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"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Profeta no Divã

Análise de caso:


A Síndrome de Geschwind
Atendendo a inúmeros e-mail´s dos nossos queridos leitores; segue mais um artigo sobre Religião x Psicologia:
A Síndrome de Geschwind ou ainda Síndrome da personalidade Interictal; consiste em um distúrbio que provoca a hiperreligiosidade, hipossexualidade, alteração do humor e hipergrafia.

Os religiosos sempre encararam os “fenômenos psicológicos” de forma equivocada... Por muitos séculos, pessoas com supostos “dons espirituais” foram considerados indivíduos especiais, divinamente dotados e até mesmo superiores aos demais.
Consequentemente, estes indivíduos obtinham respeito e ocupavam um lugar de destaque entre a população religiosa. Eles também eram interpretados como uma espécie de “representantes de Deus”, que tinham livre acesso – através de seus supostos dons – ao mundo místico e sobrenatural.
Naturalmente, a exaltação que lhes foi dada; também foi responsável por alterações de conduta que contribuíram para acentuar os “fenômenos psicológicos” - anormalidades no comportamento, estimulando ainda mais o “distúrbio comportamental” desses indivíduos.


Hoje, com o auxílio da Neurociência; e da moderna Psiquiatria; temos fortes evidencias que apontam a relação direta entre alguns ditos “fenômenos espirituais” e os distúrbios psiquiátricos estabelecidos pela medicina.
Neste artigo faremos uma abordagem científica - direta e específica - sobre os ditos “dons espirituais” manifestados pelos auto proclamados “mensageiros de Deus”. 

A Síndrome de Geschwind ou Geschwind-Waxman
As primeiras descrições de indivíduos em casos clínicos com os sintomas citados na introdução deste artigo; com características similares de personalidade, foram feitas em 1974.

Foi a primeira vez que um conjunto específico de alterações marcantes da personalidade; foi descrito associado a um tipo específico de distúrbio psiquiátrico.

A partir destas observações iniciais, pôde-se isolar um grupo de sinais de comportamento constituído por:
1 – Hipossexualidade;
2 - Grande preocupação acerca de temas de caráter religioso, moral, filosófico ou ético;
3 – Alterações de humor;
4 – Hipergrafia.
Após a exposição dos sintomas acima; iniciaremos a busca de indícios dessa sintomatologia nos escritos de uma famosa autora evangélica; a Srª Ellen G. White; auto intitulada “mensageira de Deus”. 
Com os resultados dessa pesquisa; poderemos averiguar se esse suposto dom era ou não um distúrbio comportamental/psiquiátrico. Segue abaixo a descrição detalhada dos sintomas e seus respectivos traços nos livros da autora:
Hipossexualidade
O desejo sexual é o impulso ou desejo pela atividade sexual (conhecido também como libido). Esse desejo pode ser variável e é um tanto difícil de definir em termos absolutos. Uma proposta seria que um indivíduo que não pense sobre sexo ou não tenha desejo sexual, pelo menos de uma a três vezes por mês; possa ser portador de hipossexualidade. Poderíamos ainda classificar como “hiposexuais”; os indivíduos que persistem em não falar sobre o assunto ou ainda estimulam exageradamente a abstinência.
Traços nas literaturas de Ellen White:
A autora acima publicou instruções veementes - quanto à necessidade de negação dos impulsos sexuais - em um folheto intitulado “An Appeal to Mothers: The Great Cause of the Physical, Mental, and Moral Ruin of Children of Our Time” que traduzido é: “Um Apelo às Mães: A Grande Causa da Ruína Física, Mental e Moral de Nossa Época”.

Ele também traz em seu texto; toda a opinião de EGW sobre a expressão da sexualidade humana; chegando a compará-la a uma “doença contagiosa” e “extremamente prejudicial à saúde”.

Não satisfeita com o resultado de tal publicação, seis anos mais tarde apresentou uma versão ampliada com o título “Um Solene Apelo”. Tal livro foi editado por seu esposo e incluía artigos de outros autores para tentar respaldar os conselhos da Sra. White.
Esse folheto hoje não está mais disponível entre as publicações dela (bem como o primeiro livro), e quem quer que o leia perceberá o porquê disso. Examinemos agora alguns trechos da obra (grifos nossos, comentários em azul):

Sinto-me alarmada com aquelas crianças. Que pelo vício solitário estão se arruinando. Ouvis numerosas queixas de dor de cabeça, catarro, tontura, nervosismo, dor nos ombros e do lado, perda de apetite, dor nas costa e membros. . . E não percebestes ter havido uma deficiência na saúde mental de vossos filhos? . . . A indulgência secreta (masturbação) é, em muitos casos, a única causa real das numerosas queixas da juventude.Págs. 11, 13

A condição do mundo é alarmante. Por toda parte que olhemos vemos imbecilidade, nanismo, membros aleijados, cabeças mal formadas e deformidade de toda descrição... Hábitos corrompidos estão dissipando sua energia, e trazendo-lhes enfermidades repugnantes e complicadas... As crianças que praticam a auto-indulgência (masturbação)... devem pagar a penalidade”. Pág. 14
Prosseguindo a prática desde os 15 anos ou mais, a natureza protestará... E fa-los-á pagar elevado preço... Por numerosas dores no organismo, e várias doenças, tais como indisposição de fígado e pulmões, nevralgias, reumatismo, problemas da espinha, doenças renais e tumores cancerosos...

Com freqüência ocorre uma súbita avaria da constituição, e a morte vem como resultado.” Págs. 14 e 15

As mulheres possuem menos força vital do que o sexo oposto... O resultado do auto-abuso (masturbação) nelas é visto em várias doenças, tais como catarro, tontura, dor de cabeça, perda de memória e visão, grande fraqueza nas costas e cadeiras, dores na espinha e, com freqüência, queda da cabeça para trás... A mente é amiúde inteiramente arruinada e uma condição doentia prevalece... Estas são práticas tão suicidas quanto apontar uma pistola para o próprio peito... Entre os jovens o capital vital e o cérebro são tão severamente sobrecarregados em tenra idade que há deficiência e grande esgotamento, o que deixa o organismo exposto a doenças de vários tipos. Mas a mais comum dessas é a tuberculosePág. 17.


Segundo EGW, não existe fim para as doenças causadas pelo sexo solitário.

A estes “conselhos” acima é adicionada uma enorme lista de enfermidades supostamente assim adquiridas através da manifestação da sexualidade, entre as quais:

Epilepsia, danos à visão, hemorragia nos pulmões, espasmos do coração e pulmões, diabetes, reumatismo, tuberculose, asma e mais de uma dúzia de outras.
A obsessão de EGW em comparar o sexo à “sujeira” ou “doenças graves” é tamanha; que ela chega ao absurdo de citar o caso de uma criança de dois anos de idade (Isso mesmo! Dois anos de idade), que ficou epiléptica e paralítica devido à “constante masturbação”. Ela cita: "Pelo mais vigilante emprego de meios mecânicos para confinar-lhe as mãos, cobrindo-lhe os órgãos genitais, etc., a criança foi, por fim, curada e agora desfruta de boa saúde" (Fonte).
Convido os nossos queridos leitores; especialmente os adventistas; a imaginarem um auditório repleto com milhares de pessoas humildes ouvindo uma palestra apresentando aos pais (especialmente às mães) um “solene apelo” para que tratem seus filhinhos de dois anos à base de “manter-lhe as mãos amarradas para não se masturbar”, prevenindo assim a epilepsia, tuberculose, visão enfraquecida, e muitos outros males...
Mas, continuemos com mais algumas dessas impressionantes declarações:

A falta de castidade prejudica, debilita e arruína o corpo. Agora, além desse chocante fato, ergue-se outro, se possível até mais chocante. É que a falta de castidade prejudica, debilita e arruína a mente... Vi uma jovem mulher numa cidade de Massachusetts que se tornou uma idiota dada a masturbação. Pág. 2 - 3.


Após a indulgência desse hábito por um tempo, a criança perde o brilho e alegria do olhar; torna-se pálida com uma coloração esverdeada... Muitas crianças nascem com essa propensão e o hábito tem início na infância. . . . Nenezinhos adquirem o hábito... Vivem apenas para durar pouco tempo.
Págs. 22 e 97.
Não se vê fim para as doenças causadas pelo vício solitário... Precipita suas vítimas para a insanidade... Onanistas confirmados... Recuarão de poucos atos criminosos.” Pág. 11, 20-21 ·.
Na verdade o que ela estava tentando fazer; era dissertar sobre um assunto que não tinha o mínimo de conhecimento, o que por si só já é um outro importante sintoma dessa síndrome.


Ela apenas conseguiu demonstrar o quanto seu subconsciente estava sobrecarregado com idéias doentias sobre o sexo. 

Qualquer um dos nossos estimados leitores; poderá comprovar que as doenças por ela especificadas; não são causadas pela masturbação. A tuberculose, por exemplo, é provocada por bactérias específicas. A “cabeça mal formada” ou deformação fetal; poderá ter inúmeros fatores que irão desde defeitos genéticos, incompatibilidade sanguínea ao uso de substancias como o tabaco, dentre outras; mas em nenhuma hipótese a masturbação.  

Em outra ocasião; EGW foi mais longe ainda, ordenando a total abstinência sexual:
“... a Sra. White enviou notificações para as igrejas de que a vinda do senhor estava tão perto que não deviam mais ser realizados casamentos na igreja e que os membros já casados deviam viver como virgens castos.” Testimony by Paul N. Barker 

Como poderia alguém hoje em sã consciência; crer que as declarações dessa senhora partiram de uma “mente saudável”? Qual especialista em medicina endossaria as declarações que ela deixou no livro "Apelo Solene"?
Cremos que já basta. Podemos notar com clareza, como Ellen G. White se preocupava excessivamente em reprimir a sexualidade, ou seja; como ela dá claros sinais em seus escritos; de que era portadora de “hipossexualidade”. 


Diante desses fatos; seria correto continuar tratando-a como “mensageira divina”?

Portadora de um “Distúrbio comportamental” seria o termo mais adequado – está muito bem definido nas próprias palavras que escreveu: Mais se assemelham a “delírios alucinatórios”; do que a “conselhos divinos” Passemos então a análise do próximo sintoma:

Hiperreligiosidade
Caracteriza-se pelo sentimento ou preocupação exagerada com questões religiosas, morais, éticas ou de caráter espiritual.


Clinicamente, a hiper religiosidade pode apresentar-se como interesse aumentado por assuntos religiosos.
Pode ocorrer uma identificação entre o mundo real e o místico, uma troca abrupta de religião, fanatismo religioso exacerbado, idéias de comunicação com o “sobrenatural” e grande interesse sobre “assuntos cósmicos” e ou “idéias fantasiosas” diversas.
Estes traços passam a prevalecer no cotidiano do indivíduo, fazendo-o destaca-los de maneira constante e enfática. Com o passar do tempo; eles passam a controlar todos os aspectos da vida: A pessoa passa a viver não mais em função da própria vida por assim dizer; e sim da crença que alimenta.
Traços nas literaturas de Ellen White 
Tenho estado sozinha nesta questão, rigorosamente sozinha, com todas as dificuldades e com todas as provações relacionadas com a obra. Só Deus poderia ajudar-me. A última obra que me compete realizar neste mundo logo estará concluída. Preciso expressar-me claramente, de modo que, se possível, não seja mal compreendida.” Testemunhos seletos Vol. III Pág. 67, par. 3
Neste primeiro texto, a análise começa do ponto onde ela afirma que “está sozinha” com o destaque na palavra “rigorosamente”. 
Independentemente de todas as pessoas que a rodeiam em seu dia a dia; os portadores do distúrbio; sentem-se exatamente assim; uma vez que vivem constantemente aprisionados pelos próprios pensamentos.

O comando de suas ações provem de suas mentes que a forçam a acreditar que possuem uma “missão especial” ou ainda “sobrenatural” para todo o “mundo”.
Eles ainda demonstram grande preocupação em como poderão comunicar aos outros os pensamentos que os perseguem: 
Preciso expressar-me claramente, de modo que, se possível, não seja mal compreendida.” 


Isso porque nem mesmo eles, se sentem seguros quanto ao conteúdo dos mesmos...




Não tenho uma só pessoa no mundo que introduza alguma mensagem em minha mente ou que me imponha algum dever. Dir-lhe-ei agora, irmão F.: Quando o Senhor me dá uma incumbência para você ou para qualquer pessoa, recebê-la-ão da maneira e do modo que o Senhor a der para mim.” Manuscrito 227, 1902.
Um importante e decisivo relato demonstrando que a hiperreligiosidade de EGW está relacionada à fatores místicos e ou sobrenaturais. Aqui ela confessa que tudo provem de sua cabeça, nesta altura já completamente dominada pelos próprios pensamentos.



As vozes que ouve constantemente na mente são interpretadas como sendo de “origem divina”.
Estamos quase no lar. Nós nos encontramos nas fronteiras do mundo eterno. Os que forem dignos logo serão introduzidos no reino de Deus. Não temos tempo para perder... Aqui estão nossos filhos. Permitiremos que eles sejam contaminados pelo mundo - por sua iniqüidade, por sua desconsideração aos mandamentos de Deus? Pergunto aos que pretendem enviar seus filhos à escola pública, onde é provável que sejam contaminados: Como podeis correr semelhante risco?”
Mensagens escolhidas Pág. 212 par. 4
Aqui vemos claro exemplo de um “delírio alucinatório” que obriga o portador da síndrome; a acreditar que vai abandonar subitamente a realidade e adentrar fisicamente na fantasia que alimenta. É a crença dominando a mente a ponto de promover uma ruptura na estrutura psíquica

Mais de cem anos se passaram; e todos continuam na “fronteira do mundo externo”, no entanto EGW cria piamente que adentraria viva em seu sonho.
Tal como nos outros sintomas; esse distúrbio sobrecarrega os pensamentos do indivíduo a tal ponto; que o obriga a disseminar suas idéias e crenças. Seria como uma “válvula de escape” para a constante pressão exercida na psique.


Neste caso ela extravasa afirmando que “aqueles que estudam em escola pública, serão contaminados” e “estão correndo grande risco” - Um “risco” certamente imaginário, mas que para o individuo é mais do que real...
Pessoas com tendências a distúrbios análogos a esse; certamente seriam influenciadas por tais mensagens.


Faremos agora um breve apanhado – uma pequena coletânea – de outros trechos que demonstram sem sombra de dúvida o traço marcante da hiperreligiosidade na personalidade da autora em questão:

Fanatismo exacerbado - Proibições extremas:
Proteína animal - “No tocante ao alimento cárneo, devemos instruir o povo a nele não tocar. Seu uso é prejudicial ao melhor desenvolvimento das faculdades físicas, mentais e morais.Testemunhos seletos Vol. III pág. 138 par. 3
Café e chá - “Devemos fazer campanha decidida contra o uso do chá e do café.” Ibidem mesma pág. e par.
Alimentos diversos comprovadamente saudáveis - "Não deveis comer ovos, nem usar leite ou nata. Não deveis empregar manteiga no preparo de vossos alimentos. Cumpre que o evangelho seja pregado aos pobres, mas ainda não chegamos ao tempo em que deverá ser prescrito o regime dietético mais rigoroso.Ibidem pág. 363 par. 3
Lazer, brincadeiras e até mesmo sorrisos -“Não há tempo para entregar-se a entretenimentos levianos, à satisfação de inclinações egoístas. É tempo de que vos ocupeis com pensamentos sérios. E não podereis participar da vida abnegada do Redentor do mundo, pronta para sacrificar-se, e ao mesmo tempo achar prazer em matar tolamente o tempo em ócio, brincadeiras e gracejos.” Ibidem pág. 188 par. 3
Aliança de casamento: “Nenhuma despesa deve ser feita com esse aro de ouro para testificar que somos casados.” Test. Sel. Vol. I pág. 601 par. 2
Homens não podem realizar partos –Não condiz com as instruções dadas no Sinai, que os médicos devam desempenhar o ofício de parteiras. A Bíblia nos apresenta as parturientes atendidas por outras mulheres, e assim deverá ser, sempre.Ibidem pág. 375 par. 3 
Como questionamos na descrição do sintoma anterior (hipossexualidade): Nos dias atuais; quem em sã consciência poderia ratificar estas declarações acima? Até mesmo, pastores líderes do movimento adventista; não tem coragem de vir a público endossar os devaneios de EGW, e muitos dos livros com declarações duvidosas e ou controversas; nem mesmo são mais publicados.         
O aspecto ultra-religioso é tão acentuado que não é mais necessário comentar. Fica o convite ao amigo leitor; para pesquisar e identificar tais traços nos demais escritos da suposta “mensageira de deus”. 
Alteração do humor
O humor refere-se a um dos diferentes aspectos da emoção. Ele é comunicado através da expressão facial, linguagem verbal, gestos e postura. O humor indica se uma pessoa está satisfeita, aflita, desgostosa ou em perigo.

Ele tende a ter expressões de curta duração, refletindo contingências emocionais momentâneas, mas também pode transmitir emoções mais prolongadas. Sua natureza mais constante significa que eles são vivenciados por um tempo suficiente para serem mantidos internamente.
Portanto, este “estado emocional” é um sentimento básico que serve a uma função comunicativa nos seres humanos, bem como em outros mamíferos.
As emoções normais de tristeza e alegria devem ser diferenciadas das síndromes patológicas depressivas. A tristeza, ou depressão normal, é uma resposta universal a derrotas, decepções ou adversidades; por outro lado, a alegria está predominantemente ligada a conquistas, ao sucesso.
O que é a síndrome de alteração do humor:
Uma “síndrome” é um conjunto de sinais e sintomas que costumam aparecerem juntos e pode ser determinada por diversas etiologias, como por exemplo, o luto. Ele é um estado emocional normal que se caracteriza pelo conjunto de sinais e sintomas que ocorrem como resposta a separações e perdas significativas.
O luto é descrito por sintomas como: Acentuado prejuízo funcional, preocupação mórbida com a invalidez, ideação suicida, sintomas psicóticos ou retardo psicomotor, que podem persistir por não mais do que dois meses após a perda de um ente querido ou uma separação abrupta. Se os sintomas persistem por mais tempo; já se justifica um distúrbio de alteração do humor.
A síndrome de alteração do humor é caracterizada principalmente por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Estas mudanças vão desde oscilações normais, como nos estados de alegria e tristeza, até as patológicas acentuadas e diferentes do normal.
Mudanças bruscas no discurso e ou contrastes/contradições na fala do indivíduo; são traços decisivos; que definem esta síndrome.
Lista de Sinais e Sintomas dos distúrbios de alteração do humor com as respectivas referencias nos escritos de EGW:
Os quatro primeiros da lista referem-se a sentimentos negativos, os demais, a sentimentos positivos; ambos dentro do quadro das anomalias sentimentais. 
Sentimentos negativos:
1 - Humor deprimido ou perda de interesse ou prazer por quase todas as atividades:

A pessoa relata tristeza, depressão, desesperança, desencorajamento. A expressão facial e corporal mostra-se deprimida. O paciente pode ter queixas somáticas, como dores corporais. Alguns referem aumento da irritabilidade (raiva persistente, tendência para responder a eventos com ataques de ira ou culpando os outros, ou um sentimento exagerado de frustração por questões menores). A perda de interesse ou prazer está quase sempre presente, pelo menos em algum grau. A pessoa apresenta menor interesse por passatempos, tem menos prazer com qualquer atividade anteriormente considerada agradável.
A – Tristeza sem motivo ou fundamento aceitável:
Meu coração sente-se muito triste porque os irmãos J. e K. tomaram a posição adotada por eles... Talvez pergunteis: Que efeito tem isso sobre a irmã (White)? Tristeza somente, tristeza de alma, mas paz e perfeito descanso e confiança em Jesus. Para vindicar a mim mesma, a minha posição ou a minha missão, eu não proferiria dez palavras...” Carta 14, 1897.
O destaque está no motivo de sua tristeza, que aqui é vinculada simplesmente à pessoas que não concordam com ela. O motivo é nitidamente banal e a tristeza certamente sem fundamento.



Ela prossegue afirmando que apesar de sua “alma” estar cheia de tristeza, ela sente (na mesma “alma”) “paz e perfeito descanso”.
Como é possível uma pessoa estar profundamente triste e ao mesmo tempo se sentir bem? Apenas numa mente doente...


Na seqüência seguem outros textos relatando a tristeza injustificada de EGW:
Muito me entristeci ao ler o folheto publicado pelo irmão S. e pelos que com ele se associam na obra que está fazendo.” Igreja remanescente pág. 29 par. 3
Entristece-me verdadeiramente serdes enganado de qualquer maneira pelas sugestões do inimigo, pois sei que a teoria que advogais não é a verdade.” Ibidem pág. Pág. 56 par. 1 
“Finalmente a doce paz que havia tanto tempo eu sentia, deixou-me, e o desespero novamente me oprimia a alma. Vida e ensinos pág. 66 par. 2 

Como no exemplo anterior; o motivo da tristeza reside simplesmente no fato de existirem pessoas que não concordam com suas idéias.



B - Queixas somáticas - diminuição da energia:

Alem de dores constantes, a pessoa pode relatar fadiga persistente. As tarefas leves parecem exigir um esforço substancial. Pode haver diminuição na eficiência para realizar os trabalhos diários.

“Fiz uma capa e uma túnica para Edson. Agora à noite sinto-me bem cansada.” Beneficência social pág. 323
Estive muito doente o dia todo com dor de cabeça.” Ibidem pág. 323
Este é um dia em que as enfermidades procuram dominar. Sofro muita dor em meu ombro esquerdo e no pulmão. Meu espírito está deprimido.” Ibidem pág. 324 par. 3
“Fui à cidade e já voltei. Fiquei muito cansada.” Ibidem pág. 324 par 4
Estou com o cérebro cansado a maior parte do tempo.” Testemunhos seletos vol. III pág. 118
Débil e trêmula levantei-me às três horas da madrugada, para vos escrever.” Test. Sel. Vol II pág. 26 par. 2


“O grupo de crentes de Portland ignorava a preocupação de espírito que me prostrara nesse estado de desânimo; mas sabiam que por qualquer razão eu estava abatida.” Vida e ensinos pág. 66 par. 3


Mas essas palavras de animação pouco conforto traziam ao meu desalentado coração; o caminho diante de mim parecia obstruído com dificuldades que eu era incapaz de superar.” Ibidem pág. 66 par. 1
“Meu fardo tornava-se mais e mais pesado, até que minha agonia de espírito parecia ser superior às minhas forças.” Ibidem pág. 66 par. 3
Cremos não ser necessário nenhum comentário: Os textos falam por si mesmos.
C - Aumento da irritabilidade


“Alguns que empreendem tornarem-se médicos, são fanáticos, egoístas, obstinados como jumentos. Não lhes podeis ensinar qualquer coisa. Talvez nunca tenham feito qualquer coisa digna de fazer-se.” Test. Sel. Vol. I pág. 193 par. 2

Neste caso; EGW se irrita com alguns alunos de medicina; provavelmente por serem contrários as suas idéias. Conceitos como aqueles sobre a masturbação, por exemplo, certamente seriam motivo para polêmica.
Da mesma forma que ela entrava em depressão por motivos banais; aqui vemos uma alteração significativa do estado de humor, também motivada por detalhes ínfimos: Ela simplesmente não aceitava ser contrariada.     
D - Perda de interesse ou prazer nas atividades
“Não há tempo para entregar-se a entretenimentos levianos, à satisfação de inclinações egoístas. Testemunhos sel. Vol. III pág. 188 par. 3

“...tem havido manifesto entusiasmo em outro sentido que a muitos parece completamente adequado. Refiro-me às festas de prazer que se têm realizado entre nosso povo.” Testemunhos para ministros e obreiros evangélicos pág. 82

Sem comentários...
2. Alterações do sono:
A alteração do sono mais freqüente é a insônia, mas a pessoa também pode apresentar hipersônia noturna ou diurna.
“São mais de duas horas e não consigo dormir. Desperto-me muitas vezes a uma hora da madrugada Beneficência social pág. 338 par. 1

“Escrevo muitas páginas antes do desjejum. Levanto-me às duas, três ou quatro horas da madrugada...” Testemunhos seletos vol. III pág. 118  


“Débil e trêmula levantei-me às três horas da madrugada, para vos escrever.” Test. Sel. Vol II pág. 26 par. 2




Por diversas noites tenho estado muito perplexa. Fico tão perturbadaque não consigo dormir bem.” Fundamentos da educação cristã pág. 334 par. 2
Para qualquer profissional na área de saúde mental; bastaria apenas esta declaração acima para que fosse avaliada a necessidade de uma intervenção médica na vida de EGW.
3 - Sentimentos de desvalia ou culpa:

Pode incluir avaliações negativas e irrealistas do próprio valor, sentimentos de culpa e ruminações acerca de pequenos fracassos do passado. Essas pessoas geralmente interpretam mal, eventos triviais ou neutros do cotidiano e têm um senso exagerado de responsabilidade pelos acontecimentos. Esses sentimentos podem assumir proporções delirantes.
“Quando fui ao Colorado, achava-me tão preocupada por vós que, em minha fraqueza, escrevi muitas páginas para serem lidas em vossa reunião campal.” Test. Vol. II pág. 26 par 2
Sinto-me alarmada pelo povo de Deus, o qual professa crer em solene e importante verdade; pois sei que muitos deles não se acham convertidos nem santificados por ela.” Test. Sel. Vol. I pág. 89 par. 2
“Prezado irmão N.: Sinto-me compelida por um senso de dever a dirigir-lhe algumas linhas. Foram-me mostradas em relação com o seu caso algumas coisas que não ouso reter. Vi que Satanás se aproveitou do irmão devido a sua esposa não ter abraçado a verdade. O irmão foi lançado no convívio de uma mulher corrupta; mulher cujos passos se dirigem para o inferno.” Ibidem pág. 198 par. 2

Sinto profunda mágoa pelos pais e mães desses jovens, bem como pelos filhos. Houve uma falha na educação desses filhos...” Ibidem pág. 352 par. 2 
Sinto-me opressa sob o peso da responsabilidade que tomo agora sobre mim, de escrever-vos estas coisas.” Ibidem pág. 569 par. 2

Sinto profundamente esse processo de fermentação que parece estar em andamento entre nós...Ibidem pág. 601 par. 2
Sinto-me muitas vezes penalizada quando entro na casa em que Deus é adorado e noto ali homens e mulheres em trajes desordenados.” Test. Sel. Vol II pág. 201 par. 3
Sinto-me muito pesarosa que não se tenha comportado corretamente em todas as ocasiões...Beneficência social pág. 223 par. 4 
Sinto-me triste ao ver que o nosso povo não tem apoiado esta obra como devia”. Ibidem pág. 337 par. 4
O detalhe que mais chama a atenção nesta coletânea; é a insistente repetição da palavra “sinto”; pronunciada por EGW. Fica mais do que demonstrado que essa senhora tinha um senso exagerado de responsabilidade por acontecimentos banais. O sentimento alimentado por ela chega a assumir proporções delirantes veja:
“Sinto-me compelida...” (impulso incontrolável)
“Foram-me mostradas (visões/alucinações) em relação com o seu caso algumas coisas...”
“Vi que Satanás se aproveitou do irmão devido a sua esposa não ter abraçado a verdade” (adventismo). 
O sentimento de culpa que ela alimentava era tão grande; que após a decepção pela negativa da esposa de seu irmão na fé; em aceitar o adventismo; ela é “compelida” a se intrometer em uma relação conjugal; na tentativa desesperada de conseguir algum resultado que apóie suas alucinações:
“O irmão foi lançado no convívio de uma mulher corrupta; mulher cujos passos se dirigem para o inferno.”
Numa mente sadia; estas palavras “entrariam num ouvido e sairiam no outro”; porém em um portador de algum distúrbio comportamental; o resultado seria certamente um lar destruído pelo fanatismo religioso. 
4 - Pensamentos recorrentes sobre morte:

Esses pensamentos variam desde uma crença de que seria melhor estar morto até pensamentos transitórios sobre o desejo da morte.


Eu desejava a morte como livramento das responsabilidades que sobre mim convergiam.” Vida e ensinos pág. 66 par. 2
Também não é necessário comentar...
Sentimentos positivos:
1 - Auto estima inflada ou grandiosidade:
Característica marcante, indo desde uma autoconfiança sem crítica até uma acentuada grandiosidade que pode alcançar proporções delirantes. Os indivíduos podem oferecer conselhos sobre questões acerca das quais não possuem qualquer conhecimento especial. Podem por exemplo, sem experiência alguma, começar a escrever dezenas de livros sobre assuntos que não tem qualquer tipo de noção, porém julgando-se “expert” nos temas abordados.

A – Autoconfiança que não aceita crítica
“Sejamos cautelosos. Recusemos permitir que as críticas de alguma pessoa imprimam objeções em nosso espírito. Deixe que os críticos vivam de seu ofício de criticar.” Mensagens escolhidas vol. III pág. 120 par. 1
“Podes ficar surpreso ao ouvir isso, mas é uma espécie de blasfêmia estar constantemente irritado e irritar os outros por tuas críticas e observações sombrias.” Carta 11 – 1897
Há pessoas precipitadas em seu desejo de reformar o que lhes parece não estar direito. Pensam que deviam ser escolhidas para ocupar o lugar dos que cometeram erros. Obreiros evangélicos pág. 493
No texto acima, além de não admitir criticas, ela não aceita a possibilidade de seu trabalho poder ser realizado por outros.
Em vez de críticas e censuras, tenham nossos irmãos e irmãs palavras de animação e confiança no tocante aos instrumentos do SenhorTest. Sel. Vol. III pág 173 par. 5
Nesta parte o sentimento de grandeza e superioridade alcança níveis delirantes: Ela se autodenomina um “instrumento”, ou seja, uma ferramenta do “sobrenatural.
B – Mania de grandeza

Não tenho tido reivindicações a fazer, apenas que estou instruída de que sou a Mensageira do Senhor, de que Ele me chamou em minha mocidade para ser Sua mensageira, para receber-Lhe a Palavra, e dar clara e decidida mensagem...” Mensagens escolhidas vol. I pág. 32 par. 2


Não tenho uma só pessoa no mundo que introduza alguma mensagem em minha mente ou que me imponha algum dever” Manuscrito 227, 1902.
Nota-se claramente o sentimento de superioridade exacerbada.

Seu distúrbio a leva crer que é superior a todos os demais habitantes do planeta: Além de afirmar que suas idéias são inquestionáveis; ela assume uma postura de comando supremo; não admitindo nem mesmo acatar alguma orientação ou conselho que não sejam os das “vozes” em sua mente.   
Eu não escrevo um artigo no jornal (revista) expressando meramente as minhas próprias idéias. É o que Deus me revelou em visão. --- os preciosos raios de luz vindos do trono de Deus.” Testimonies for the Church Vol. V pág. 67 par 2
Uma declaração muito conhecida; que se devidamente “colocada no divã”; revela o egocentrismo/megalomania gigantesca dessa senhora. Ela afirma que tudo o que escrevia não era proveniente de sua própria mente (só essa parte bastaria para o diagnóstico), porém de uma fonte externa: O próprio Deus.
Seriam provenientes de Deus, os escritos sobre a masturbação? Os conselhos sobre a “abstinência sexual”? 
Todas as referencias das centenas de textos que utilizamos neste artigo não provinham da própria mente de EGW? O enorme número de outros escritos contendo senão; a mesma “qualidade” de conteúdo; ainda declarações muito mais problemáticas tais como:
Perucas causam “excitação” cerebral: Health Reformer (Reformador da Saúde) outubro de 1871
Seres humanos podem “cruzar” (ter relações sexuais) com animais dando origem a “raças inferiores”: Spiritual Gifts, vol. 3 pg. 64 1864.
Remédios não curam: Mensagens Escolhidas vol. 02 pag. 289 par. 1
A cor da pele coloca algumas pessoas em “desvantagem” em relação às demais: Mensagens Escolhidas, Vol. 2, págs. 343-344.
Estas declarações têm origem divina? Segundo EGW sim: Ela acreditava que sua mente era única e inigualável. Somente ela era capaz de ouvir e decodificar estas “mensagens especiais” que afirmou ser de suma importância para toda a “raça humana”.



Esses livros, transmitindo as instruções a mim dadas pelo Senhor durante os sessenta anos passados, contêm esclarecimentos do Céu, e resistirão à prova da investigação. Mensagens escolhidas vol. I pág. 35 par. 3
Mesmo sem ter nenhuma noção sobre Psicanálise, qualquer pessoa com o mínimo de bom senso que analisar os escritos de EGW; poderá perceber nitidamente que a declaração acima é falsa. 
Não; os livros de Ellen White não resistem a “prova de investigação”, seja ela teológica, histórica ou muito menos ainda: Científica.

Essa afirmação partiu de uma mente perturbada; que não tinha noção das implicações que poderia causar com seus “conselhos”. A “mania de grandeza” não permitia que essa senhora sequer pudesse exercer o próprio senso critico a respeito de suas ações.   


Ela escrevia sobre os mais diversos assuntos, julgando-se “expert” nas áreas abordadas. Seu distúrbio comportamental simplesmente não a permitia perceber os absurdos contidos em suas declarações; muito menos ainda o ridículo a que estava se submetendo.


2 - Pressão por falar:



Constante desejo de falar. A fala é pressionada, alta, rápida e difícil de interromper.



Multidões me têm ouvido falar e têm lido meus escritos...” Mensagens escolhidas vol.II pág. 54 par.  
Sinto-me impelida a falar aos que estão empenhados em dar ao mundo a última mensagem de advertência.” Test. Sel. vol. II pag. 232 par. 2 
3 - Humor expansivo:
Entusiasmo incessante e indiscriminado por interações interpessoais ou profissionais.
“O manuscrito sobre a Vida de Cristo está prestes a ser enviado para a América do Norte. Este será editado pela Pacific Press. Empreguei obreiros para preparar este livro, especialmente a irmã Davis, e isto me custou três mil dólares. Outros três mil serão necessários para prepará-lo para ser difundido pelo mundo, em dois volumes. Esperamos que eles tenham grande saída. Tenho dedicado pouco tempo a esses livros, pois falar em público, escrever artigos para as revistas e escrever testemunhos particulares para enfrentar e reprimir os males que estão aparecendo, me mantém ocupada.” Carta 114, 1896.
4 - Fuga da realidade:


Experiência subjetiva de que os pensamentos estão se tornando realidade.


Estamos quase no lar. Nós nos encontramos nas fronteiras do mundo eterno. Os que forem dignos logo serão introduzidos no reino de Deus. Não temos tempo para perder...” Mensagens escolhidas Pág. 212 par. 4

5 – Extremo direcionamento das atividades e objetivos:


Recusa constante em se envolver em outras atividades que não sejam as de seu próprio interesse. Fixação doentia em atingir metas e objetivos.




Temos uma mensagem de advertência para dar ao mundo, e nosso zelo, nosso devotamento ao serviço de Deus, devem dar testemunho em favor da verdade.” Testimonies vol. 8 pág. 200
6 - Alteração cíclica abrupta e marcante do estado de humor:
Por vezes sou grandemente oprimida no período noturno. Levanto-me de minha cama e ando pelo quarto, orando que o Senhor me ajude a suportar o fardo e a não dizer nada para fazer o povo crer que a mensagem que Ele me deu é verdadeira. Quando posso depor este fardo sobre o Senhor, sou realmente livre. Desfruto uma paz que não consigo expressar. Sinto-me elevada, como se fosse carregada pelos braços eternos, e minha alma se enche de paz e alegria.Mensagens escolhidas Vol. III Pág. 75 par. 3
Em um único e contínuo parágrafo, podemos ver a acentuada e marcante alteração de humor desta senhora. Ela inicia relatando que tem distúrbios do sono – como vimos anteriormente; já é uma característica significativa da patologia - depois segue descrevendo o motivo de sua insônia: Ela sente grande angustia e tristeza.
“Por vezes sou grandemente oprimida no período noturno...”
“...orando que o Senhor me ajude a suportar o fardo”
O detalhe é que a origem destes sentimentos reside no fato dela não ser compreendida, ou ainda não conseguir transmitir seus delírios e alucinações de modo compreensível:
... para fazer o povo crer que a mensagem que Ele me deu é verdadeira.”
De modo abrupto e repentino ela “gira seus sentimentos 180 graus”; relatando o inverso das sensações que antes a oprimiam:
“Desfruto uma paz que não consigo expressar.”

Não é necessário comentar mais nada, após a exposição do trecho acima. A alteração abrupta e marcante do estado de humor dessa senhora dá claros sinais de que ela sofria de um distúrbio comportamental.


Hipergrafia:

Hipergrafia é o termo médico usado para descrever o desejo ou impulso incontrolável por escrever.

Esse distúrbio já era conhecido há muito tempo: O poeta romano Juvenal falava no primeiro século d.C. da “incurável doença da escrita”.

Recentemente constatou-se que a hipergrafia é freqüentemente desencadeada pela epilepsia do lobo temporal, e que às vezes está associada à doença bipolar, na qual a mania se alterna com a depressão.
O impulso para escrever parece originar-se no sistema límbico – conjunto de células cerebrais associadas à emoção – e transformado em idéias “editadas” pelos lobos temporais.
Alguns portadores de hipergrafia são prolíficos e suas obras foram consideradas de grande importância para a humanidade: John Creasey, Charles Dickens, Honoré de Balzac, Victor Hugo e Shakespeare estão entre eles.
Há aqueles que escrevem imensas quantidades de material inútil; estes o fazem apenas para dar vazão ao seu distúrbio: O pastor americano Robert Shields manteve, de 1972 a 1997, diários que retratavam sua vida minuto a minuto e que encheram 94 caixas de papelão num total de 75 mil páginas, o suficiente para dar uns quatro mil livros de porte razoável. Virginia Ridley, da Geórgia, escreveu 10 mil páginas contendo os mais diversos assuntos, incluindo sua vida pessoal. 

Ellen G. White e a hipergrafia
À época de sua morte as produções literárias de Ellen White totalizavam aproximadamente 100.000 páginas: 24 livros em circulação; dois manuscritos de livros prontos para publicação; 5.000 artigos em periódicos da igreja; mais de 200 tratados e panfletos; aproximadamente 35.000 páginas datilografadas de documentos e cartas manuscritas; 2.000 cartas escritas à mão e diários, que resultaram, quando copiados, em outras 15.000 páginas datilografadas. As compilações dos escritos de Ellen White feitas após a sua morte totalizam um número de livros em circulação de mais de 200 volumes.
Escritos nesta gigantesca quantidade de papel; estão os assuntos mais variados que se é possível imaginar. Neste artigo foi utilizada apenas uma pequena amostra do tipo de conteúdo encontrado nas literaturas desta senhora.


Temas polêmicos; controversos; contraditórios; erros históricos; absurdos sobre a biologia humana; divagações errôneas sobre a sexualidade; erros grotescos; extensos discursos extra-bíblicos; afirmações falsas sobre a vida dos personagens bíblicos; são apenas uma pequena amostra da “produção literária” de EGW:
“Escrevo de quinze a vinte páginas cada dia. São agora onze horas, e escrevi 14 páginas do manuscrito para o volume 4, além de sete páginas de cartas para diversos indivíduos.” Test. Sel. Vol. III pág. 109 par. 4
“Quando fui ao Colorado, achava-me tão preocupada por vós que, em minha fraqueza, escrevi muitas páginas para serem lidas em vossa reunião campal.” Test. Vol. II pág. 26 par 2


“Escrevi uma porção de páginas hoje. Maria está persistentemente no meu encalço. Ela fica tão entusiasmada com alguns assuntos, que traz o manuscrito depois de copiá-lo e o lê para mim. Mostrou-me hoje uma pesada pilha de manuscritos que havia preparado.” Mensagens escolhidas vol. III pág. 105 par. 5


“Isto perfaz cinqüenta páginas e abrange muitos assuntos. Penso que é a matéria mais preciosa que já escrevi.” Ibidem pág. 106 par. 6
Após a exposição de todo o conteúdo deste artigo; cabe agora ao amigo leitor (especialmente os adventistas) decidir se o título “mensageira do senhor” continua sendo válido para essa senhora.
Finalizando; deixamos mais dois textos para a apreciação dos nossos queridos leitores:
Uma ocasião, achando-me eu na cidade de Nova Iorque, fui convidada, à noite, para contemplar os edifícios que se erguiam, andar sobre andar, para o céu. Garantia-se que esses edifícios seriam à prova de fogo, e haviam sido erigidos para glorificar seus proprietários e construtores. A cena que em seguida passou perante mim foi um alarma de fogo. Os homens olhavam aos altos edifícios, supostamente incombustíveis, e diziam: Estão perfeitamente seguros. Mas esses edifícios foram consumidos como se fossem feitos de pez. Os aparelhos contra incêndios nada podiam fazer para deter a destruição. Os bombeiros não podiam fazer funcionar as máquinas.”
Testemunhos Seletos, vol. 3, págs. 281 e 282.
Tenho mandado advertências aos irmãos que trabalham em Nova Iorque, dizendo que essas notícias fortes, aterradoras, não devem ser publicadas. Quando meus irmãos vão a extremos, isto depõe contra mim, e eu devo suportar a vergonha de ser chamada falsa profetisa. Evangelismo pág. 388 par. 1

Sem comentários...



E que o Altíssimo nos conceda o precioso dom da humildade

O Editor

Referências:
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2. Benson DF. The Geschwind Syndrome. Advances in Neurology, vol 55. New York: Raven Press, 1991.
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* Parte deste artigo foi baseado na obra do Médico neurologista e professor de Neurologia do Departamento de Clínica Médica do Hospital Universitário, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Dr. Paulo César Trevisol Bittencourt. 

Extraído de Ex-Adventistas.com

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