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"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

DECÁLOGO: LEI PERFEITA E PARA TODOS OS POVOS? (Continuação)



2ª Parte: Desmembramentos e omissões
Segundo o ensino dos adventistas do sétimo dia, o decálogo é uma lei perfeita, completa, e Jesus resumiu essa lei (dez mandamentos) em dois (Mt 22: 36 a 40). Neste artigo vamos desvendar a verdade por detrás deste mito...

Na verdade, Cristo se referia a toda e única lei. Quando Jesus disse que amar a Deus com todas as forças e amar o próximo como a si mesmo eram as duas regras mais importantes, a base de toda a lei e os profetas, Ele afirmou que os dois mandamentos do Amor (escritos no livro, que ficava fora da arca) eram a base de tudo.
Ou seja, a base de tudo é o Amor. Jesus não disse que dos dez mandamentos dependia a lei e os profetas, mas que daqueles DOIS mandamentos do Amor dependia a lei e os profetas.

Vamos analisar algumas questões: como pode o decálogo resumido ser a lei do amor, se na íntegra, aberto item a item, mandamento por mandamento, nenhum diz: “ame”? E por que várias outras normas morais fundamentais para expressar amor ao próximo são omitidas? Por exemplo: para amar o próximo eu então devo: não matar..., mas então posso maltratar o cachorro do próximo? O decálogo por acaso proíbe maltratar animais? Não devo cobiçar nem roubar, mas posso destruir ou sabotar o que é do próximo? O decálogo não proíbe isso!
Devo honrar meus pais, mas se um estranho estiver em dificuldades posso omitir ajuda? O decálogo não proíbe omitir ajuda...

Vejam a parábola do bom Samaritano (Lc 10:30-37); naquele conto de Jesus, tanto um levita, como um sacerdote mestre da lei, não prestaram ajuda ao homem caído na beira da estrada, passando de largo. Mas qual dos 10 mandamentos da “lei moral”, eles transgrediram? Nenhum! Eles não roubaram, não mataram, não cobiçaram, não disseram falso testemunho, não adulteraram, não idolatraram e etc.
Nos dez mandamentos não estava escrito “não omitirás ajuda ao teu próximo” e também não estava escrito: “terás compaixão do teu próximo”. Perceberam? “Legalmente” eles não fizeram nada de errado, pois não transgrediram nenhum dos 10 mandamentos. Mas na visão da nova Aliança, eles transgrediram o 2º grande mandamento, de amar ao próximo - qualquer um, de qualquer povo, nação, raça, tribo ou língua - como a ti mesmo. Vários outros mandamentos morais estão ausentes no decálogo como: misericórdia, compaixão, gratidão, perdão, não a pedofilia, não a prostituição; além de outros. Amar o próximo como a ti mesmo vai bem mais além do que apenas seguir algumas regras em tábuas de pedra.
Além disso, constatamos também que o 2º mandamento é como um complemento do 1º: Se eu fizer uma imagem de qualquer coisa e me encurvar, servir e prestar culto a essa imagem, eu já estou tendo outro deus diante do único Deus, oras! Idolatria é adorar uma imagem ou coisa que o homem mesmo fez; é ter, criar um ídolo, outro ou outros falsos deuses. Se todas as normas e regras de conduta moral já estavam contidas (representadas) no decálogo como alegam muitos adventistas, pra que Deus desmembra o 1º mandamento, criando o 2°, sendo que o texto e o contexto mostram que ao quebrar o 2º, eu já quebro o 1º?

Vejamos: Deus proibiu fazer imagem para adorar, se encurvar e servir, prestar culto, sendo que isso já se enquadra em ter outros deuses, o que já é proibido no 1º mandamento; mas Deus não citou, e omitiu, por exemplo, o mandamento da gratidão, e da caridade.
Deus citou o 7º mandamento: não adulterarás. Mas, pra que citar: não adulterarás se logo depois citou noutro mandamento: não cobiçarás a mulher do próximo? Ora, se ninguém cobiçar o conjugue de ninguém, não se chega a adulterar. Pois o adultério é um resultado, um filho da cobiça. Então alguém diz: “ah, mas se Deus não citasse não adulterar, os casados poderiam cobiçar os solteiros, pois não são do próximo, são solteiros e assim cometeriam adultério...” Mas se eu, casado, cobiçar outra mulher mesmo solteira, eu já cobicei a mulher do próximo. “Ah, mas se ela é solteira, não é do próximo...”, mas acontece que: eu sou casado, e, se eu sou casado e cobiço outra mulher, ela logicamente não é minha, pois já sou casado; e se tal mulher não é minha, ela é (ou será) do próximo. Minha que não é.
E todo mundo por acaso não entende que o marido da próxima já está logicamente incluído na expressão: “mulher do próximo”, mesmo sem “o marido” ter sido mencionado? E se sou casado(a), eu sou o marido da próxima (ou mulher do próximo), então ninguém, sabendo que eu sou casado, deve me cobiçar; e se eu não devo ser cobiçado por ninguém, também logicamente vice-versa; pois já sou casado. Ou quer dizer que a pessoa solteira não poderia cobiçar a casada, mas a casada poderia cobiçar a solteira? É isso? Aí não seria pecado? Ora, é uma questão de lógica: se ninguém deve cobiçar o casado(a), o casado(a) não deve cobiçar ninguém. Se o fogo não deve ir à gasolina, é lógico que a gasolina não deve ir ao fogo.


Só depois da cobiça, vem o adultério: Indivíduo solteiro cobiça casado, ou casado cobiça solteiro, ou casado cobiça casado; e só depois da cobiça, pode-se chegar ao adultério. O adultério nasce da cobiça e é dependente da cobiça. Ninguém adultera sem que - nem que por um instante - cobice o outro (a).
Então por que Deus detalhou e desmembrou como adulterar é um pecado, e cobiçar é outro pecado, sendo que para haver o pecado do adultério, é preciso primeiro pecar cobiçando o parceiro(a) do futuro adultério? Será que o adultério então tem “peso 2” (igual ao 2º mandamento)? É mais grave? Pois para adulterar, você primeiro cobiça, ou seja, comete dois pecados transgredindo apenas uma regra. Acrescento também à cobiça, a questão do roubo. A maioria esmagadora dos roubos são provindos da cobiça. Ninguém rouba, (ou manda roubar), sem antes almejar, desejar, ou seja, cobiçar o produto do roubo: os ladrões sempre cobiçam o que é do próximo antes de roubar, isso é fato.

Vejam, Deus citou e relacionou mandamentos que já são desmembramentos ou complementos, ou conseqüências de outros já citados e não cita vários outros mandamentos morais? Essa é a “lei moral” perfeita? Imutável? Completa?
Por que Apenas duas orientações e oito proibições são citadas, sendo umas desmembramentos, resultados ou ramificações de outras também citadas, e vários outros mandamentos “morais” são omitidos?
Resposta: Porque os dez mandamentos foram dados dentro de um cenário, dentro de um contexto cultural para a situação da época, para aquele povo de Israel. Os conceitos morais eram diferentes. Por isso Deus detalhou e desmembrou certos itens. Como já foi dito anteriormente, o adultério na antiga aliança, tinha um conceito diferente; Uma pessoa casada não podia ter relações com outra que não fosse sua esposa ou seu marido, mas um homem podia ter várias esposas e concubinas.
E o homem casado podia cobiçar outras mulheres solteiras; ora, para ele casar com elas, as outras futuras esposas, ele antes logicamente desejava-as, cobiçava-as uma a uma, mesmo já sendo casado com as anteriores; e isso naquele tempo não era considerado adultério. Adultério era o ato propriamente dito. Por isso foi dito para não adulterar (isso era uma coisa); e dito para não cobiçar MULHER CASADA (isso era outra coisa); homem casado com 3, 5, 10, 15 ou mais mulheres, não cometia pecado por ter várias esposas, nem pecava cobiçando novas outras mulheres; o que não podia, era desejar nem se relacionar com mulher já comprometida.
Com Jesus Cristo, isso mudou.
Prova disso? Ele disse: “aquele que olha para uma mulher cobiçando-a, já comete adultério” (Mateus 5:28). Veja; até aquele momento ninguém na antiga aliança achava que estava havendo adultério quando um homem casado cobiçasse uma mulher solteira.
A Lei do Amor é a Lei de Cristo. Ele mesmo disse: “ouvistes o que foi dito aos antigos... eu porém, vos digo...” no AT, os antigos amavam a Deus pela letra da lei e o “meu próximo” era o meu irmão judeu, ou israelita. Jesus não veio confirmar a letra da lei, mas sim trazer o espírito da lei, o amor a Deus e ao próximo, (que através dele, Cristo) deixou de ser só o judeu, mas todos os povos são um só em Cristo Jesus.

Uma clássica pergunta adventista: “se a lei acabou então agora podemos roubar, matar, adulterar, cobiçar...?”
Essa pergunta é baseada na interpretação que coloca o decálogo como um “pacote fechado” de leis imutáveis e eternas, e eles a fazem para “calçar” a guarda do sábado.
A resposta: Nós, filhos da livre, filhos da Nova Aliança, claro que não fazemos e não podemos fazer nada disso. Mas nós não roubamos, não matamos, não cobiçamos e etc., não porque foi escrito nas tábuas de pedra, mas porque está escrito no Novo Testamento (com novos conceitos, para todos os povos) e são condutas que vão contra a norma de amar o próximo como a si mesmo.
A antiga lei acabou; mas acabou com a chegada da Nova e Eterna Aliança, onde é enfatizada a Lei do Amor e quem ama tem cumprido a Lei; ou seja, se você ama, você está cumprindo a lei de Cristo; pois, se você ama, você fará de tudo para não prejudicar seu próximo, e fará de tudo para construir o Amor e a Paz. E o Amor vai muito além de apenas seguir a risca algumas regras escritas em tábuas de pedra que não descrevem toda a conduta moral Cristã.
Os adventistas questionam que todos devem guardar o sábado porque tal mandamento estava nas tábuas de pedra, mas do mesmo modo, os adventistas procuram seguir (e muitos esquecem) várias regras e condutas morais como: ser solidário, compartilhar, não ser mesquinho, não ser egoísta ou avarento, não ser orgulhoso, reconhecer e prestigiar o esforço do próximo, ter compaixão, ter gratidão, não ter preconceitos, não omitir ajuda, perdoar...
O que eles mesmos sabem e admitem é que essas condutas são morais e fundamentais para o amor cristão e tais normas NÃO estão nos dez mandamentos. Eles seguem várias regras morais fora da “lei moral” e depois cobram que se siga uma regra que ficava dentro da tal “lei”.
Ou seja, devemos então seguir o mandamento do sábado, porque este estava dentro do decálogo; mas e todas outras normas morais que estão fora do decálogo? Seriam menos importantes? Devemos analisar.

Humilhando, dizendo a verdade.
Certa vez, um grupo de adventistas afirmou que: não ofender e não humilhar, já estão incluídos no mandamento que proíbe falso testemunho. Mas não é bem assim. Por exemplo, eu posso chegar num ponto de ônibus cheio de pessoas, e ao ver uma mulher chorando, e sabendo eu, que ela é uma prostituta, e que vive chorando pelos cantos, posso falar em bom tom no meio das pessoas: “a prostituta está chorando!” Ou somente: “prostituta chorando.
Ou também posso dentro do ônibus, ver um homem que talvez, por problemas renais tenha urinado nas calças, ele está agonizando para descer no próximo ponto, morrendo de vergonha, e então eu digo: “amigão, você urinou nas calças!” Tanto no caso da mulher, como no do homem, eu não levantei falso testemunho, eu não menti, eu falei a verdade, mas eu ainda assim, humilhei-os; eu os desmoralizei na presença de outros; causando talvez, danos morais.
Outro exemplo: dentro do arquivo morto da empresa onde supostamente trabalho, eu posso ouvir um colega conversando com seu melhor amigo, o qual confessa para o outro, que está com problemas sexuais no casamento. Então eu espalho essa informação pela empresa, contando exatamente o que ouvi, causando grande transtorno e humilhação para o meu próximo, dizendo a verdade. O decálogo não condena comentar com os outros, assuntos íntimos alheios, a lei “moral” não proíbe isso.

Super-valorização das pedras:
Certa ocasião, disse um adventista: “o que está nas pedras é moral e é de Deus; e a guarda do sábado foi gravada nas tábuas de pedra...”
Sim, mas não agredir, não magoar, não ofender, não ignorar ou não omitir compaixão; perdoar, não ter preconceitos, amar... Estão escritos nas tábuas de pedra? Por acaso não são normas bem morais? Todo bom Cristão procura seguir essas normas.
Analisem os exemplos:

O que é mais sagrado e importante: Deixar de cortar a grama no sábado, ou socorrer uma criança que sofreu uma queda feia? Não lavar o carro no sábado, ou alimentar um carente faminto? Deixar de cozinhar no sábado, ou perdoar uma grave ofensa?
Ajudar, socorrer, doar, estender a mão e, etc., são ações e condutas do mandamento amar ao próximo; mas a guarda do sábado seria mais importante porque foi gravado em tábua de pedra, e o segundo grande mandamento-base seria então, menos importante porque não foi gravado em pedra, mas foi escrito no livro da lei? Na “lei de Moisés”?
Quer dizer que perdoar tem menos valor que se abster de trabalhos no sábado, porque o mandamento do perdão não estava em tábua de pedra? Parece que para muitos adventistas, o decálogo tem mais valor do que as palavras de Cristo ou dos apóstolos na Nova Aliança.
Outra situação: reconhecimento e valorização.
Digamos que um menino de 6 anos, com muito empenho e dedicação, passa quase a tarde toda a fazer um desenho colorido para mostrar para seu pai quando este chegar do trabalho. A criança estava inspirada e queria impressionar seu pai. Quando o pai chega em casa, a mãe avisa o menino e lá vai o garotinho correndo eufórico para a garagem ao encontro do pai. Mas o pai, ao invés de elogiar muito e apreciar o trabalho do filho, fica mudo, nada diz; e quando o filho insiste, o pai diz que o desenho não ficou ruim, ficou bom, mas podia ficar melhor. Então o filho, decepcionado e com lágrima nos olhos, sai arrasado.


O pai não olhou para a euforia e expectativa do seu filho, olhou só diretamente para dentro do desenho em si, e deu seu parecer demonstrando falta de interesse. Foi frio com o menino. Pergunto: qual dos dez mandamentos o pai quebrou? Nenhum! Deve-se honrar pai e mãe, mas os pais não devem reconhecer o esforço e dar atenção ao filho? O decálogo não instrui à prestigiar, valorizar o trabalho, empenho, dedicação e esforço do próximo.


Muitas vezes, não valorizamos, não prestigiamos o empenho, o esforço do próximo, que, mesmo não tendo um brilhante resultado em um determinado trabalho, fez de tudo para alcançar o objetivo, fez o que podia para nos agradar e muitas vezes, nós não reconhecemos esse esforço. Esse reconhecimento e valorização do empenho, da dedicação, e esforço, (não propriamente do resultado) é bem moral, é bem cristão, pois faz parte e está dentro do mandamento amar o próximo. Mas nunca foi escrito nas tábuas de pedra...
Poderíamos citar diversas situações de conduta moral que o decálogo não cita. Mas para ir direto ao centro da questão, podemos afirmar que:
Os dez mandamentos não são a norma de perfeita conduta cristã - Jesus Cristo sim. A Bíblia nunca manda o cristão se espelhar nos dez mandamentos, mas em Jesus Cristo. Quem santifica a vida do ser humano é Cristo através da fé.
Portanto, quando os amigos adventistas (e outros) alegam que o decálogo foi dado para todos os povos e é imutável, eu lamento, mas isso não não é a verdade.

Somos filhos da livre... (NT) e não da escrava... (AT)
Que Deus tenha Misericórdia.


Décio - um Aprendiz de Cristão.
Extraído do blog Ex-Adventistas.com

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