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"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

DECÁLOGO: LEI PERFEITA E PARA TODOS OS POVOS?



1ª Parte - A questão do “Meu Próximo”.
Prezado amigo leitor, eis um assunto que sempre gerou polêmicas no mundo religioso:
Os dez mandamentos dados a Moisés nas tábuas de pedra, são realmente a “lei imutável”, “superior e eterna” dada para todos os povos como afirmam algumas doutrinas religiosas?
Respondendo diretamente: Não. Quem lê e analisa a Bíblia, verifica que aqueles mandamentos, aqueles dados no Sinai nas tábuas, foram dados para o povo de Israel, o povo da antiga aliança. Eram mandamentos dentro de um cenário, dentro de um conceito e contexto cultural para a época. Os mandamentos da antiga aliança tinham um sentido, um conceito diferente dos ensinamentos e mandamentos na Nova Aliança. É uma questão de análise, vejamos:
O nono mandamento das tábuas de pedra dizia: “não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”
O leitor percebeu? É dito: não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Esta palavra: “contra”, é uma palavra-chave que abre uma porta para o entendimento sobre o verdadeiro significado daqueles mandamentos, para quem, e em quais circunstâncias. Pois, se é um falso testemunho, uma coisa falsa, não verdadeira, o contrário da verdade - uma mentira - é lógico que seria contra meu próximo. Então pergunto: por que Deus escreveria algo absurdo assim? Seria como escrever coisa parecida como: “subir para cima... ou descer para baixo...” E vejam, não foi escrito para não dizer falso testemunho, e não foi escrito para não mentir ao meu próximo, foi escrito na pedra para não dizer falso testemunho contra meu próximo; ou seja, não mentir contra o meu próximo.
Aí vem a pergunta: então por que Deus escreveu para não mentir contra o próximo? Quer dizer então, que falso testemunho, ou mentira a favor do meu próximo podia dizer? É o que realmente parece, Vejam que na passagem de Josué 2:1-6, a prostituta Raabe mentiu para os homens do rei de Jericó, para proteger os espiões Israelitas. Em 2 Reis 6:8-23, Eliseu mentiu para os sírios, guiando-os para Samaria . Em 2 Reis 10:18-28, Jeú mentiu para emboscar e matar os adoradores de Baal. E em Juízes 16:4-21, Sansão mente 3 vezes à Dalila, o que também ocorre em Juízes 14:8-9.
Se lermos em Lev 19:11, é dito claramente : “não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo.” Mas não vemos em parte alguma, a Bíblia condenando ou criticando Raabe, Eliseu ou Jeú, ou Sansão, por mentirem. Ao contrário, ao lermos esses relatos bíblicos, deixa-se claro que eles fizeram o que era certo; aliás, vemos em Tiago 2:25, e Hebreus 11:31, a prostituta Raabe sendo citada como bom exemplo. Mas mentir é um bom exemplo de atitude? Afinal, Podia ou não mentir? A resposta... Mais adiante.
O sexto mandamento dizia: “não matarás”. E o oitavo: “não furtarás”. E o que nós vemos na Bíblia? Depois de dado o decálogo, vemos muitas passagens com matanças em combate, e diversas leis com penas de morte; (exemplos: Lev 20:16, Lev 20:9, Deut.17:6. Entre outras passagens, vemos por exemplo em 2 Crônicas 14:12-15, o judeu Asa com seu exército que, além de matar muita gente, eles também saquearam, roubaram. Em Josué 6:17- 21, os Israelitas além de saquearem os tesouros, mataram mulheres, crianças, velhos e até os animais de Jericó.
Em Juízes 14:10-19, Sansão matou 30 homens para roubar suas vestes festivais para cumprir uma aposta (os 30 coitados, nada tinham haver com a aposta). Em 1 Sm 15:3, o próprio Deus mandou matar até crianças de peito. As mulheres até comemoravam a matança em 1 Sm 18:7 . Daí vem a pergunta: mas e a “lei de Deus”, lei “superior” (como os adventistas proclamam) que dizia: não matarás?
Se o decálogo era superior às leis do livro, se a “lei de Deus” era superior à “lei de Moisés”, como que “não matarás” não impedia de se fazer guerra, nem impedia as leis de pena de morte? Vemos então que o decálogo não era lei superior. Mas afinal podia ou não matar? Roubar?
A resposta... Mais adiante.
E o mandamento sobre adultério? É dito: “não adulterarás”. E logo depois de dado o decálogo, em Êxodo 21:10-11, um homem podia ter mais de uma mulher, desde que mantivesse certos direitos à nova mulher, iguais aos da primeira. Agora vejamos o caso de Davi. Em 2 Sm 5:13 e em 1 Crônicas 3:1-9, vemos que Davi teve várias mulheres além de várias concubinas.
Outras passagens também mostram isso: ( 1 Sm 25:40-43) (1 Sm 27:3) (1 Sm 30;18) . E depois vemos em 1 Reis 11:33-34, Deus dizendo que Davi guardou os seus mandamentos. E várias outras passagens elogiam Davi, dizendo que ele fez o que era reto aos olhos de Deus;( 1 Rs 3:14) (1 Rs 11:4) ( 1Rs 11;6) (1 Rs 11:38) e principalmente, vemos em 1Rs 15:5, a Bíblia dizendo que Davi fez o que era reto aos olhos de Deus e não se desviou de nada em toda sua vida, só errando no caso de mandar Urias para o front de batalha para morrer e ficar com a mulher dele. Aí você se pergunta: como assim, só errou no caso de Urias? E todos os adultérios que Davi cometeu, tendo diversas mulheres e tantas concubinas?
E, além disso, Deus ainda disse que deu mulheres a Davi (2º Sm 12:7-12). Deus diz para não adulterar e depois dá várias mulheres para Davi? Também Salomão, só foi criticado na Bíblia por ter se casado com mulheres estrangeiras, mas não por ter várias mulheres (1 Rs 11:1-6). E isso muito tempo depois de ter sido dado o mandamento “não adulterarás”. Então podia ou não adulterar?
A resposta... Mais adiante.
E para aqueles adventistas que alegam que os dez mandamentos já existiam antes do Sinai, eu cito:
Gen. 26:6-12 ( Isaque mente ao dizer que era irmão de sua mulher e Deus ainda o abençoa.)
Gen 27:1-29 (Jacó mente e engana o próprio pai, se passando por seu irmão.)
Gen 29:15 até 30:22 (Jacó casa com duas mulheres e tem relações também com duas escravas.)
Gen. 30:14-23 (Raquel aluga o marido para a irmã em troca de plantas e Deus ainda atende os pedidos).
E principalmente: em Deut. 5:2-3 , Moisés, antes de citar os dez mandamentos disse que tal aliança não foi feita com os pais (ou antepassados) do povo de Moisés, mas sim com aqueles que estavam vivos naquele dia no Sinai. (aliás, este é um dos motivos porque os adventistas aprendem a citar somente Ex 20, como passagem referente aos dez mandamentos.)
Mas voltando ao foco: E agora? Como ficamos? Podia matar? Podia adulterar? Podia mentir? Podia roubar? A Bíblia se contradiz?
Não, a Bíblia não se contradiz caro leitor, a resposta está na questão do próximo. Analisando essas e outras passagens Bíblicas, conclui-se que o “meu próximo” na antiga aliança, era o meu próximo Judeu, meu próximo Israelita. Antes e depois do decálogo, quem era “do meu povo”, povo hebreu, é quem era o “meu próximo”.
Uma prova disso é o que fez Moisés em Gen. 1:11-14, onde ele vendo um egípcio espancando um hebreu (um do seu povo), matou o egípcio e escondeu o corpo; E no dia seguinte viu um hebreu espancando outro hebreu; mas, neste caso, Moisés apartou-os e disse ao agressor: “por que espancas o teu próximo”? Vejam, por que Moisés não fez o mesmo no caso do egípcio? Quando era um estrangeiro espancando um hebreu, matou o estrangeiro. Quando era hebreu contra hebreu, aparta a briga e diz que um é o “próximo do outro”.
Mas a maior Prova está em Mateus 5:43, onde Jesus diz: Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.” Ora, quem era o “meu próximo” para os judeus? Seriam os filisteus? Jesus afirmou que foi dito aos antigos para amar o seu próximo e odiar seu inimigo, logo vê-se que os inimigos, não eram nem de longe, o “meu próximo”. E claro que, o estrangeiro (não inimigo, amigo) que quisesse peregrinar e, ou morar junto aos filhos de Israel, deveria seguir as suas leis de cultura e crença (Num. 9:14 e 15:16); assim se tornava “um próximo”.
O povo judeu não podia matar... Outro judeu sem motivo justificado na lei. Com pena de morte, podia (e tinha) que matar. Mas claro, eles não saíam matando qualquer um sem motivo.
O povo judeu não podia mentir... Para outro judeu. Mentir para os outros povos (ou judeu rebelde) para favorecer o povo de Deus, “os mocinhos”, podia. E segundo a Bíblia de estudo da SBB (NTLH), o sentido original deste mandamento era que um israelita não deveria dar um falso testemunho contra outro israelita que estivesse sendo julgado.
E o adultério, na antiga aliança, tinha um conceito diferente. Uma pessoa casada não podia ter relações com outra que não fosse sua esposa ou seu marido, mas um homem podia ter várias esposas e concubinas. E a prostituição? Os filhos de Israel não podiam “tomar por mulher” (casar) com prostituta; mas um homem casado ou não, podia ter relações com ela. Em Juízes 16:1, Sansão teve relações com uma prostituta, e nunca foi criticado na Bíblia por isso. Ter várias esposas, concubinas e coabitar com prostituta, não era adultério.
Deus tenha Misericórdia.
Décio - um Aprendiz de Cristão.

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