “aviltante” (algo desonroso, humilhante, vil, que desonra) e tal crime - ainda segundo ela - deturpou a imagem de Deus e causou confusão.


A Bíblia afirma que Deus é o criador de tudo e que fez o homem segundo sua imagem e semelhança. Mas conforme Ellen White, em sua segunda declaração, certas raças de homens, não são (ou não foram) criações de Deus; mas resultado de uma mistura, uma amalgamação...

Tal afirmação bate frontalmente com o relato Bíblico da criação, pois fala abertamente sobre “espécies confusas que Deus não criara”. Diante desta questão, podemos iniciar as “perguntas que não querem calar” da seguinte maneira:

1 - Se não foi Deus quem criou, quem foi?

2 - Como uma criatura “não criada por Deus” pode ter a centelha da vida?

O homem pode até manipular espécies através de cruzamentos e fertilização artificial; mas tais experimentos só produzirão vida se Deus assim o desejar ou se assim estiverem dentro dos parâmetros que Ele mesmo estabeleceu. 

Assim sendo, podemos afirmar categoricamente que tudo que tenha vida, foi por permissão e ou, vontade Divina, tornando assim toda e qualquer criatura vivente, criação dEle. 
Diante deste fato, como compreenderemos as declarações de uma das fundadoras do movimento adventista, quando afirmou que “certas raças de homens” eram espécies confusas, amalgamadas e não criadas por Deus?
Abre aspas:

Pedimos aos amigos leitores – especialmente os nossos irmãos adventistas – que imaginem por um momento, vocês sendo uma dessas pessoas... Então alguém lhe diz: “Deus não fez você” ou “Deus não desejou que você nascesse” ainda “você não é criação dEle; ou talvez “você é um resultado de uma mistura pecaminosa!!” Sinceramente; como vocês se sentiriam?
Fecha aspas.
Tais afirmações de EGW sempre causaram grande impacto e curiosidade para qualquer um que as leiam. 
Também deixaram durante décadas, diversas perguntas sem resposta, entre elas:

1 - Qual seria a verdadeira interpretação para essas afirmações?
2 - Que “lição de moral” EGW quis realmente deixar com isso?  
3 - Ela se referiu de fato, ao cruzamento/amálgama através de relações sexuais entre homens e animais (bestas) ou seriam misturas genéticas entre humanos com humanos e de animais com animais?
4 - Ela se referiu ao cruzamento de raças? Se sim, então quais foram ou quais são as tais “raças humanas amalgamadas”?

Queridos leitores; esses tais parágrafos “inspirados”, geram curiosidade e polêmica; e não é de hoje.  Muitas das  perguntas que fizemos, também foram levantadas na época em que foram escritos, porém sem nunca obter uma resposta satisfatória. 

Aprofundando o tema:
Para analisarmos melhor o que a Sra. White afirmou, seria importante conhecer um pouco mais sobre as opiniões e pensamentos do século XIX; assim obteremos uma visão panorâmica do cenário; do berço em que foi concebida tal idéia (amalgama).   
Ellen White iniciou sua carreira como escritora justamente na época em que Charles Darwin havia publicado o livro: “A origem das espécies” (1859). O livro de Darwin causou grande impacto e polêmica, ajudando de certa forma também a criar e alimentar teorias sobre a origem das  raças humanas “superiores” ou ditas “mais capazes”.


Tais teorias promoveram o nascimento do “Darwinismo social”. Este foi como uma espécie de “base filosófica” para o surgimento mais tarde de uma pseudociência chamada de “Eugenia” (melhoramento genético), da qual, idéias e práticas levaram horror e lágrimas ao mundo através da Alemanha nazista.

Naquele tempo (século XIX), o racismo era muito forte e as declarações de Ellen White tiveram grande impacto neste aspecto; alimentando suposições, insinuações  e diversas outras declarações sobre os  negros  serem indivíduos resultantes de cruzamentos entre homem e animal. Naquele cenário, podemos dizer que, com base no Darwinismo o racismo ganhou um “status científico” e com tais escritos de Ellen White, um “apoio divino”.

Qualquer um dos nossos queridos leitores que desejar pesquisar mais a respeito da “Eugenia” vai entender como tudo se encaixa: Descobrirá como era o pensamento daquele tempo sobre isso, dentro do cenário cultural que serviu de base, marcando o início da carreira de EGW como escritora. Também entenderá os motivos que levaram esta Senhora a publicar declarações contra os casamentos inter-raciais (abordaremos esse tema em um artigo específico).
Agora convidamos o amigo leitor para uma pequena viagem ao passado: Faremos um breve resumo, para que todos possam entender de modo geral, o cenário que marcou boa parte da vida de EGW, acompanhe conosco (grifos nossos):
O inicio: 


O Cristianismo implantou na sociedade ocidental a prática de ajuda aos pobres e aos menos afortunados, enfatizando isso como sinal de santidade na vida dos cristãos. Assim, os hospitais e as casas de caridade que atendiam os pobres, deficientes, doentes e necessitados começaram a proliferar desde o início da Idade Média.

No final deste período (idade média), devido ao crescimento do poder absolutista dos reis, o estado passou a assumir os cuidados que a Igreja tinha pelos pobres. Isto foi notório na Inglaterra, especialmente devido ao advento do Anglicanismo. Desta forma foi criado o assistencialismo estatal.

Igreja & caridade  X   Estado assistencialismo

No momento em que afastaram a Igreja do cuidado para com os necessitados (ou pelo menos limitaram seu campo de ação) o Estado perdeu o sustentáculo moral exercido pela sociedade religiosa, fazendo com que uma grande quantidade de pobres e inválidos começasse a incomodar as elites européias (pois o peso financeiro deles logo foi sentido pelo Estado). Então, os necessitados passaram a serem vistos como um empecilho ao avanço da civilização e obstáculo para a prosperidade.
Um livro popular, “The Seven Curses of London (As sete maldições de Londres), de 1869, dizia: 
“Aquelas pestes masculinas e femininas de toda comunidade civilizada, cuja aparência natural é suja, cujas testas suam à simples idéia declarada de ganhar o seu pão, e aqueles que chafurdam na imprudência, aos farrapos”.

Outro livro, intitulado “A Guerra Contra os Fracos de Edwin Black, também declara:    
“As complexas instituições de custódia patrocinadas pelo estado se ampliaram através de um distante horizonte. Com o tempo, a proliferação de asilos para pobres, hospícios, orfanatos, clínicas de saúde, colônias de epilépticos, abrigos para desalojados e débeis mentais e prisões, transformou inevitavelmente a básica caridade cristã no que começou a ser visto como uma praga social”.

Em 1789, o economista Thomas Malthus chegou a defender a tese que, em muitas instâncias, a assistência caritativa promovia a pobreza de geração a geração e simplesmente não tinha sentido no processo natural do progresso humano.  


Na segunda metade do século XIX surge Herbert Spencer, um filósofo inglês que criou a idéia sobre o “Darwinismo social”, alegando que “o homem e a sociedade evoluíam de acordo com a natureza que herdaram. Ele criou o conceito de “sobrevivência do mais capaz”, alegando que os mais capazes continuariam a aperfeiçoar a humanidade, e os menos capazes, por sua vez, ficariam gradativamente mais incapazes e ignorantes.


Spencer, dizia dos incapazes:
”Todo o esforço da natureza é para se livrar desses e criar espaço para os melhores... Se eles não são suficientemente completos para viver, morrem, e é melhor que morram... Toda imperfeição deve desaparecer”. 
(Spencer, Herbert, Social Statics, Fund. Robert Schalkenback, 1970, p. 58-60, 289-290, 339-340, apud Black, Edwin, obra citada, p. 54.)
Ligando os pontos, segundo o próprio Darwin, sua teoria “É a Doutrina de Malthus aplicada com força múltipla ao reino vegetal e animal (Darwin, The Origin of the Species, cap. 3, apud Black, Edwin, obra cit., p. 54.) Assim nasceu o Darwinismo social: Da junção das idéias de Malthus, Darwin e Spencer. O Darwinismo social serviria então, como uma espécie de “base filosófica” para a futura Eugenia.
A Eugenia por sua vez surgiria a partir das idéias de Francis Galton, primo do próprio Darwin, que ficou empolgado com o trabalho de seu parente. A Eugenia brotava como uma nova disciplina, baseada na “Genética Mendeliana” e na teoria da evolução das espécies de Darwin, propondo a melhoria genética da raça humana sob a tutela das autoridades científicas, acelerando assim o papel da natureza.

Ele lançou as bases da Eugenia após publicar o livro “Hereditary Genius” (Gênios hereditários), no qual defendia que Talento e capacidade são heranças genéticas”. Como prova disto, usava o argumento de que as melhores famílias inglesas produziam os cidadãos mais destacados e se incluía no próprio exemplo, clamando seu parentesco com Charles Darwin. O que de fato hoje se consideraria como condição privilegiada de certas classes sociais foi considerado como aptidão natural por Galton. 
O primo de Darwin postulava que a condição genética humana seria fundamental para melhoria das próximas gerações e inventou uma esquisita matemática Eugenista, onde tentava classificar as pessoas de acordo com a sua excelência genética. De acordo com Galton, as pessoas de “sangue ruim”, ou seja, geneticamente inferiores, só eram capazes de piorar as características genéticas de seus descendentes, não importando a qualidade do cônjuge do ponto de vista genético ou, em termos mais prosaicos, se tivesse o “sangue bom” (descobriu agora de onde vem essa expressão?). Dai inferiu um dos princípios dessa matemática bizarra que postula o seguinte: 
SANGUE BOM + SANGUE RUIM = SANGUE RUIM 

SANGUE BOM + SANGUE BOM = SANGUE MELHOR 

SANGUE RUIM + SANGUE RUIM = SANGUE PÉSSIMO 
Galton então batizou a recém criada pseudociência de Eugenia (do grego, bem nascer).
Ao chegar a estas conclusões, Galton passou a desejar que o Estado controlasse os casamentos, só o permitindo àquelas pessoas consideradas superiores. Eis então a Eugenia positiva, ou seja, a melhoria da raça através da união de pessoas consideradas geneticamente superiores. Não obstante Galton dizia: 

“O que a Natureza faz de forma cega, lenta e impiedosa o homem deve fazer de modo previdente, rápido e bondoso”.
Além disso, Galton se mostrava claramente contra a reprodução dos “degenerados”: "Nenhum progresso ou intervenção social poderia ajudar o incapacitado” (Black, ob. cit. pág. 63). E inclusos entre os degenerados, estavam os criminosos contumazes, os irremediavelmente pobres, os deficientes físicos e mentais, os epilépticos e todas as pessoas que eram tidas como “um peso para a sociedade”.



Porém, ao constatar que a Eugenia carecia de base científica, Galton quis fazer dela uma religião:
Incapaz de atingir a certeza científica necessária para criar uma moldura Eugenista legal na Grã-Bretanha, Galton esperava recriar a eugenia como uma doutrina religiosa que governasse os casamentos, uma crença que pudesse ser aceita pela fé, sem nenhuma prova. O casamento eugenista deveria ser estritamente imposto como um dever religioso, como a lei do levirato (Levitas Bíblicos) jamais o foi, escreveu Galton num longo ensaio, que listava tais precedentes entre os judeus, os cristãos e mesmo entre certa tradições primitivas. Ele saudou entusiasticamente a idéia de uma religião: ‘É fácil deixar a imaginação correr solta na suposição de uma aceitação convicta da eugenia como uma religião nacional”.
(De Galton para Bateson, 8 setembro 1904. Index To Achievements of Near Kinsfolk Índice para realizações dos parentes próximos, documentos de Galton, University College London 245/3, apud Edwin Black, ob. cit. p. 78).
Logo as idéias de Galton começaram a ganhar força entre os americanos, principalmente entre os racistas, que divisaram que a aplicação mais prática da eugenia seria a Eugenia Negativa. 

Se a eugenia positiva pretendia a melhoria dos indivíduos de “sangue bom” através do controle dos casamentos (idéia que se mostrou inviável na prática, por motivos óbvios), a Eugenia negativa defendia que os indivíduos de “sangue bom” deveriam ser protegidos através da eliminação dos indivíduos de “sangue ruim, ou supostamente “inferiores geneticamente”. 
A Eugenia positiva levou invariavelmente à eugenia negativa: As futuras gerações dos geneticamente incapazes – do enfermo ao “racialmente indesejado” e ao economicamente empobrecido – deveriam ser eliminadas. 


Por mais surpreendente que possa parecer, os EUA aplicaram legalmente e ilegalmente expedientes eugenistas. Dentre os quais destacamos:


Segregação dos incapazes;
Deportação dos imigrantes indesejados;
Castração de criminosos e deficientes mentais;
Esterilização compulsória;
Proibição de casamentos;
Eutanásia passiva;
Extermínio. (Não foi aplicada, mas muitos eugenistas defenderam o uso da câmara de gás).                                         

A Eugenia negativa teve grande penetração na sociedade americana por alguns fatores característicos e singulares:
1 - Em primeiro lugar, diferentemente da colonização espanhola e portuguesa, os americanos isolaram as grandes levas de imigrantes que chegavam ao longo do tempo em grupos étnicos e guetos, com isso, evitavam a miscigenação. Eles foram influenciados principalmente pela mentalidade puritana dos primeiros colonos, que acreditavam ser o novo povo eleito e a América a Nova Terra Prometida.
2 - Em segundo, a criminologia americana do final do século XIX começou a considerar a criminalidade como um fenômeno de grupo e características criminosas como herdadas: A criminologia levou o ódio racial e étnico para a esfera da hereditariedade. Nos últimos anos do século XIX, o crime foi sendo considerado progressivamente um fenômeno de grupo e, de fato, um traço familiar herdado. Os criminologistas e os cientistas sociais acreditavam amplamente no “tipo criminoso”, então identificado pelos “olhos com aparência de uma conta” e por certas formas frenológicas. A noção de “criminoso natural” se tornou popular.
3 – E em terceiro lugar devido ao surgimento de teorias sociológicas sobre famílias de degenerados e suas implicações hereditárias. Em 1874, Richard Dugdale, da Associação de Prisões de Nova York, entrevistou prisioneiros do condado de Ulster e descobriu que muitos deles eram parentes. Isto o levou a estudos que culminaram na publicação, em 1877, do livro “The Jukes, a Study in Crime, Pauperism, Disease and Hereditariety (Os Jukes, um estudo sobre o crime, pauperismo, doença e hereditariedade). Nele havia um calculo sobre o aumento progressivo do custo social anual, inclusive o da previdência social, de prisões e de outros serviços sociais para cada família. O texto imediatamente exerceu ampla influência sobre cientistas sociais nos Estados Unidos e em todo mundo (Edwin Black, ob. cit., p. 72). 
Ainda associado aos fatores acima numerados; em 1898 o pastor Oscar McCullon de Indianápolis apresentou um documento chamado “Tribe of Ishmael, a Study of Social Degeneration” (A tribo de Ismael, um estudo sobre a degeneração social) na 15ª Conferência Nacional de Caridade americana, que descrevia famílias indigentes nômades de Indianápolis, todas descendentes de um mesmo ancestral da década de 1790. Os indigentes não possuíam valor inerente para o mundo” argumentava ele, e somente procriariam gerações sucedâneas de indigentes – e tudo “porque um ancestral remoto abandonou sua vida independente e auto-suficiente, e começou uma vida parasitária e miserável” (Diane B. Paul. Controlling Human Hereditariety - Controlando a hereditariedade humana, Humanities Press International Inc., 1995, p. 44, apud Edwin Black, obra citada, p.73)
 E muitos outros livros se seguiram a estes, como “Smokeys Pilgrims”, “Jackson Whites”, “Hill Folks”, etc., ajudando a eugenia a pavimentar seu caminho nos EUA, em meio ao preconceito e ao racismo. Os eugenistas americanos acabaram por incorporar o racismo às suas teorias genéticas e a considerar os povos germânicos como superiores (saxões - arianos). Importantes líderes eugenistas americanos como, por exemplo, Lethrop Stoddard, lamentavam a imigração de raças mediterrâneas para os EUA que excediam o número de povos nórdicos, para eles os mais desejáveis:
Nos EUA... No final do século XIX, nosso país, originalmente povoado quase exclusivamente por nórdicos, foi invadido por hordas de imigrantes dos Alpes e do Mediterrâneo, sem mencionar os elementos asiáticos, como os levantinos e os judeus. Como resultado o americano nativo nórdico tem sido comprimido, com uma espantosa rapidez, por esses prolíficos e infestados alienígenas e, e depois de duas curtas gerações, está quase extinto em muitas de nossas áreas urbanas(...) Quando a ascendência dos pais é muito diversa como no cruzamento entre brancos, negros e ameríndios, o descendente é um mestiço, um cão vira-lata – um caos sobre duas pernas, tão consumido por sua ascendência dissonante que não passa de um imprestável (Lethrop Stoddard, The Rising Tide of the Color Against the White World Supremacy  A onda crescente da cor contra a supremacia do mundo branco, Charles Scribner’s Sons, 1926, p. 165-167, apud Edwin Black, ob. cit. p. 80-81). 
Para eles, a miscigenação significava o suicídio da raça. O próprio Edwin Black admite que tais idéias não eram difundidas em meios incultos e entre pessoas grosseiras, muito pelo contrário. As doutrinas da pureza e da supremacia raciais defendidas pelos eugenistas pioneiros não eram resultado de divagações desconexas de homens ignorantes e primitivos. Eram os ideais muito bem elaborados de algumas das figuras públicas mais cultas e respeitadas da nação, cada uma delas um especialista em seu campo científico ou cultural, cada uma delas reverenciada pela sua erudição (Edwin Black, ob. cit., p. 82. ). Portanto, era a elite americana que defendia e queria a implantação das idéias eugenistas.
A eugenia desde cedo, se ocupou em estudar métodos para eliminar o “germe plasma defeituoso”. Este termo foi criado pelo Zoólogo Charles Davenport, que é considerado figura de maior importância no movimento eugenista e o maior especialista em eugenia dos EUA. Davenport era um racista virulento, filho de um pastor protestante muito rigoroso. Davenport queria compor uma super raça de nórdicos: “Podemos construir uma muralha bem alta em torno deste país... para manter de fora essas raças inferiores”. (Carta de Charles B. Davenport para Madison Grant, 3 de maio de 1920, APS, B-D27, Grant, Madison, n. 3, apud Edwin Black, ob. cit., p.p. 92-93). 
Segundo Edwin Black, Davenport defendia que: será melhor exportar a raça negra imediatamente” (Edwin Black, ob. cit. p. 93). Em 1903, não tendo conseguido de início apoio junto à comunidade científica americana, Davenport e os líderes do movimento eugenista americano foram buscar apoio junto a associações de pecuaristas e de criadores de animais. Davenport propunha abertamente a aplicação da “Higiene Racial”, ou seja, “eliminar o inadequado e o incapaz, por meio da eugenia negativa”. Em 1904, Davenport consegue o importante apoio do Carnegie Institute para a criação do Eugenics Register Office (Escritório de Registro Eugenista  ERO) em Cold Spring Harbor, cujo objetivo era traçar a genealogia e identidade racial dos americanos. Curiosamente, Cold Spring Harbor, hoje, é o quartel general da pesquisa do Genoma Humano. Tal centro de pesquisa, aliás, foi fundado entre as décadas de 40 e 50 por um ardente eugenista. Os primeiros passos práticos da eugenia nos EUA, após os levantamentos estatísticos do ERO, foram no sentido de promover a legislação para esterilização dos incapazes.
Cronologia da legalização da aplicação da Eugenia nos EUA:
1890: O Dr. F. Hoyt Pilcher do Kansas Home for the Feebleminded (Lar para deficientes mentais do Kansas) esterilizou ilegalmente a 58 crianças e teve o apoio do conselho diretor da instituição.
1899: O Dr. Harry Clay Sharp, médico do Indiana Reformatory fazia castrações ilegais para combater o hábito do auto-erotismo, defendia e praticava a esterilização dos criminosos. Dizia Sharp: Fazemos escolhas dos melhores carneiros para cruzar nos nossos rebanhos... mantemos os melhores cachorros... o quão cuidadosos não deveríamos ser, quando se trata de procriar crianças! (Dr. Harry C. Sharp, The Severing of the Vasa Deferentia and its Relation to the Neuropsychopathic Constitution, New York Medical Journal, 8 de março de 1902, p. 413, apud Edwin Black, ob. cit., p.p. 128-129).
1906: O deputado Horace Reed, de Indiana, introduz a lei de Sharp: “Ato de Prevenção da Imbecilidade”. Tal lei ordenava que se os curadores ou cirurgiões que cuidavam de crianças deficientes mentais determinassem que a “procriação não era aconselhável”, o cirurgião poderia então “realizar esta operação para prevenção da procriação... Indiana foi de fato o primeiro estado a ter lei de esterilização compulsória para pacientes mentalmente deficientes, moradores de asilos, de pobres e prisioneiros (Edwin Black, ob. cit., p. 133).
1909: Leis de esterilização eugenistas em Washington contra criminosos contumazes e estupradores; em Connecticut, aplicação de vasectomia e de ovariectomia em deficientes e doentes mentais; na Califórnia, que permitia a castração e a esterilização de prisioneiros e de deficientes mentais. Em Nevada, aplicada a criminosos contumazes; em Iowa, aplicada em criminosos, idiotas, deficientes mentais, imbecis, ébrios, drogados, epilépticos, além dos pervertidos morais e sexuais.
1911: Legislação de Nova Jersey contra deficientes mentais, epilépticos e outros deficientes. Esta lei foi assinada pelo então governador de Nova Jersey, Woodrow Wilson, futuro presidente americano e fundador da Liga das Nações.
E assim, vários estados americanos criaram e aprovaram leis de esterilização eugenistas, até que, em 1924, a suprema corte americana abre precedentes para a esterilização coercitiva por uma decisão do Juiz Oliver Wendell Holmes. A partir de então a esterilização legal do incapaz passa a ser aceita quase que como uma lei federal, lembrando bastante o que aconteceu no famoso caso "Roe x Wade" que implantou o aborto sob demanda nos Estados Unidos, a partir da década de 70.
O impacto de tal precedente foi enorme. Entre 1907 e 1940, 35.837 pessoas foram legalmente submetidas à esterilização forçada nos EUA. Quase 30.000 após a decisão do Juiz Holmes. E as esterilizações forçadas aconteceram durante muitos anos mesmo após a queda da popularidade da Eugenia. No total foram cerca de 70.000 pessoas esterilizadas coercivamente (em números oficiais).
Dezenas de milhares de americanos continuaram a ser coercivamente esterilizados, internados e legalmente impedidos de casar, com base em leis raciais e eugenistas. Durante a década de 40, cerca de 15.000 foram esterilizados coercivamente, quase um terço deles na Califórnia. Na década de 50, foram cerca de 10.000. Nos anos 60, milhares ainda. No cômputo geral, cerca de 70.000 americanos foram eugenicamente esterilizados nas primeiras cinco décadas do século XX; a maioria era de mulheres. A Califórnia manteve continuamente um índice bem maior que os outros estados.
As leis de esterilização eugenistas foram adotadas por quase metade dos estados americanos, sendo a liberal Califórnia a que fez mais esterilizações forçadas. Com o aumento do prestígio, os eugenistas passaram a ocupar os departamentos de biologia, zoologia, ciência social, psicologia e antropologia das instituições de ensino americanas. Houve inclusive cursos exclusivos de eugenia. A eugenia conseguiu então uma forte penetração nos ambientes acadêmicos de Harvard, Princeton, Yale, Northwestern University, Berkeley e outras grandes instituições americanas.
"O ensino da eugenia acabou por atingir o curso secundário nos EUA, onde se fazia propaganda de idéias racistas dignas do Nazismo alemão”. (Edwin Black, ob. cit., p.p. 146-147). 
O psicólogo Carl C. Brigham, de Princeton, um ativista eugenista, escreveu um livro onde expôs suas teses racistas intitulado “A Study of American Intelligence” (Um estudo sobre a inteligência americana), publicado pela Princeton Press em 1922. Ele fundamentou seu estudo “científico” em dois livros notoriamente racistas: “The Passing of the Great Race” (O fim da grande raça) de Madison Grant, e “Races of Europe”, de William Ripley.


E não pense que Brigham foi desprezado ou ridicularizado por suas idéias racistas. Muito pelo contrário, seu trabalho foi examinado por uma equipe de eminentes cientistas do gabinete do Diretor Nacional de Saúde e das universidades de Harvard, Princeton e Syracuse. 
De acordo com Brigham, neste seu livro, a inteligência do negro estava predestinada pela  hereditariedade e não podia ser melhorada pelo “acréscimo maior de mistura de sangue branco. Ele disse ainda: Os resultados que obtivemos, interpretando as informações que vieram do Exército... sustentam a tese do Sr. Madison Grant sobre a superioridade do grupo nórdico...”
Assim, vimos como a pseudociência da Eugenia nasceu na Inglaterra e se desenvolveu nos Estados Unidos, formando, dentro do berço liberal da democracia americana, as idéias e as práticas eugênicas que depois mais tarde assustariam o mundo, praticados pela Alemanha Nazista. Auschwitz tem sua gênese bem mais distante e distinta da Berlim da década de 30 e pode ser facilmente identificada em Cold Spring Harbor, EUA, no início do século XX.
Voltando às declarações da Srª White:
No ano de 1868, o Sr. Uriah Smith, um importante dirigente adventista, publicou um livro em defesa de Ellen White sobre esse tema. Neste livro o Sr. Smith argumentava que certas raças indígenas como os bosquímanos da África e certos tipos de índios caçadores, poderiam ser “amalgamados”, ou seja, resultantes do cruzamento entre homens e animais.


 Também o Sr. D. E. Robinson, que por muitos anos foi secretário pessoal de Ellen White, argumentou ainda que as declarações do “amálgama” ajudavam a resolver alguns dos problemas no conflito entre ciência e religião, tais como a forma e a variedade de animais produzida no breve período permitido pela cronologia bíblica. 
Ainda segundo Robinson; a “amálgama” de  EGW ainda resolveria o problema da anatomia comparativa: "A declaração da Sra. White, se aceita, resolverá problemas relacionados com a semelhança física bem próxima entre homem e alguns dos símios, havendo entre estes e os macacos de rabo diferença estrutural maior do que entre eles e o homem. Qualquer um que observar o chimpanzé, o gorila, ou o orangotango não achará difícil crer que procederam de algum ancestral comum com a raça humana."
A Sra. White não fez nenhuma declaração a respeito do livro de Smith e o seu marido Tiago White revisou o tal livro e junto com ela, até distribuíram exemplares do livro em suas reuniões.
Ellen White nunca; repetindo, nunca desmentiu o livro do Sr. Uriah Smith, também nunca declarou nada, nem escreveu uma vírgula sequer sobre isso, não dando qualquer tipo de explicação sobre a polêmica. Ao invés disso, ela preferiu ficar quieta, em silêncio, só assistindo o “circo pegar fogo”. 

Índios africanos estavam sendo taxados de amalgamados e os próprios negros civilizados estavam sendo alvo de insinuações sobre serem criaturas resultantes do amálgama, algo contra-Deus e a Sra. White não moveu “uma palha” sequer, para esclarecer ou mesmo defender essas pobres pessoas naquele momento!
O mais absurdo nisso tudo é a igreja adventista que defende até hoje a interpretação de que a tal maldita mistura (amálgama) da qual Ellen White se referia, era mistura separada de homem com homem e de besta com besta (humanos com humanos, animais com animais). Só que essa  interpretação sobre misturas separadas, sendo uma, amálgama entre humanos e outra, amálgama entre animais, foi a teoria mais cômoda e mais aceita pelo “povão” da igreja na época. Mas o interessante nessa história é que quem a sugeriu foi o Sr. George McCready Prince (1931) e depois aceita e endossada pelo biólogo Dr Marsh ambos; adivinhem de qual igreja mesmo? Adventista e adventistas “bago roxo”. Mais tarde foi apoiada por mais alguns “figurões” adventistas, entre eles Dr. F. Nichol; o qual escreveu o livro: “Ellen White e os críticos”.
Na edição de “The Ministry” (uma das principais publicações adventistas da época) de abril de 1931, George McCready Price, o mais destacado oponente da Teoria da evolução na igreja, propôs que se realizasse digamos; uma “ligeira alteração” (como chamaríamos isso no popular mesmo?) na linguagem das declarações de Ellen White: O “acréscimo” de uma simples palavra entre colchetes, que poderia reconciliá-las com a ciência e remover todas as dificuldades associadas às controvérsias. Disse o Sr. espertalhão McCready Prince:
"Sem tentar lidar com todas as interessantes declarações nesta passagem, posso permitir-me dizer algumas palavras sobre a última parte, que julgo ser a porção mais tendente a incompreensões. Permitam-me reescrever uma palavra entre colchetes, e penso que a suposta dificuldade desaparecerá quase por encanto: Desde o dilúvio, tem havido amálgama de homem e [de] besta, como pode ser visto em quase infinitas variedades de espécies de animais, e em certas raças de homens”.
Perceberam amigos leitores? Como desde os tempos antigos, seguidores/defensores/devotos de Ellen White, já criavam argumentos mirabolantes na tentativa de “salvar a pele” dela. Até mesmo acrescentar palavras nos “escritos inspirados” era válido; tudo pela grana instituição... Ou seria pelo orgulho de não aceitar que estavam seguindo algo errado e tremendamente absurdo?
Mais tarde, dois biólogos (adivinhem) adventistas, debateram sobre o entendimento desses escritos de Ellen White. Foi numa reunião, em setembro de 1947 e participaram da tal assembléia, quinze dos mais importantes (Cientistas, especialistas, PHD’s no assunto? Errou de novo) quinze líderes eclesiásticos da IASD (novidade). Tais líderes queriam ouvir a posição dos dois biólogos, que eram digamos, “opostas”.
O Dr. Frank L. Marsh defendia o entendimento de misturas separadas; (conforme Prince) mas o Dr. Harold W. Clark afirmava que realmente, a Sra. White falava de cruzamento de seres humanos com animais. Mesmo depois de muitas horas apresentando as posições, argumentações, perguntas e respostas, não se chegou a um consenso pleno na questão. Por uma questão óbvia (tudo menos honestidade), a igreja adventista optou pela posição do Dr. Marsh.

Agora porque realmente aceitaram a posição do Dr. Marsh? É obvio; se aceitassem que a Sra. White se referia sim, a amálgama de homem com animal, teriam um grande problema:
Quais seriam essas tais raças amalgamadas de homem com animal, que a “profetisa” afirmou que se podia ver com os próprios olhos?  Quem eram as infelizes criaturas? E depois que fossem vistas, como provar que eram realmente uma “mistura/cruzamento” com animais?




Assim, entre as duas opções, os nossos queridos amigos da “única igreja verdadeira na terra” optaram por ficar com a posição mais cômoda. Vale lembrar que até hoje... Isso mesmo, até hoje; é a única explicação que a liderança ASD consegue apresentar, para quem perguntar sobre o assunto. Quem assim desejar, pode confirmar tudo no centro White de pesquisa localizado neste endereço aqui:  http://www.centrowhite.org.br 

Mas não é somente esta desculpa esfarrapada versão que é aceita pela “massa do sétimo dia”. Outra teoria defendida pelos adventistas era de que Ellen White não estava se referindo nem a gente, nem a bicho, mas sim – pasmem - a mistura de pessoas de diferentes crenças. Até arranjaram uma passagem Bíblica para justificar mais este disparate; ela se encontra no livro de Gênesis; nela se lê:
 “E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o SENHOR: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos. Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama. E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.” (Gên. 6:1-5)
Eles abraçaram este texto, pois Ellen White defendia a interpretação de que os “filhos de Deus” eram os descendentes de Set e que os “filhos dos homens” eram os descendentes de Caim. Existem até mesmo alguns líderes ASD que dizem que EGW falava dessa passagem da Bíblia, quando escreveu os parágrafos sobre a amálgama. Mas sinceramente amigo leitor; era realmente isso que ela queria dizer?
As tais declarações falavam sim, de uma amalgamação entre homens e animais? Ou seriam duas misturas separadas? Ou se tratavam ainda de misturas entre pessoas de crenças diferentes (crentes e ímpios)? Convidamos todos agora a analisarem minuciosamente; com o máximo de atenção os tais escritos ( pedimos especial atenção aos grifos e destaques):
"Mas se há um pecado acima de todo outro que atraiu a destruição da raça pelo dilúvio, foi o aviltante crime de amálgama de homem e besta que deturpou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte. Era propósito de Deus destruir por um dilúvio aquela poderosa e longeva raça que havia corrompido seus caminhos diante do Senhor."
"Toda espécie de animal que Deus criou foi preservada na arca. As espécies confusas que Deus não criara, resultantes da amálgama, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio, tem havido amálgama de homem e besta como pode ser visto nas quase infindáveis variedades de espécies animais e em certas raças de homens.”
Prezados e digníssimos leitores; analisem conosco; os grifos e os destaques foram colocados exatamente para ajudar nesse sentido (até mesmo àqueles que têm o raciocínio mais lento).
Ellen White citou em seqüência (repetindo até algumas palavras):


1 - Raça,












2 - Imagem de Deus,











3 - Espécie,











4 - Espécies confusas,










5 - Variedades de espécies,











6 – Espécies que poderiam ser vistas.







Não há como negar; ela está se referindo às características físicas! Nem Biólogos ASD nem pastor empresário nenhum; esses termos não têm nenhuma relação com “pessoas ímpias e pessoas crentes”. Notem que também se referem exclusivamente a variedades de espécies de animais. Haveriam por acaso animais ímpios e crentes? O que vocês acham?






Os indicadores apontam que ela quis transmitir sim, que as pessoas de “certa aparência” não são criação de Deus; porém um cruzamento de homens e animais.




Além disso, estimado leitor, quem quiser pode ler com os próprios olhos o livro original “The Spirit of Profhecy vol 1, desde a pg. 65 (em inglês, use um bom tradutor) e verá que a Sra. White já havia citado o pecado sobre mistura de raças de crentes (de Set) e ímpios (de Caim), antes dela citar o tal “crime terrível” do amálgama. Isso foi citado depois, no outro capítulo.


Ah, mas tem aquela velha conversa de sempre: O tal do contexto! Contexto, com “X”;  segundo nossos irmãozinhos ASD; nós Ex-adventistas somos especialistas em tirar uma coisa da outra não é mesmo? Então vamos lá; o contexto: Quem quiser pode ler o capítulo inteiro; porém destacaremos aqui o suficiente para que ninguém venha com a conversa de que estamos tirando partes de textos isolados para justificar as coisas (a parte de cor diferente é a anterior ao dá amálgama):
“...realizaram seus próprios desejos ilícitos. Eles tinham uma pluralidade de esposas, que era contrário aos sábios arranjos de Deus. No começo, Deus deu a Adão uma esposa mostrando a todos como deviam viver sobre a terra, sua ordem e lei no que diz respeito. A transgressão e queda de Adão e Eva trouxe miséria e o pecado sobre a raça humana, e o homem seguiu seus próprios desejos carnais, indo contra os desígnios de Deus. Quanto mais multiplicavam esposas para si, mais eles aumentavam em maldade e infelicidade. Se alguém escolheu tomar as esposas, ou gado, ou qualquer coisa pertencente ao seu próximo, não considerou ele a justiça ou o que era direito, mas se ele poderia prevalecer do pecado ao seu próximo. Por motivo de força, ou colocando-o a morte, ele fez isso, e exultou em seus atos de violência. Eles gostavam de destruir a vida dos animais. Usavam esses como alimento e isso aumentou sua ferocidade e violência e os fez olhar para o sangue do ser humano com indiferença surpreendente.   Mas se há um pecado acima de todo outro que atraiu a destruição da raça pelo dilúvio, foi o aviltante crime de amálgama de homem e besta que deturpou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte. Era propósito de Deus destruir por um dilúvio aquela poderosa e longeva raça que havia corrompido seus caminhos diante do Senhor."   The Spirit of Prophecy, vol. 1, páginas 68 - 69.
Lendo desde antes mesmo dos escritos acima, observa-se o cenário que ela descreve, começando com: Queda, pecado, idolatria, corrupção, desobediência e etc. Se o leitor percebeu, Ellen White apresentou em um primeiro momento, o homem caído, seguindo seus desejos carnais, tendo muitas esposas e naturalmente, procriando. Isso segundo EGW, aumentava a maldade e a infelicidade. O homem ficou então tão cheio de maldade que gostava de destruir os animais  e por comer a carne destes, ficou ainda mais feroz e mais violento, a ponto de matar com indiferença. (Só uma pequena pausa: Alguém já leu isso na Bíblia? Comer carne deixa o homem mais violento e feroz? Os Sacerdotes do templo então deviam ser um perigo...)
O leitor percebeu de qual assunto de fato esta senhora estava tratando aqui? Maldade, infelicidade, violência, ferocidade... E devido a quê? A pluralidade de esposas e a desejos carnais. Quanto mais esposas, mais maldade... E o agravante foi comer animais. Isso deixou o homem mais violento e feroz. Em meio a todo esse cenário: Ter muitas esposas, maldade, violência, desejos carnais, ferocidade, destruição, animais, indiferença, sangue e matanças, ela então cita o aviltante crime de mistura/cruzamento/cópula (amálgama) de homem e besta. 
Ela também afirmou categoricamente – de maneira inconfundível - que tal coisa “deturpou” a imagem de Deus e causou confusão por toda parte! Além de declarar que esse pecado estava acima de todos os outros e foi exatamente isso que mais pesou na balança quando o Criador decidiu destruir tudo com o dilúvio, em especial, “aquela poderosa raça corrupta”. Depois da análise minuciosa e criteriosa deste cenário, alguém ainda teria coragem de dizer que continua entendendo que ela se referia a mistura de pessoas de crenças diferentes?

Lamentamos informar aos nossos queridos irmãos adventistas, mas todas as evidencias apontam para o entendimento de que EGW quis ensinar que; depois do ser humano fazer o que fez em sua rebeldia, ele ainda foi mais longe: Devido aos seus ardentes “desejos carnais”; ele   acabou fazendo sexo com animais e isso gerou uma “raça diferente”. 
Não bastasse isso tudo; ela ainda foi mais longe em sua segunda citação: 
"Toda espécie de animal que Deus criou foi preservada na arca. As espécies confusas que Deus não criara, resultantes da amálgama, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio, tem havido amálgama de homem e besta como pode ser visto nas quase infindáveis variedades de espécies animais e em certas raças de homens.”
Spiritual Gifts, Vol. 3, pg. 75, 1864. (The Spirit of Prophecy, vol. 1, pag. 78).
Essa segunda declaração completa o sentido da primeira e arremata de vez mais esse “ensinamento inspirado” de EGW: O homem desobediente, malvado, feroz, infeliz, corrupto, adultero, devasso; seguindo seus infelizes e descontrolados desejos carnais, agora se torna adepto da zoofilia, chegando ao ponto de  provocar uma espécie de cruzamento entre as espécies, resultando em “criaturas confusas” que Deus não criou. Mesmo depois do dilúvio isso voltou a acontecer: Como ela mesma disse - Podia “ser visto” - em muitos animais e “certas raças” de homens, da época em que ela vivia...
Ellen White e a influencia da sociedade em sua época:
Estimados e nobres leitores, ao que tudo indica; Ellen G. White, fundadora do movimento adventista, foi grandemente influenciada pelas crenças predominantes em sua época... Se ainda restar alguma duvida a este respeito; por favor, leia novamente os relatos sobre a Eugenia - o pensamento dominante - justamente na época em que EGW começou a escrever. Também leia especialmente a parte que fala sobre os EUA aplicando esta forma de pensar até mesmo em suas leis. Mas se apesar de tudo ainda restar alguma dúvida; leia então mais este outro parágrafo escrito pelo próprio punho de EGW:
Todos devem considerar que não têm o direito de trazer à sua prole aquilo que a coloca em desvantagem; não tem o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitaria a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança para toda a vida. Por essa razão, caso não houvesse outras, não deveria haver casamentos entre brancos e negros.” - Manuscrito 7, 1896. 
Pelo bem da honestidade: Ainda resta alguma dúvida de que ela foi influenciada não por Deus, mas pela sociedade da época em que vivia?
Mas independente desses detalhes; outra fortíssima evidência – de que EGW foi influenciada a escrever tais coisas - também é o “Livro de Jasher, (Livro dos justos) um livro apócrifo que foi traduzido para o inglês em 1840. Observem que em Jasher 5:18  diz:

“E seus juízes e governantes iam às filhas dos homens, e pela força lhes tiravam as esposas aos maridos, segundo lhes parecia, e naqueles dias os filhos dos homens tomavam o gado da terra, as bestas do campo, e as aves do céu, e ensinavam a mescla de umas espécies de animais com outras...”  (grifos nossos).
Amigos leitores - especialmente nossos irmãos adventistas - não é notável, a semelhança dos relatos do livro de Jasher e da Sra. White?  Fica praticamente impossível não acreditar que Ellen White se baseou, além de outras obras, em Jasher 5:18 para relatar o “pecado acima dos outros”, que atraiu a destruição do ser humano pelo dilúvio e que na verdade a Bíblia sequer menciona.

Depois de todas as informações passadas; podemos concluir que fica muito, muito claramente e fortemente evidenciado, para não dizer provado, que a Sra. White se referia sim; a mistura (relações sexuais) de homem e animal, no sentido literal da palavra; e que isso não partiu de “inspiração divina” nenhuma; senão a da pressão cultural exercida em sua época.

Mesmo que as coisas sejam como alegam os líderes malabaristas adventistas, isso nunca impedirá a geração de diversas e diversas questões! Nós do Blog Ex-adventistas.com; estamos do lado de nosso irmão (ex-adventista) Dirk Anderson, que fez perguntas como essas:
1 - Como poderiam as relações sexuais entre parceiros humanos casados serem descritos  como “crimes aviltantes”? 
2 - Deus não honra o casamento, independentemente de serem ou não, ambos os parceiros  da mesma raça ou crença?
3 - Se casar com uma mulher ímpia  foi um “aviltante crime" digno da destruição da raça humana, porque a Bíblia nada diz a respeito sobre o casamento de Sansão com uma filistéia?
4 - Como poderiam os resultados de um cruzamento (ou casamento) entre pessoas de diferentes crenças, "serem vistos” em "certas raças de homens"? 
5 - Quais são as raças com visíveis evidências de fusão entre crentes e não crentes?
6 - Como poderia a união entre as diferentes espécies de animais, serem um “aviltante crime”?
7 - Os animais têm capacidade moral para cometer tal crime?
(Amalgamation - A denominational Embarrasment.- Dik Anderson) (A nuvem branca - Por Dirk Anderson-1999 1ª ed. 2001 2ª ed.) (www.ellenwhiteexposed.com/critica.htm )
Em sintonia com o Sr. Anderson, também levantamos algumas questões:
1 - Por que a Sra. White não se manifestou em relação ao livro do Sr. Smith? Se o Sr. Smith levantava a possibilidade de certos índios serem resultados de amálgama, mas se não era isso que a “mensageira” queria dizer, por que Ellen White não esclareceu isso? Por que ficou calada?  Pior ainda: Por que ajudou a distribuir exemplares dos tais livros?

2 - Se o amálgama foi um aviltante crime, o pecado acima de qualquer outro, que gerou espécies confusas não criadas por deus e que podiam ser vistas em certas raças de homens, qual ou quais raças eram (ou são) essas do tempo de EGW? (Ela mesma afirmou que podia ver isso em certas raças!)

3 - Podemos crer então que este “terrível pecado acima de todo outro” é a mistura de pessoas crentes com ímpias? Então uma pessoa católica não pode se casar com uma sem religião? Ou Batista (ou adventista) não pode se casar com ateu? É isso? E quem são os “Crentes ou tementes à Deus”? Qual religião?  Então Uma pessoa crente em Deus não deve  se casar com outra não crente em Deus, pois isso gera uma raça?  Ela falou que se podia ver, em certas raças de homens. Nós podemos “ver” a crença da pessoa em sua raça? (1º Cor. 7:13-17).
4 - Se ela realmente se referia a mistura de crenças, por que na segunda frase ela fala em variedades de espécies de animais e certas raças de homens? Então além de afirmar que misturando uma pessoa temente à Deus com uma ímpia, isso gera uma “raça”, nós também podemos ver as espécies de animais resultantes da mistura de um animal “crente” com um animal “ímpio”? 

5 - Se o amálgama (mistura de raças, classes ou crenças)  é um aviltante crime, e pecado acima de todo outro, por que esse grave pecado não foi citado no que os próprios adventistas chamam de lei moral? Casar pessoas de crenças diferentes ou raças diferentes é um pecado pior do que matar?


Mais tarde, os parágrafos do amálgama foram simplesmente omitidos de outras edições, o que acabou gerando outra pergunta: Como que algo “inspirado” por Deus é publicado e depois é omitido? Depois de 1871, os escritos sobre o amálgama foram retirados de edições posteriores e pelo visto havia pessoas que queriam explicações, pois o filho de Ellen White, W.C. White, relatou:

 Quanto aos dois parágrafos que se encontram em Spiritual Gifts e também em Spirit of Prophecy, relativamente ao amálgama e à razão por que foram omitidos dos livros posteriores, e à questão de quem assumiu a responsabilidade de omiti-los, posso falar com perfeita clareza e convicção. Eles foram omitidos por Ellen G. White...  A Sra. White não só tinha bom juízo baseado numa compreensão clara e abarcante das condições e as conseqüências naturais de publicar o que escrevia, como muitas vezes recebia instruções diretas do anjo do Senhor em relação com o que devia ser omitido ou acrescentado nas novas edições." Mensagens escolhidas vol. 3 pg. 452.
E lá vêm mais perguntas de novo: Se foi assim como o próprio filho de EGW disse; o que aconteceu para que se chegasse a esse ponto? Aquelas declarações seriam um “erro de inspiração divina”? Será que o “anjo particular” de Ellen White, fez trapalhada? Ou foi o próprio Deus quem fez e depois mandou o tal anjo dizer a Ellen White que "o download do arquivo sobre a amálgama veio com vírus"? Chega ser hilariante, mas é exatamente isso que EGW dá a entender...
Não vamos nunca deixar de repetir; foi à própria Ellen White que afirmou o seguinte:
"Nessas cartas que escrevo, nos testemunhos que dou, estou vos apresentando aquilo que o Senhor me tem apresentado. Não escrevo nenhum artigo, expressando meramente minhas próprias idéias. Eles são o que Deus me tem exposto em visão - os preciosos raios de luz brilhando do trono." Testimonies, vol. 5, pág. 67.
“Tenho escrito muitos livros e tem-lhes sido dada ampla circulação. De mim mesma eu não poderia haver salientado a verdade contida nesses livros, mas o Senhor tem-me dado o auxílio de Seu Santo Espírito. Esses livros, transmitindo as instruções a mim dadas pelo Senhor durante os sessenta anos passados, contêm esclarecimentos do Céu, e resistirão à prova da investigação.” Mensagens escolhidas vol. I pg. 35.
Tomando por base as declarações acima, inevitavelmente também surgem mais outras perguntas: As declarações sobre a amálgama foram válidas como inspiradas ou não? Seriam válidas só para as pessoas da época de sua publicação? Seriam realmente “resistentes a investigação” como por exemplo, essa que fizemos neste artigo? A verdade é que tais perguntas tiveram o mesmo destino das outras: Nunca foram respondidas de modo satisfatório; nem mesmo pelo Centro White de pesquisa...
Queridos leitores; respeitamos outras posições e opiniões que sejam contrárias a que expressamos no corpo deste artigo. Ao contrário de alguns, nós do site Ex-adventistas.com; nunca nos julgamos “donos da verdade”. Apresentamos o ponto de vista com bases sólidas; com argumentação coerente e acima de tudo; após criteriosa análise. Mais uma vez repetimos: Todas as evidencias demonstram que a escritora EGW foi influenciada pela crença de sua época, o Darwinismo, o livro de Jasher e outros.
Somado a todos estes fatores (e devido exclusivamente a eles), concebeu um entendimento equivocado sobre algumas passagens Bíblicas; sem analisá-las em seus devidos contextos históricos. Realmente ela criou uma enorme “amálgama”; uma grande e confusa mistura... Infelizmente (ou felizmente, depende de quem esta lendo), escreveu algo que acabou colocando-a numa tremenda “saia justa”. 


Como as perguntas não paravam de aparecer e cada vez ficava mais incapaz de responde-las, Ellen White, bem como seus “empresários e patrocinadores” não tiveram outra saída: Omitiram as declarações e não tocaram mais no assunto. O silêncio foi sua melhor resposta.

Como disse Gordon Shigley:
“Por anos a comunidade adventista presumiu que a Sra. White cria que parte da queda do homem envolveu união sexual de homem com animal e defendeu seus pontos de vista como científicos. Depois de 1947, a posição prevalecente mudou e prosseguiu assim por 35 anos. Incapaz de conciliar a mais óbvia leitura das declarações de Ellen White com a ciência, e com um compromisso para com a igualdade genética entre as raças, a Igreja aceitou a engenhosa interpretação de Marsh sobre o que Ellen White quisera dizer. Pode ser que a presente geração de adventistas concorde com as gerações anteriores de adventistas em que - pelo menos numa ocasião - Ellen White realmente creu que amálgama de homem com besta teve lugar, mas não aceitará essa posição como cientificamente abalizada hoje.”


Nós porém, continuaremos de olhos bem abertos... 

E que o Altíssimo tenha Misericórdia de todos nós.





Trabalho em parceria:  

Editor & Décio – Um Aprendiz de Cristão.
Fontes complementares:
Gordon Shigley, "Amalgamation of Man and Beast: What Did Ellen White Mean?", Spectrum, vol. 12, no. 4  1982.
A nuvem branca-por Dirk Anderson-1999 1ª ed. 2001 2ª ed.
 Paulo Sérgio R. Pedrosa - "Eugenia: o pesadelo genético do Século XX. Parte I: o início" 
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/eugenia_a_biologia_como_farsa.html  (por Pietra Diwan)
Fonte: Paulo Sérgio R. Pedrosa - "Eugenia: o pesadelo genético do Século XX. Parte I: o início" 
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=ciencia&artigo=eugenia1&lang=bra

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