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"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Análise da Doutrina do Juízo Investigativo

Análise da Doutrina do Juízo Investigativo

Phillipe Hottman

Introdução

Ennis,

Num estudo minucioso, que, somados os meses, levou mais de um ano para ficar pronto, analisei ponto a ponto a doutrina do Juízo Investigativo, seja nos escritos de Ellen G. White, seja nos textos bíblicos indicados pela doutrina adventista para sustentar essa doutrina.

Cheguei as seguintes conclusões:
1.      Sem os escritos de Ellen G. White, a doutrina do Juízo Investigativo NÃO se sustenta;
2.      Para justificar a existência do Juízo Investigativo, os versos bíblicos utilizados (para dar embasamento a essa teoria) são distorcidos, manipulados, retirados de seu contexto e forçados a dizer coisas que eles não dizem, nem em seu texto, nem em seu contexto.
3.      A doutrina do Juízo Investigativo é uma criação de Ellen G. White para justificar a data, a interpretação e o movimento de 1844.


O que Ellen White naquela época não sabia e não previa, é que essa doutrina daria muito trabalho e traria muitos problemas para a teologia adventista e ainda mais especialmente, para os teólogos adventistas. Isso mesmo, para sustentar e justificar essa doutrina, a IASD investiu pesado e com isso perdeu homens valorosos, capazes, verdadeiros, cristãos sinceros, que, por mais que estudassem, não viam nenhum sentido nessa doutrina estranha e antibíblica. Outros tiveram que se calar para manter suas posições, empregos e famílias.

Quando comecei o estudo, eu ainda acreditava em Ellen White, pois como adventista do sétimo dia, ainda que visse alguns problemas em aspectos específicos do seu ministério (a questão do empréstimo literário – plágio), no conjunto, eu ainda acreditava na questão do dom. Então, a princípio, o estudo não partia de um oponente, mas de um membro devoto. Mas quando terminei o estudo...

Bem, vamos ao estudo. Como ele é um pouco extenso, eu o dividi em duas partes.


Parte I – Apresentando o Porquê da Crença Adventista no Juízo Investigativo


Os Versos Bíblicos

1.      Após ler o Manual da Igreja [na parte das Doutrinas adventistas] e os textos de Ellen White, pode-se extrair os principais versos utilizados para sustentar a doutrina do Juízo Investigativo:
a)    o anúncio de um juízo (Apoc. 14:6 e 7);
b)   um juízo realizado nos Céus a “favor dos santos” e “contra o poder que os oprimia” (Daniel 7:9 e 10);
c)    [há] uma consulta aos livros para ver quem será livrado no tempo de angústia (Daniel 12:1 e 2);
d)   o fato de que os santos serão julgados antes dos ímpios (I Ped. 4:17).

2.      Outros textos bíblicos são ainda utilizados para ajudar a construir e reforçar a ideia do “juízo investigativo”. No entanto é bom recordar que a maioria dos textos seguintes falam sobre o juízo de forma geral e não trazem absolutamente nada que possa implicar em um juízo investigativo. Ou seja, a teologia adventista criou a partir desses versos uma associação com o tema, já que os versos falam sobre juízo.

3.      Estes versos bíblicos que são utilizados por Ellen White e pelos teólogos adventistas falam sobre:
a)      os livros (Êxodo 32:32 e 33, Salmos 69:27 e 28, Lucas 10:20, Apoc. 3:5, 20:12 e 15),
b)      o Livro da Vida (20:12),
c)      todos serão julgados (Eclesiastes 3:7, 12:14), 
d)      os mortos serão julgados (20:12),
e)      os santos julgarão os ímpios e os anjos (I Cor. 6:2 e 3),
f)        o galardão, a recompensa (Apoc. 22:12).

4.      Ainda outras referências bíblicas, que não utilizam a palavra ‘juízo’, são utilizadas como uma ‘ponte de ligação’ para se forçar uma chegada ao assunto, como por exemplo, Daniel 8:14, que fala sobre a purificação do santuário.

5.      Numa exegese límpida, sem extrair dos versos bíblicos o que não está [revelado] claramente no texto e no seu contexto, não há na Teologia Adventista e nos escritos de Ellen White os [alegados] elementos suficientes para estabelecer o “juízo investigativo” ou “juízo pré-advento”.

6.      Assim, qualquer inferência ou dedução para um “juízo investigativo” com tantos detalhes como os apresentados por Ellen G. White na obra “O Grande Conflito” é apenas e tão somente “uma interpretação” particular, NÃO uma afirmação clara do texto bíblico.


A análise de Apoc. 14:6 e 7, Daniel 7:9 e 10, Daniel 12:1 e 2 e I Ped. 4:17 e dos demais versos apresentados, não leva de forma alguma por si mesmos ao juízo investigativo. Nenhum teólogo e nenhuma Igreja defende isso. Em outras palavras, somente a Igreja Adventista e sua profetiza, partindo desses versos conseguiram chegar a essa conclusão.


A contribuição de Ellen White


Afirmamos a princípio que sem as declarações [afirmações] de Ellen White não é possível sustentar a doutrina do Juízo Investigativo. Você verá o porquê agora. Observe as afirmações que ela fez sobre o assunto “juízo investigativo” no livro “O Grande Conflito” (as páginas estão nos parênteses):

“A obra do juízo investigativo e extinção dos pecados deve efetuar-se antes do segundo advento do Senhor. Visto que os mortos são julgados pelas coisas escritas nos livros, é impossível que os pecados dos homens sejam cancelados antes de concluído o juízo em que seu caso deve ser investigado.” (p. 488)
"... os únicos casos a serem considerados são os do povo professo de Deus. O julgamento dos ímpios constitui obra distinta e separada, e ocorre em ocasião posterior". (p. 480)
"Começando pelos que primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada geração sucessiva, finalizando com os vivos. Todo o nome é mencionado, cada caso minuciosamente investigado. Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes.” (p. 486).
"O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para redenção do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário. Este é o serviço iniciado quando terminaram os 2.300 dias. Naquela ocasião, conforme fora predito pelo profeta Daniel, nosso sumo Sacerdote entrou no lugar santíssimo para efetuar a última parte de Sua solene obra: purificar o santuário." (p. 420). "Pela sua morte iniciou essa obra, para cuja terminação ascendeu ao Céu, depois de ressurgir." (p. 492). "Remissão, ou ato de lançar fora o pecado, é a obra a efetuar­se."(p. 417).
Vivemos hoje no grande dia da expiação.” (p. 489)
“Os que estiverem vivendo sobre a Terra quando a intercessão de Cristo cessar no santuário celestial, deverão, sem mediador, estar em pé na presença do Deus santo. Suas vestes devem estar imaculadas, o caráter liberto de pecado, pelo sangue da aspersão. Mediante a graça de Deus e seu próprio esforço diligente, devem eles ser vencedores na batalha contra o mal.” (p. 425)
“Deixando Ele o santuário, as trevas cobrem os habitantes da Terra. Naquele tempo terrível os justos devem viver à vista de um Deus santo, sem intercessor.”(p. 614)
“Satanás nada pôde achar no Filho de Deus que o habilitasse a alcançar a vitória. Tinha guardado os mandamentos de Seu Pai, e não havia nEle pecado que Satanás pudesse usar para a sua vantagem. Esta é a condição em que devem encontrar-se os que subsistirão no tempo de angústia.”(p. 623)
“Esta era a obra que, dia após dia, se prolongava por todo o ano. Os pecados de Israel eram assim transferidos para o santuário, e uma obra especial se tornava necessária para a sua remoção. Deus ordenou que fosse feita expiação para cada um...” (p. 418)
“Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes. Quando alguém tem pecados que permaneçam nos livros de registro, para os quais não houve arrependimento nem perdão, seu nome será omitido do livro da vida, e o relato de suas boas ações apagado do livro memorial de Deus. O Senhor declarou a Moisés: "Aquele que pecar contra Mim, a este riscarei Eu do Meu livro." Êxo. 32:33. E diz o profeta Ezequiel: "Desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, ... de todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória." Ezeq. 18:24. (p. 483)
“Os livros de registro no Céu, nos quais estão relatados os nomes e ações dos homens, devem determinar a decisão do juízo.” (p. 480)
A obra de cada homem passa em revista perante Deus, e é registrada pela sua fidelidade ou infidelidade. Ao lado de cada nome, nos livros do Céu, estão escritos, com terrível exatidão, toda má palavra, todo ato egoísta, todo dever não cumprido, e todo pecado secreto, juntamente com toda artificiosa hipocrisia. Advertências ou admoestações enviadas pelo Céu, e que foram negligenciadas, momentos desperdiçados, oportunidades não aproveitadas, influência exercida para o bem ou para o mal, juntamente com seus resultados de vasto alcance, tudo é historiado pelo anjo relator.” (p. 482)
“O juízo ora se realiza no santuário celestial. Há muitos anos esta obra está em andamento. Breve, ninguém sabe quão breve, passará ela aos casos dos vivos. Na augusta presença de Deus nossa vida deve passar por exame.” (p. 490)
“O mais profundo interesse manifestado entre os homens nas decisões dos tribunais terrestres não representa senão palidamente o interesse demonstrado nas cortes celestiais quando os nomes inseridos nos livros da vida aparecerem perante o Juiz de toda a Terra. O Intercessor divino apresenta a petição para que sejam perdoadas as transgressões de todos os que venceram pela fé em Seu sangue, a fim de que sejam restabelecidos em seu lar edênico, e coroados com Ele como co-herdeiros do "primeiro domínio". (p. 483, 484)


As Conclusões Adventistas

A partir dos textos bíblicos (mencionados a princípio) e dos textos de Ellen White (mencionados acima), o adventistas creem que em 1844, ao Jesus passar do Santo para o santíssimo do Santuário Celestial, teve início o juízo investigativo. O termo juízo investigativo se refere a obra de examinar os registros, mantidos pelos anjos celestiais, de todos os atos dos que professaram ser filhos de Deus. O resultado desta investigação minuciosa determinará quem estará qualificado para ir para o céu.

Assim, a teologia adventista crê num juízo investigativo porque acredita que:


a)       todos serão julgados, os justos e os ímpios;
b)       existem registros nos Céus do que se passa na Terra;
c)       existe a possibilidade de um nome ser riscado do livro da Vida;
d)       os justos serão julgados antes dos ímpios;
e)       os justos participarão do julgamento final na posição de juízes, pois também estarão julgando.

É verdade que estes itens são uma simplificação didática. Para a crença de que [todos] os justos serão julgados [num julgamento separado] antes dos ímpios, é dado o nome [ao juízo dos justos] de “Juízo Investigativo”.

Uma pessoa que não gastasse tempo analisando minuciosamente cada ponto, poderia até mesmo ser convencida da validade dessa ‘interpretação particular’ adventista. E durante um tempo, eu acreditei nessa doutrina. Mas felizmente, resolvi analisar e rapidamente descobri que há problemas nessa interpretação que levaram a controvérsias entre os teólogos da igreja sobre questões vitais ligadas ao juízo investigativo. Logo, a maioria dos que discordam da “crença oficial” preferem manter silêncio sobre a sua maneira de ver este tema, para não entrar em conflito com a Igreja (ou seja, com Ellen White).


Analisando e Questionando os pontos “sensíveis”


Há três grandes “questões” na doutrina do juízo investigativo que derivam de afirmações de Ellen G. White ou de escritores adventistas. A primeira é ligada ao próprio “juízo investigativo”, a segunda é ligada ao “pecado” e à “expiação” e a terceira é ligada aos santos no “tempo de angústia”. Essas questões são de fato “problemas”.

1.      O primeiro “problema” da doutrina do “juízo investigativo” reside em cinco conclusões de Ellen White. Ou seja, NÃO são afirmações do texto bíblico, são apenas conclusões da sra. White:
a)      de que o ‘juízo investigativo’ só se refere aos santos onde todos os que professaram ser o povo de Deus serão julgados;
b)      de que no “juízo investigativo” todos os que professaram ser o povo de Deus em todas as épocas serão julgados;
c)      os santos não comparecerão ao seu próprio juízo, mas serão representados;
d)      de que o ‘juízo investigativo’ começou em 1844;
e)      de que, a qualquer instante o “juízo investigativo” pode chegar a uma pessoa que está viva no tempo presente.

2.      O segundo “problema” da doutrina do “juízo investigativo” é derivado de sete questões ligadas ao “pecado” e à “expiação” no Santuário Celestial segundo a interpretação de Ellen G. White e de outros autores adventistas que seguiram a mesma linha de raciocínio dela. Novamente vale destacar, NÃO são afirmações dos textos bíblicos, mas interpretações:
a)      de que durante “dezoito séculos” os pecados foram apenas perdoados, não cancelados;
b)      de que “é impossível que os pecados dos homens sejam cancelados antes de concluído o juízo em que seu caso deve ser investigado” (p. 488);
c)      de que os pecados perdoados continuam anotados “nos livros de registro” (p. 420);
d)      de que é necessário que Cristo peça “perdão” uma segunda vez pelos pecados já confessados e perdoados dos santos (p. 483);
e)      de que a expiação de Cristo não é uma obra “completa” na cruz e tem sido completada ao longo dos séculos no santuário celestial;
f)        de que o “dia da expiação” no Santuário Celestial não dura “um dia”, mas um período de tempo indefinido (p. 489);
g)      de que o “dia da expiação” era uma figura (tipo) do dia do juízo.

3.      O terceiro “problema” dessa doutrina é ligado a conclusões de Ellen White sobre dois eventos subsequentes ao encerramento do juízo investigativo e a obra de Cristo no Santuário Celestial que ocorrem no “tempo de angústia”. NÃO são afirmações dos textos bíblicos, mas interpretações. Para Ellen White, ao finalizar o “juízo investigativo”, Jesus deixa o Santuário e antes do seu retorno a Terra:
a)      os santos terão de viver diante de Deus sem um intercessor;
b)      os santos alcançarão um tal  padrão de perfeição, ou de impecabilidade que “provará” para o Universo que é possível a “perfeita obediência humana” à lei de Deus.


Novamente sendo didáticos, percebe-se que há muitos pontos peculiares na “interpretação” adventista que levam à crença do “juízo investigativo” e a maioria deles é sustentada pelas declarações de Ellen White:

I.          O “juízo investigativo” só se refere aos santos;
II.       No “juízo investigativo” todos os que professaram ser o povo de Deus em todas as épocas serão julgados;
III.     Os santos não comparecerão ao seu próprio juízo, mas serão representados;
IV.    O “juízo investigativo” começou em 1844;
V.       A qualquer instante o “juízo investigativo” pode chegar a uma pessoa que está viva no tempo presente.
VI.    Durante “dezoito séculos” (ou mais) os pecados foram apenas perdoados, não cancelados;
VII.  “É impossível que os pecados dos homens sejam cancelados antes de concluído o juízo em que seu caso deve ser investigado”;
VIII.         Os pecados perdoados continuam anotados “nos livros de registro”;
IX.    É necessário que Cristo peça “perdão” uma segunda vez pelos pecados já confessados e perdoados dos santos;
X.       Afirmar que no sistema sacrificial através dos sacrifícios diários “o pecado transferia-se, mediante o sangue, em figura, para o santuário”, “contaminando-o”;
XI.    A expiação de Cristo não é uma obra “completa” na cruz e tem sido completada ao longo dos séculos no santuário celestial;
XII.  O “dia da expiação” no Santuário Celestial não dura “um dia”, mas um período de tempo indefinido;
XIII.         O  “dia da expiação” era uma figura (tipo) do dia do juízo.
XIV.         Os santos terão de viver diante de Deus sem um intercessor no tempo de angústia;
XV. Os santos no tempo de angústia alcançarão um tal  padrão de perfeição, ou de impecabilidade que “provará” para o Universo que é possível a “perfeita obediência humana” à lei de Deus.


Analisemos agora separadamente, um a um, os problemas dessa teoria ou doutrina do Juízo Investigativo, que tornam essa crença uma verdadeira distorção da mensagem bíblica.


I. O “juízo investigativo” só se refere aos santos onde todos os que professaram ser o povo de Deus serão julgados;


1.      EGW fala que os santos serão julgados, mas a Bíblia fala que os santos não passarão por juízo. João 5:24: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida.”

2.      Ellen G. White afirmou que no juízo investigativo “os únicos casos a serem considerados são os do povo professo de Deus”. Se é assim, como entender quando o Apocalipse fala: “Bem aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor” (Apoc. 14:13). Como poderia a Bíblia chamar de ‘bem aventurado’ alguém que ainda não foi julgado? E se essa pessoa não passar no “juízo investigativo”? Ela deixará de ser ‘bem-aventurada’?

II. No juízo investigativo todos os que professaram ser o povo de Deus em todas as épocas serão julgados;

3.      Ellen G. White fala que começando por Adão, cada caso será minuciosamente investigado. Se é dessa forma, por que então haveria a necessidade de juízo investigativo de pessoas que foram declaradas salvas antes de começar o Juízo Investigativo? Abel (Mateus 23:35), Abraão (Rom. 4:2-5), Isaque e Jacó (Mateus (8:11), O Ladrão na Cruz (Lucas 22:43), Moisés (Judas 9). 

4.      Ou seja, há uma lógica em se analisar o caso de alguém sobre quem se tenha dúvidas de sua salvação, mas é COMPLETAMENTE ILÓGICO fazer um julgamento de quem já foi “absolvido” e declarado ‘salvo’. E ainda se considerarmos que há “expectadores” invisíveis e de outros mundos nos observando, eles já estão conscientes da salvação alcançada pelos santos acima mencionados.

5.      Para Ellen G. White “todo nome é mencionado” no juízo de investigação. Qual a necessidade dos apóstolos passarem por um “juízo investigativo”? Seus nomes fazem parte dos fundamentos da Nova Jerusalém: “E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” (Apocalipse 21:14). É difícil de imaginar o que poderia ocorrer se algum deles for reprovado no juízo investigativo.

6.      Ellen G. White afirma que o exame no Juízo Investigativo começará pelos primeiros habitantes da terra e “nosso Advogado apresenta os casos de cada geração sucessiva”. Estranho, pois a  onisciência divina se revela claramente no conhecimento que Deus tem daqueles que lhe pertencem: “Todavia o fundamento de Deus permanece firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem...”(II Timóteo 2:19). Como isso precisa depender de um “juízo investigativo”? E qual a necessidade disso, se Jesus sabe quem lhe pertence? Em João 10:14 ele diz: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem”.



III. Os santos não comparecerão ao seu próprio juízo, mas serão representados;

7.      Ellen White afirma que os justos “não estarão presentes em pessoa no tribunal em que seus registros são examinados e decidido seu caso”. Porém, Paulo afirma que “todos nós devemos comparecer ante o tribunal de Cristo” (II Coríntios 5:10). Essa é uma contradição bizarra de Ellen White, pois se ela dissesse o contrário, até haveria algum sentido, pois este verso a justificaria.  


IV. O “juízo investigativo” começou em 1844;

8.      Ellen G. White afirmou que “é impossível que os pecados dos homens” [sejam] fossem cancelados antes de 1844. Se ninguém teria seus pecados totalmente “expiados” antes de 1844, pois ninguém ainda havia passado pelo “juízo investigativo” para o “cancelamento” dos mesmos, como a Bíblia afirma que Moisés, Elias e Enoque já estão no Céu? Ou no caso deles é diferente, porque como eles viveram antes da morte de Jesus, o sangue de bodes e carneiros foi suficiente para fazer a expiação? Eles foram dispensados do juízo investigativo? Ou a expressão “todos” que Ellen G. White utiliza não quer realmente dizer “todos”?

9.      Na nossa doutrina, nós afirmamos que as 2300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 cumprem-se em 1844. Isso está bem estabelecido com datas, textos bíblicos, diagramas proféticos e fatos históricos. Porém nós adicionamos como obra de Cristo no santuário Celestial, além da intercessão, a obra do “juízo investigativo”. Em Hebreus, livro “chave” no estabelecimento de nossa doutrina do Santuário, só há a descrição da “expiação” e “intercessão” de Cristo no Santuário Celestial. Não há nenhuma menção a algum “juízo” que Cristo realiza no Santuário. Não nos parece isso estranho?


V. A qualquer instante, o “juízo investigativo” pode chegar a uma pessoa que está viva no tempo presente.

10.  Temos as afirmações de Ellen G. White de que a qualquer momento o nome de uma pessoa que está viva  pode “passar” no Juízo Investigativo. Essa pessoa deve estar preparada para não ser pego de surpresa e ter seu destino traçado para sempre. Isto é incompatível com a segurança da salvação prometida pela Bíblia.

11.  I João 5:13 fala claramente da segurança da salvação. “Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna.”  Para uma pessoa que crê no juízo investigativo, como ela pode se sentir segura de sua salvação? Pense na suposição de que “ela creia firmemente que está salva” e se “sinta segura de sua salvação”, mas ela esteja “definitivamente perdida” com base no juízo investigativo. De que adiantam suas ações, sua certeza, sua segurança? Estaria Deus brincando com as pessoas?

12.  Em que a “insegurança” ajuda na vida do cristão? Como ele pode ter “paz” em Cristo, se Cristo não pode dar para ele a “segurança” da salvação (Mateus 11:28)?

13.  Na perspectiva do juízo investigativo, como ensinado pela Igreja Adventista, desde 1844 “convivemos” com “milhares de pessoas” que já estão irremediavelmente perdidas. Não há o que fazer por elas. Certamente algumas já passaram pelo “juízo investigativo”. Sabemos que pode ser qualquer um de nós. O que estamos fazendo na Igreja?

14.  Pelo visto, Paulo nada sabia do “juízo investigativo”, pois afirmou: "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro." (Filipenses 1:21). Se soubesse do juízo investigativo, ele não teria tanta certeza assim. Paulo disse também: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas também a todos os que amarem sua vinda.” (II Timóteo 4:7 e 8).

15.  Na verdade, nós adventistas não podemos seguir o “exemplo” de Paulo, que diversas vezes, de diferentes maneiras expressava sua segurança na salvação, pois Ellen G. White afirma que “aos que aceitam o salvador, por sincera que seja sua conversão, jamais se deve ensinar a dizer ou a sentir que são salvos.” (LPGM, p. 155, 1900).  Segundo ela, nós não podemos nem mesmo “sentir” que estamos salvos. Imaginamos que a única coisa que podia fazer Ellen White pensar assim era o “juízo investigativo”.



VI. Durante “dezoito séculos” (ou mais) os pecados foram apenas perdoados, não cancelados;

16.  Ellen G. White faz clara distinção entre ‘pecados perdoados’ e ‘pecados cancelados’. Para ela, os pecados perdoados dos santos só foram ou só começaram a ser cancelados a partir de 1844. A Bíblia afirma que os pecados são cancelados por ocasião da nossa conversão. Pedro afirmou: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados.” (Atos 3.19)



VII. “É impossível que os pecados dos homens sejam cancelados antes de concluído o juízo em que seu caso deve ser investigado”;


17.  Ellen G. White afirma que nossos pecados só estarão definitivamente apagados depois do Juízo Investigativo individual. A Bíblia afirma que os nossos pecados são apagados no momento em que nos arrependemos e os confessamos. Isaías 44:22: “Apago as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi.” Atos 3:19: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor”. 

18.  Três versos são ainda mais taxativos no sentido de dizer que nossos pecados, uma vez perdoados, são completamente esquecidos, apagados, purificados e lavados. Miquéias 7:18 e 19: “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.” I João 1:7: “... mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.” E Apocalipse 1:5: “Aquele que nos ama e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados.”


VIII. Os pecados perdoados continuam anotados “nos livros de registro”;


19.   Ellen G. White desconsidera que a Bíblia se explica a si mesma, pois usa textos no Grande Conflito (p. 481) para justificar que os registros permanecem no Céu, quando o próprio Deus prometeu “apagar” as transgressões quando nos arrependemos, confessamos e somos perdoados. Ela cita: "Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau." (Ecl. 12:14), mas lamentavelmente deixa de citar:  “E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniqüidades” (Hebreus 10:17).

20.  Ellen White cita: "De toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo" e  "Por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado" (Mat. 12:36 e 37). Mas deixa de citar: “Apagai as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi.” (Isaías 44:22). Ela também propositalmente ou por negligência não cita o que o Senhor declara ao profeta Isaías: "Eu, Eu mesmo, sou O que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados Me não lembro" (Isa. 43:25).

21.  Ela cita que Deus "trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações". I Cor. 4:5. Mas deixa de citar o profeta Miquéias, quando inspirado, ele diz: “Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.”( Miquéias 7:18 e 19).

22.  Ela ainda cita: "Eis que está escrito diante de Mim: ... as vossas iniquidades, e juntamente as iniquidades de vossos pais, diz o Senhor." Isa. 65:6 e 7, mas deixa de citar: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados.” (Atos 3.19).

23.  Ou seja, para manter e justificar a doutrina do juízo investigativo, Ellen White não permite que a Bíblia fale por si mesma e só cita versos que, deslocados, supostamente sustentariam a sua tese.

24.  Se Ellen G. White tivesse compreendido a grande misericórdia e o amor de Deus, ela talvez teria entendido textos como este de Juízes 10:16: “... e tiraram os deuses alheios do meio de si e serviram ao Senhor; então, Ele já não pôde reter a sua compaixão por causa da desgraça de Israel.” Ou esse outro onde Paulo declara que “Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores ... sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho”. (Rm 5: 6,8,10). Em síntese, para Ellen G. White, Deus é só justiça, não misericórdia.

IX. É necessário que Cristo peça “perdão” uma segunda vez pelos pecados já confessados e perdoados dos santos;

25.  Ellen White afirma que no momento do juízo investigativo “o Intercessor divino apresenta a petição para que sejam perdoadas as transgressões de todos os que venceram pela fé em Seu sangue” e também: “Jesus não lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e fé, e, reclamando o perdão para eles (...)”. (Grande Conflito, 484). Essa parte do Grande Conflito é tremendamente incompreensível e estranha, pois diversos textos bíblicos mostram que Deus perdoa os pecados daqueles que se arrependem, confessam e pedem o seu perdão. Mas para Ellen White, Jesus Cristo tem que pedir NOVAMENTE perdão para os santos. Não faz nenhum sentido essa ideia de Ellen White. Ora, com base em Atos 3:19, que diz “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados”, acreditamos que somos de fato perdoados. Mas para Ellen G. White não é assim que as coisas acontecem, pois é necessário que Cristo peça de novo perdão pelas nossas transgressões perante o Pai.

26.  Equivocadamente Ellen G. White assim afirma: “Assim se realizará o cumprimento total da promessa do novo concerto: "Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais Me lembrarei dos seus pecados." (citando Jeremias 31:34 no Grande Conflito, p. 485).

27.  Observe que Ellen White  desconsidera a interpretação que o próprio apóstolo Paulo deu a esse mesmo texto de Jeremias. Sim, Paulo já havia utilizado o texto de Jeremias e o interpretado em Hebreus 10:14 e 17. Vejamos:
14. Porque com uma só oferta aperfeiçoou para sempre os que são santificados.
15. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito:
16. Esta é a aliança que farei com eles Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, E as escreverei em seus entendimentos; acrescenta:
17. E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.
18. Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado.

28.  Paulo afirmou que “o Espírito Santo (também) no-lo testifica” que após o sacrifício (oferta) de Jesus se cumpre a promessa do novo concerto, de que Deus “não se lembraria dos nossos pecados”.  Observe a clara diferença: para Paulo isso já era um fato a partir da oferta de Jesus, em seus dias, mas para Ellen White essa promessa do novo concerto só se cumpre após o juízo investigativo, isto é, só a partir de 1844. Incrível: para sustentar uma doutrina absurda, Ellen White não aceita a interpretação de Paulo.

29.  Mas Ellen G. White não se satisfaz em “desconsiderar” apenas a interpretação de Paulo. Veja o que diz Pedro em Atos 3:19 e 20: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam cancelados (apagados) os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor, e envie ele o Cristo, que já dantes vos foi indicado”. Observe que Pedro CLARAMENTE coloca apenas o arrependimento e a conversão para que sejam CANCELADOS os pecados. Pedro não estabelece um intervalo de tempo após a conversão, para que os pecados sejam cancelados.

30.  E agora veja o que diz Ellen G. White sobre a declaração de Pedro: “Mas o apóstolo Pedro declara expressamente que os pecados dos crentes serão apagados quando vierem "os tempos do refrigério pela presença do Senhor", e Ele enviar a Jesus Cristo (Atos 3:19 e 20). Quando se encerrar o juízo de investigação, Cristo virá, e Seu galardão estará com Ele para dar a cada um segundo for a sua obra.” (Grande Conflito, p. 485).   

31.  Impressionante, não? Pedro situa o “cancelamento dos pecados” após o arrependimento e conversão ‘para que’ ou ‘de sorte que’ “venham os tempos de refrigério”. Perceba que infelizmente Ellen White (ou quem a influenciou nesta interpretação) faz uma “montagem” sutil da declaração de Pedro, para que pareça que os pecados só  serão cancelados no futuro. Uma ‘pequena distorção’, uma montagem sutil, para justificar mais um dos aspectos da doutrina do juízo investigativo. Leia o texto em diferentes versões (mesmo no grego) e você verá que de fato não há nenhuma separação de tempo entre a conversão e o cancelamento de pecados. Será que houve falta de conhecimento ou uma distorção intencional para justificar o posicionamento doutrinário com relação ao ‘juízo investigativo’?

32.  Ellen White distorce declarações bíblicas e interpretações de textos bíblicos feitas pelos próprios apóstolos para justificar a doutrina do juízo investigativo.

33.  A Bíblia afirma em Romanos 8:1 que “agora não há nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. Só há uma forma de entender a expressão agora (desde o ‘momento’ presente e desde a ‘decisão’ presente). Mas segundo Ellen G. White, o juízo investigativo ‘estabelece’ ou ‘cria’ a possibilidade de condenação. Estranho, não é?


XI. A expiação de Cristo não é uma obra “completa” na cruz e tem sido completada ao longo dos séculos no santuário celestial;


34.  Ellen G. White afirma que o trabalho de expiação de Jesus está quase terminado, mas ainda não foi completado. Para ela a “remissão, ou ato de lançar fora o pecado, é a obra a efetuar­se” no santuário celestial por Jesus (GC, p. 417). No entanto a Bíblia afirma que a expiação é uma “obra terminada”: através do sacrifício de Cristo na cruz (João 19:30 – “Está consumado”) e da consequente purificação dos pecados (Hebreus 1:3 – “... havendo feito a purificação de nossos pecados”). E Efésios 1:7 é taxativo: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça.”


XII. O “dia da expiação” no Santuário Celestial não dura “um dia”, mas um período de tempo indefinido;


35.  Para Ellen G. White nós estamos vivendo no “dia da expiação”. Além de separar o “ato da expiação” (morte de Cristo) do “dia da expiação” (supostamente o dia 22 de outubro de 1844), ela alonga indefinidamente a duração desse dia. Porém, de acordo com Hebreus 1:3, o apóstolo Paulo  apresenta como algo já realizado:  "... havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se a destra da majestade nas alturas.” Paulo não estava fazendo uma profecia, ele estava falando de algo que já ocorrera, Jesus Cristo JÁ ESTAVA assentado a destra do PAI na época em que Paulo escreveu.


XIII. O  “dia da expiação” era uma figura (tipo) do dia do juízo.

36.  Embora Ellen White se esforce para mostrar que Levítico 16 tenha relação com o “juízo”, não havia nenhum “juízo” no dia da Expiação na antiga Aliança. O sacrifício era “expiatório” apontando para o sacrifício de Cristo. E a expiação estava ligada diretamente ao perdão dos pecados, não a um juízo final (investigativo, no caso dos santos). O dia da expiação prefigurava o dia da morte de Cristo no calvário, não o dia do juízo.

37.  Fruto desse raciocínio divergente do que tipificava realmente o “dia da expiação”, algumas declarações de nossos teólogos são muito conflituosas. Veja o que diz M.L. Andreasen, que foi um dos maiores especialistas adventistas nesse assunto:  “O dia da expiação é um tipo adequado do dia do juízo.” (O Ritual do Santuário, p. 218).

38.  Não se sabe como Andreasen pôde divergir tanto do que é claro na Bíblia. Porque ele não disse que o “dia da expiação” era um tipo do “dia da morte de Cristo”?  É realmente difícil entender porque ele preferiu fazer referência ao dia do juízo.

39.  Como ele pôde fazer de um dia de perdão e reconciliação um dia de condenação? Como ele pôde pegar um dia  que é o “tipo” no Velho Testamento da redenção, da expiação, da salvação em Cristo e transformá-lo num “tipo” do “dia de juízo”? Certamente ele estava fazendo teologia influenciado pelos escritos de Ellen White.

40.  Não seria o “calvário” o dia da vitória suprema de Cristo sobre Satanás, e o dia da expiação dos nossos pecados o antítipo perfeito? A única explicação plausível é encontrada se compreendermos o esforço de Andreasen em não divergir das afirmações de Ellen G. White. Nos parece que teria sido mais lógico e mais fácil seguir o que está na Palavra de Deus.

41.  O “dia da expiação” é o “tipo” adequado do dia do nosso resgate, o ‘tipo’ do “dia da morte de Cristo”. O ‘tipo’ (dia da expiação) encontrando o ‘antítipo’ (dia da morte de Cristo). Isso na Bíblia é claro como cristal. Isso é claro para todos os cristãos! Era um “dia de aflição”, como diz Levítico 23:29, assim como o dia da morte de Cristo também foi “um dia de aflição”. Mas acima de tudo, o dia da expiação no Velho Testamento era um dia que simbolizava “a expiação suprema de Cristo”, não o juízo.






Parte II – Como Ellen White influenciou a Teologia adventista para um caminho de descrédito na Doutrina do Juízo Investigativo






Análise da Doutrina do Juízo Investigativo

Phillipe Hottman



Parte II – Como Ellen White influenciou a Teologia adventista para um caminho de descrédito na Doutrina do Juízo Investigativo


Ao analisarmos este assunto não se pode desconsiderar que a parte doutrinária do livro “O Grande Conflito” foi produzida e revisada a partir de escritos e influências de vários líderes da Igreja Adventista. Entre estes podem se destacar John N. Andrews, Urias Smith, Tiago White e William W. Prescott.

Ao afirmarmos este fato verídico (a influência recebida) não negamos de forma alguma a responsabilidade de Ellen G. White ao referendar o conteúdo da obra. Aliás, o que ocorreu com absoluta certeza foi a necessidade de se ajustar o QUEBRA-CABEÇAS criado para se justificar o movimento de 1844, que envolvia vários aspectos, entre eles, o que Jesus faria a partir de 1844, já que ele não era a sua volta a Terra o evento ocorrido.

Você verá na segunda parte deste estudo, que tudo o que é afirmado por Ellen White no Grande Conflito com relação ao Juízo Investigativo NÃO encontra respaldo bíblico e isso continua a trazer grandes problemas para a Teologia Adventista.

Continuemos a análise das questões:


XIV. Os santos terão de viver diante de Deus sem um intercessor no tempo de angústia;


1.      A promessa de Jesus é direta: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mateus 28:20). E é segura: “ Nunca te deixarei, jamais te desampararei” Hebreus 13:5. Deus diz que NUNCA nos deixará, e promete NUNCA nos desamparar.

2.      João, em sua primeira epístola nos diz que podemos nos sentir seguros: "Se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo." I João 2:1. E Paulo completou: "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo SEMPRE para interceder por eles." Heb. 7:25. Mas segundo EGW, no momento mais angustiante da sua vida, Jesus não estará lá para interceder por você.


XV. Os santos no tempo de angústia alcançarão um tal  padrão de perfeição, ou de impecabilidade que “provará” para o Universo que é possível a “perfeita obediência humana” à lei de Deus.


3.      A velha e atraente ideia ‘legalista’ sempre foi uma tentação para os adventistas, Mas neste ponto dos escritos de EGW ela atinge seu ápice: viver uma vida perfeita, impecável, e justamente quando NÃO se tem um mediador no céu. Impressionante como o desdobramento das ideias do juízo investigativo levaram ao velho dilema legalista.

4.      Mas quem desenvolve essa ideia e a torna abrangente é o teólogo M. L. Andreasen. Com bastante calma eu li completamente a sua obra “O Ritual do Santuário”. Posso com certeza afirmar que ele fez um gigantesco esforço para adequar todo o seu pensamento na interpretação dos versos bíblicos ao pensamento de Ellen White. Veja o que Andreasen no penúltimo capítulo de sua obra:

“A guarda dos mandamentos significa completa santificação, vida santa, inquebrantável fidelidade à retidão, afastamento completo do pecado e vitória sobre ele. Bem pode exclamar o mortal: Para essas coisas quem é idóneo!
No entanto, é essa a tarefa a que Deus Se propôs e que espera realizar. Ao lançar Satanás o desafio, afirmando: "Ninguém pode guardar a lei. É impossível. Se existe alguém que possa fazê-lo ou que o haja feito, mostra-mo. Onde estão os que guardam os mandamentos?" Deus responderá calmamente: "Aqui está a paciência dos santos: aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus". (Apõe. 14:12)
Digamo-lo reverentemente: Deus deve aceitar o desafio de Satanás.” (p. 207)


5.      Andreasen cria um ‘diálogo’ fictício entre o Criador e Satanás, onde Deus aceita o desafio de que é possível ao ser humano ser perfeito na guarda dos mandamentos. Pobre Dr. Andreasen! Para justificar o texto de Ellen White, ele se aprofunda em teses que vieram a ser negada por teólogos de seu tempo (anos 1950 e 1960). Uma das principais foi a tese ‘legalista’ da ´´ultima geração’ perfeita:

“... privados de todo apoio humano; satanás terá permissão de atormentá-los. Além disso, o Espírito de Deus se retirará da terra, e será eliminada a proteção dos governos terrestres. O povo de Deus ficará só para combater contra as potestades das trevas. Estará perplexo como Jó. Mas, como ele, se manterá firme em sua integridade.
Na última geração, Deus será reivindicado. No remanescente encontrará Satanás sua derrota. A acusação de que não se pode observar a lei, será refutada. Deus providenciará não só uma ou duas pessoas que observem Seus mandamentos, mas todo um grupo, denominado o dos 144.000. Refletirão plenamente a imagem divina. Desmentirão a acusação de Satanás contra o governo do céu.” (p. 208)

6.      O problema aqui é a ‘perfeição’, ou seja, perfeita obediência sem que sequer haja um mediador no Céu e sem a presença do Espírito Santo na Terra. Até onde pode ir a defesa de Ellen White?


Não faz sentido um Juízo Investigativo para os Santos. Eis o ‘porquê’:


1ª Razão – Não há Registro no Céu dos Pecados Confessados e Perdoados

O que diz a Teologia Adventista

1.      "Todos aqueles que verdadeiramente se arrependeram e pela fé reclamaram o sangue do sacrifício expiatório de Cristo, terão assegurado o perdão. Quando seus nomes forem chamados a julgamento e se constatar que eles estão revestidos pelo manto da justiça de Cristo, seus pecados serão apagados e eles serão considerados dignos da vida eterna." (Nisto Cremos, p. 418).

Análise

2.      Observe que os fieis somente terão seus pecados apagados quando forem chamados a julgamento. Em qual verso bíblico os teólogos adventistas se basearam para fazer tal afirmação?  Não se basearam em nenhum verso, apenas tomaram por base Ellen G. White. Se você, adventista, duvida disso, então releia o parágrafo anterior (acima) do livro de Doutrinas da Igreja chamado “Nisto Cremos”. Deseja você saber onde isso está fundamentado? Grande Conflito, 484:

3.      “... o sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para redenção do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário.”  É  Ellen White que crê que os “pecados perdoados” continuam registrados nos livros do Céu. E perceba que ela se referia aos “crentes arrependidos”, que haviam recebido o “perdão”.


O que diz a Bíblia

4.      O texto de Hebreus 10:14 a 17, ao fazer referência a uma profecia do Velho Testamento que se cumpriu na vida e morte do Messias é claro em mostrar três coisas:
a)      que o sacrifício de Cristo é completo e suficiente;
b)      que seu sacrifício aperfeiçoa os que nEle creem;
c)      que aqueles que o aceitam, recebem sua lei em seu coração e têm seus pecados apagados, esquecidos.

5.      Leiamos Hebreus 10: 14 a 17: “Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados. E o Espírito Santo também no-lo testifica, porque depois de haver dito:  Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seu entendimento; acrescenta: E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniquidades.”

6.       Como poderia Deus quebrar sua promessa de “não se lembrar mais de nossos pecados e iniquidades”, mas ao mesmo tempo manter um registro deles no Céu? Isso é COMPLETAMENTE ILÓGICO e sem sentido. De forma alguma, pois Deus é fiel e NÃO há nenhum registro de nossos pecados confessados e perdoados. O texto de Hebreus não foi escrito como uma promessa futura, referindo-se a 1844, mas uma realidade a partir da morte de Cristo em nosso lugar.


A misericórdia divina indica que os pecados perdoados são apagados dos registros. É uma equação LÓGICA. São lançados nas profundezas: “Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.” (Miquéias 7:18 e 19). Ou você acha que ‘lançá-los nas profundezas do mar’, ‘não lembrar-se deles’, ‘apagá-los como a névoa’ são apenas ‘forças de expressão’, retórica vazia, palavras sem sentido?


2ª Razão – Se alguém [um adventista] “não for aprovado” no juízo investigativo, logo ele será um “ímpio” e terá que passar por um “segundo” juízo.

Não é um jogo de palavras, mas a teoria do juízo investigativo invalida a própria tese do “juízo investigativo”. Observe que a Bíblia não fala que ninguém será julgado duas vezes.

O mais bizarro dessa situação é que somente “o professo povo de Deus” passará pelo minucioso juízo investigativo.

7.      Ao ser reprovado, o professo crente que agora não é mais crente, mas é um ímpio, passará pelo abrangente juízo final. O que leva a CONCLUSÃO DE QUE, em todo o tempo, em Sua onisciência, Deus já sabia que aquele “crente” era um ímpio e que no caso deste professo crente, o melhor julgamento era mesmo o “juízo final”. Mas Deus o deixou passar pelo juízo investigativo.

8.      A Doutrina do Juízo Investigativo comete a blasfêmia de tornar Deus declaradamente ‘malvado’ ou ‘descuidado’. Pense por você mesmo: Que tipo de Deus o juízo investigativo pressupõe? Um Deus que reserva aos professos crentes um destino pior que o dos ímpios: aqueles a quem Ellen White chama de ‘professo povo de Deus’ (GC., p. 480) são aqueles que tentaram ser cristãos e, como não conseguiram, deverão passar por “dois” julgamentos, o juízo investigativo (viveram atemorizados) e o juízo final (serão aniquilados).

9.      Disse Jesus: "... de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai, e diante de Seus anjos." Apocalipse 3:5. Cristo disse que DE MANEIRA NENHUMA riscará o nome dos santos do livro da VIDA. Ou seja, essa possibilidade NÃO EXISTE, então, para que esse juízo investigativo para os santos?

O “Juízo Investigativo” é desta forma um completo ABSURDO.


3ª Razão – Alguns Pioneiros da IASD não viam sentido nessa Doutrina


10.  Tiago White em mais de uma ocasião rejeitou a “crença num juízo investigativo”. Ele afirmou: “O Anjo do advento (Apocalipse 14: 5,7) “dizendo em alta voz, Temei a Deus e dai-lhe gloria porque a hora do seu julgamento é chegada”, não prova que o dia do julgamento viria em 1840 ou 1844, isso só ocorreria com o segundo advento. (Advent Review, Sept. 1850). "Alguns discutem afirmando que o dia do julgamento será antes do segundo advento. - Essa interpretação é certamente sem fundamentação  na palavra de Deus”. (Tiago White, Advent Review, Sept. 1850).

11.  Antes, ele já havia dito: "Não é necessário que a sentença final seja dada antes da primeira ressureição como alguns creem, para que os nomes dos santos sejam escritos no Céu, e Jesus, e os anjos certamente saberão como junta-los e leva-los para a nova Jerusalem. (A Word to the Little Flock, 1847, p. 24).

12.  Mas ele não foi o único, diversos pastores e eruditos adventistas têm recusado essa doutrina. Alguns tem se pronunciado, outros tem preferido guardar silêncio.


4ª Razão – Se existe Juízo Investigativo, o Espírito Santo trabalha em vão e o Trabalho celestial é muito lento


Se um adventista atual  (e olha que já são mais de 20 milhões no mundo todo) teve seu nome “passado no juízo investigativo” ela estaria vivendo antes do fechamento da porta da graça já totalmente perdido ou totalmente salvo. Certamente o Espírito Santo não deve trabalhar para auxiliá-lo, pois faria o trabalho de “advertí-lo” para quê?

13.  E milhares de pessoas devem estar nessa situação “dentro da Igreja Adventista”, pois é certo concluir que muitos destes “já passaram pelo juízo investigativo”, o qual começa e “se restringe” a “casa de Deus” como afirmou Ellen White e creem os adventistas. Ou será que passados 168 anos desde 1844, o juízo investigativo ainda não chegou aos “vivos”? Pensa você, querido adventista que eu estou falando uma bobagem? Então leia o que diz a própria Ellen White:

14.  Na primeira edição do “Grande Conflito”, Ellen G. White afirmou: “Há quarenta anos este trabalho está em progresso, brevemente, ninguém sabe quão breve se passará aos casos dos vivos. (GC, edição de 1884, p. 315). Ou seja, em 1884, o juízo investigativo já estava praticamente chegando aos vivos.  E antes disso, em 1850, na edição dos “Primeiros Escritos” ela afirmou: “Vi que o tempo para Jesus permanecer no lugar santíssimo estava quase terminado e esse tempo podia durar apenas um pouquinho mais; que o tempo disponível que temos deve ser gasto em examinar a Bíblia, que nos julgará no último dia.” (p. 58)

15.  Já na grande revisão da obra “O Grande Conflito”, em 1911 e nas edições subsequentes, as palavras foram modificadas: “O juízo ora se realiza no santuário celestial. Há muitos anos esta obra está em andamento. Breve, ninguém sabe quão breve, passará ela aos casos dos vivos." (The Great Controversy, edição em inglês, 1950, p. 490). Bem, se atrasou um pouquinho, os redatores que ‘mexem’ nos escritos de Ellen White deram uma atualizada. Em outras palavras, em 1950 já estava chegado a vez dos vivos serem julgados no juízo investigativo.

16.  Se essas declarações de Ellen White não são uma afronta ao BOM SENSO, então TUDO indica que o “juízo investigativo” é muito “trabalhoso” e “demorado”. Tantos anos se passaram desde 1844 e ele ainda não está concluído.

17.  Ao fazer este comentário não estamos de forma alguma desvalorizar os que “acreditam” nessa doutrina, mas queremos mostrar que o “juízo investigativo” é realmente INCOMPATÍVEL com um DEUS “ONISCIENTE” E “ONIPOTENTE”, que tudo sabe e que não necessita deste tipo de juízo para saber quem são os “salvos”.  É a Bíblia que diz que Deus não precisa disso:

18.  Leia Hebreus 4:12 e pergunte se Deus precisa de um “juízo investigativo”: “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.” Ou seja, se hoje, computadores modernos podem fazer tarefas incríveis em tempo recorde, o ‘juízo investigativo’ está dizendo que Deus pode menos do que um computador?

19.  Sabemos que o Espírito Santo trabalha com cada pessoa, apelando para a sua conversão, falando-lhe e dirigindo-lhe para que siga os caminhos de Deus. FAZ SENTIDO UMA PESSOA JÁ TER SIDO REPROVADA no “juízo investigativo” sem ter cometido o pecado contra o Espírito Santo? Como deve ser a vida desta pessoa?

20.  Ainda mais uma reflexão: se uma pessoa “já está salva ou perdida” não faz a menor diferença se ele está ou não na Igreja, pois nada vai alterar o que já está “estabelecido”. ELE JÁ ESTÁ DEFINITIVAMENTE PERDIDO após a sentença do juízo investigativo. Deve ser por isso que a Igreja Adventista é tão preocupada em trazer novos conversos e é TÃO DESCUIDADA com os próprios membros. Que lástima.


5ª Razão – Se há Juízo Investigativo, os pecados (perdoados) dos Ímpios são EXPIADOS antes que sejam EXPIADOS os pecados dos justos.

“E ele é a propiciação [expiação] pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” I João 2:2.

Imagine um ímpio que se arrepende e pede sinceramente perdão pelos seus pecados. Muda de vida e vai para a Igreja. Os pecados dele foram confessados e perdoados. Por Deus foram lançados na profundezas. Isso é um fato completamente possível. Essa é a razão de ser do Evangelho, a conversão das pessoas. Mas a Bíblia não diz que uma vez salvo, salvo para sempre...

21.  Infelizmente, após algum tempo, ele cede aos apelos do “velho homem” e abandona a Igreja e retorna ao mundo e comete novos pecados dos quais não vem a se arrepender.

22.  Na proposta de Ellen White, no “juízo investigativo” no caso dos ‘justos’, seus “pecados perdoados” permanecem registrados nos livros celestiais, e logo se conclui que o mesmo se passa no caso dos ímpios.

23.  Mas os ímpios só serão julgados no “juízo final” e segundo a tese de Ellen White, isso só ocorrerá depois de terminado o Juízo Investigativo.

24.  Mas o apóstolo João disse que Cristo já fez a expiação pelos pecados do mundo inteiro. Isso vem a ser um grande complicador para a tese de Ellen White: os pecados perdoados dos ímpios já foram expiados “antes” que eles sejam julgados. Mas no caso dos “justos”, os pecados perdoados só serão “expiados” após eles terem sido julgados. ISSO NÃO FAZ NENHUM SENTIDO.

25.  O que faz sentido pela Bíblia é que os pecados (perdoados) de TODOS foram expiados de uma ÚNICA vez pelo sacrifício de Cristo.

26.  Como se percebe, a teoria do Juízo Investigativo é ABSURDAMENTE cheia de falhas conceituais, cheia de falhas de lógica, falhas cronológicas e falhas de interpretação bíblica.



6ª Razão – Quem invalida a Doutrina do Juízo Investigativo e desmoraliza a Igreja Adventista são os próprios escritos da Igreja


Se já não bastassem os escritos de Ellen White, sempre aparece mais um autor adventista com teorias mirabolantes e frases que são um verdadeiro ‘tiro no pé’. Veja só:

27.  Olhem a IMPRESSIONANTE declaração de Clifford Goldstein: “Se a doutrina de 1844 não era bíblica, Ellen G. White pertencia à mesma classe de Mary Baker e de Joseph Smith.” ... “Se o juízo de 1844 não era bíblico, a igreja tampouco o era. (...) A lógica me dizia que se a data de 1844 não fosse bíblica, o adventismo não seria nada mais do que uma seita.” (Clifford Goldstein, 1844 - Uma Explicação Simples das Principais Profecias de Daniel, p. 9 e 10).  Então, num esforço tremendo para que ‘sua amada igreja’ e sua ‘amada profetiza’ não fossem desmoralizados, o autor escreve uma obra inteira.

28.  Mas, no esforço para provar suas teses, o escritor adventista Clifford Goldstein apela: ele diz que se ele está enganado, Ellen G. White vai para a vala comum de Joseph Smith e Mary Baker, dois ‘profetas’ de outras igrejas protestantes do século XIX nos Estados Unidos e a IASD transforma-se numa seita. Logo, quem diz isso, que a Igreja pode ser uma seita (se ela está enganada) é o próprio Clifford, não os opositores. E será que Ellen White é melhor do que Joseph Smith e Mary Baker, como Clifford quer fazer parecer?

29.  Nada mais estranho e lamentável. É sempre a mesma história, quando não se pode valer dos argumentos bíblicos, alguns de nossos teólogos apelam para Ellen G. White. E não podendo se fiar nela, eles entram em descrédito. Além disso, sendo que o juízo investigativo uma doutrina antibíblica, as declarações dele não ajudam em nada. Declarações bombásticas NÃO podem alterar a verdade do texto bíblico.



7ª Razão – O Juízo de Daniel (7, 8 e 9) e de Apocalipse (14) é para os ímpios. É um Juízo ‘a favor dos santos’ e ‘contra o poder que os oprimia’


O contexto de Daniel 7:9-10 é uma sequência da visão dos animais que representam os reinos-impérios mundiais. Observe que a narração do juízo vem logo após o “animal terrível e espantoso” e seus “dez chifres” e “o chifre pequeno”.

30.  Esta é uma narração onde detalhes do juízo e explicações sobre ele são apresentadas algumas vezes entre as narrativas de Daniel e a explicação que lhe foi dada. Leia todo o capitulo e depois observe estes detalhes importantes:

Visão de Daniel:    Versos 10, 11 e 12: “Assentou-se para o juízo, e os livros foram abertos”.

Observe que Daniel faz duas narrativas consecutivas do quarto animal e do chifre que oprimia o povo de Deus. Ele começa narrando nos versos 7 a 9, e depois, quando ele quer saber a interpretação ele complementa a sua narração, nos versos 19 a 22. Perceba que Daniel aumenta os detalhes narrados quando ele faz as perguntas sobre o quarto animal.

Visão de Daniel:    Versos 21 e 22 “Enquanto eu olhava, eis que o mesmo chifre fazia guerra contra os santos, e prevalecia contra eles, até que veio o ancião de dias, e foi executado o juízo a favor dos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino.

Perceba que nos versos 21 e 22,  Daniel está repetindo o que já havia dito anteriormente, só que com mais detalhes sobre o quarto animal e seus chifres. Não se trata de outro juízo, mas de UM MESMO JUÍZO JÁ CITADO.

Interpretação do anjo, versos 23 a 27: “Assim me disse ele: O quarto animal será um quarto reino na terra, (...)  Quanto aos dez chifres (...) e depois deles se levantará outro (...) Proferirá palavras contra o Altíssimo, e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei; os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo.   Mas o tribunal se assentará em juízo, e lhe tirará o domínio, para o destruir e para o desfazer até o fim.    O reino, e o domínio, e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo.

Observe que na interpretação do PRÓPRIO ANJO, ele só faz menção de UM “JUÍZO” e não dois ou mais tipos de juízo.

Observe também que tanto na narrativa de Daniel, como na explicação que lhe foi dada esse “único” juízo se estabelece a “favor dos santos do Altíssimo”  e “contra” o poder do quarto animal e seu derivado pequeno chifre que oprimiu o povo de Deus.


31.  O Juízo Investigativo de Ellen White é realizado para julgar ‘o professo povo de Deus’, ao passo que o Juízo mencionado por Daniel é ‘a favor dos santos do Altíssimo’. Então, Daniel não está falando de Juízo Investigativo.

32.  Ainda um último detalhe importante. Tanto na visão de Daniel, como na explicação que lhe foi dada, temos uma completa descrição do Juízo contra os que oprimiam o povo de Deus:

33.  I - Consequência deste juízo para os poderes citados: Na visão de Daniel: “o animal foi morto, e o seu corpo destruído; pois ele foi entregue para ser queimado pelo fogo. Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia foi-lhes concedida prolongação de vida por um prazo e mais um tempo”.   Na explicação do anjo: “Mas o tribunal se assentará em juízo, e lhe tirará o domínio, para o destruir e para o desfazer até o fim”.

34.  II - Consequência deste juízo para os santos do Altíssimo: Na visão de Daniel:  “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, sim, para todo o sempre.”  Na explicação do anjo: “O reino, e o domínio, e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo.”

35.            Em síntese, esse ÚNICO juízo mencionado tem TUDO a ver com o JUÍZO FINAL e NADA a ver com um juízo investigativo.

36.  NÃO há no capitulo 7 de Daniel uma narrativa de dois ou mais juízos diferentes. Embora sejam apresentados detalhes em progressão sobre esse juízo, tanto por Daniel, como pelo intérprete da visão, um único juízo é o que temos aqui.

37.  E seria uma afronta ao texto bíblico dizer que se trata de um “juízo investigativo”. É um juízo “a favor” do povo santo contra o “poder” que o oprimia. Note queeste juízo desfaz o poder do opressor e acaba com ele. Este mesmo juízo entrega o domínio e a grandeza dos reinos ao povo dos santos do Altíssimo.

38.  Isto já ocorreu? Claro que não! O contexto deste capitulo dá a entender que se trata do juízo final (juízo retributivo) de Deus sobre os poderes que oprimiram o seu povo. Em outras palavras, trata-se do Julgamento feito por Deus contra o poder que estava perseguindo os santos. Os santos não são julgados por seus pecados neste juízo.

39.  O juízo é reservado aos ímpios. “Mas qualquer que Me negar diante dos homens, Eu o negarei também diante de Meu Pai, que está nos Céus." Mateus 10:33.

40.  Em Apocalipse 14, a narrativa é tríplice, mas NÃO pressupõe um Juízo Investigativo. Leia em qualquer versão o texto das três mensagens angélicas.

“6. E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo.
7. Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.
8. E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição.
9. E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão,
10. Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.
11. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome.” (Apocalipse 14:6-13).

41.  Não se pode definir com segurança absoluta o “tempo” do juízo mencionado em Daniel 7 e em Apocalipse 14. Essa tentativa implicará certamente em confusão e engano. Note que o juízo de Deus é “manifesto”, não uma investigação da qual os interessados nada sabem. O juízo de Apocalipse 14 é aberto e anunciado a TODOS: ele não é um juízo escondido, camuflado, que pode acontecer de repente, inclusive com um ‘réu’ vivo que não sabe se foi julgado ou não. Dessa forma, a apresentação se dá no dia da “manifestação do juízo de Deus” (Romanos 2.5), “o qual trará também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações”. (I  Coríntios 4:5).



8ª Razão – O Juízo Investigativo é a mais clara e próxima descrição do PURGATÓRIO na Teologia Moderna


Embora de forma velada e não totalmente oficial, a Igreja Católica abandonou a pregação da crença no Purgatório. Mas e os adventistas com seu amedrontador e atemorizante juízo investigativo?


42.  O próprio M. L. Andreasen, mesmo dizendo que “a expressão “juízo investigativo” se adapta ao caso do julgamento dos justos” (O Ritual do Santuário, p. 218), concorda que pode haver objeção ao termo. Ele faz um esforço para contornar a situação dizendo que o “juízo investigativo” pode ser chamado de “a hora do juízo” em contraste com o “dia do juízo” (Apoc. 14:7; Atos 17:31). O esforço é INÚTIL, pois o sentido do juízo em Apocalipse 14 não é o juízo dos santos, mas dos ímpios.

43.  Numa CONCLUSÃO ÓBVIA, os adventistas que morrem crendo no “juízo investigativo” ficam em um verdadeiro “limbo”. Seus parentes sabem que seus pecados não foram cancelados, foram apenas perdoados. Angustiados, seus amigos adventistas não sabem se eles serão ou não salvos.

44.  Mas calma queridos adventistas, finalmente chegará em que o nome de seus amigos ou familiares passará pelo “juízo investigativo”. E após o RESULTADO do juízo INVESTIGATIVO, alguns adventistas serão ABSOLVIDOS e poderão aguardar no túmulo o dia em que irão para o céu. Outros, infelizmente NÃO serão absolvidos, isto é, eles serão condenados no juízo investigativo e assim, irão para outro juízo, o juízo final, quando, após saberem que seus esforços foram em vão, eles irão para o tormento.

45.  Estes adventistas estavam num verdadeiro “PURGATÓRIO”. Era um purgatório brando (brando, porque felizmente na crença adventista eles estavam “dormindo”). Ufa!!!



9ª Razão – O Juízo para Premiação (onde não há NENHUMA possibilidade de CONDENAÇÃO)  é somente para os Santos.


Além de ser contra os ensinamentos bíblicos, o “juízo investigativo”  aplicado aos justos foge ao bom senso e a lógica humana. Quando se sabe que uma pessoa é justa, NÓS NÃO A SUBMETEMOS A JULGAMENTO. Ela simplesmente recebe os benefícios de ser justa. E Jesus sabe quem lhe pertence, Ele não precisa de um juízo para isso!

46.  O juízo, no sentido bíblico de um tribunal de julgamento para a condenação, é para os ímpios. O texto bíblico é direto: II S. Pedro 2:9 diz que  “... sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados”.

47.  Em Mateus 13, Jesus disse que o justo ouvirá: “Bem está, servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei”. Disse Jesus em Apocalipse: "O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai, e diante de Seus anjos."

48.  A verdade sobre o juízo é incontestável na  Palavra de Deus. Mas não se pode confundir jamais o claro ensino de que no caso dos santos, eles serão “separados” dos ímpios para receber de Deus o galardão prometido aos fiéis (Mateus 13: 47-50). Compareceremos diante de Deus para receber a sua recompensa, ou será algo feito de “forma investigativa”, sem que saibamos? Não, pois a Palavra de Deus é clara: “Pois todos nós devemos comparecer ante o tribunal de Cristo” (II Coríntios 5:10). Não enfrentaremos um tribunal de acusação, ao contrário dos ímpios, mas receberemos de Deus o seu galardão.

49.  O Juízo dos Santos em seu comparecimento ante o tribunal de Deus (II Coríntios 5:10) é um momento de júbilo, de recompensas aos fiéis. Para os santos está reservado o “galardão” da vitória, que Cristo promete dar a cada um “segundo a sua obra” (Apocalipse 22:12). Para os santos estão reservadas as palavras: “Bem está, servo bom e fiel. Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor.” (Mateus 25:23).

50.  Para os justos está reservado o convite: “Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” (Mateus 25:34). Para os fiéis, o “juízo” de Deus reserva as promessas “ao vencedor” descritas no último livro da Bíblia (Apocalipse 2:7,11,17,26,27 e 3:5,12,21).

51.  Dessa forma, quando é afirmado por Salomão que “Deus há de trazer a juízo toda a obra, até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau” (Ecl. 12:14), fica claro que para os bons Deus trará a juízo o que “é bom”, e para os ímpios, o que é “mau”. Não faria o menor sentido, no momento do “juízo” dos justos, serem repassados os pecados que eles cometeram, como preconiza o juízo investigativo. E ainda mais em se considerando que seus pecados foram perdoados e lançados “nas profundezas do mar”. (Miquéias 7:19).

52.  A maravilhosa promessa, a da salvação sem depender de um “juízo investigativo”, Cristo fez ao ladrão lá no calvário: “Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso.” (Lucas 23:43). Cristo NÃO poderia contradizer a sua própria palavra, ao PROMETER algo que AINDA dependia de uma MINUCIOSA análise. O verso teria que ser remodelado para algo ABSURDO como “Em verdade te digo hoje, se fores aprovado no juízo investigativo, estarás comigo no paraíso.” (Lucas 23:43). ABSURDO dos ABSURDOS.

53.  Quando Jesus afirmou ao paralítico: "Filho, tem bom ânimo; perdoados te são os teus pecados." (Mateus 9:2) ele queria dizer apenas: teus pecados são perdoados, mas não cancelados? Não, de forma alguma e repetimos aqui as palavras de Pedro, quando afirmou: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados.” (Atos 3:19) É desagradável e ao mesmo tempo necessário fazer esse comentário: será que aparecerá algum especialista adventista para dizer que estes textos bíblicos contém erros de tradução?

54.  Realmente é difícil, para não dizer IMPOSSÍVEL, conciliar a doutrina do ‘juízo investigativo’, que pode nos “condenar’ a qualquer instante (sem que o saibamos), com o evangelho da graça de Cristo. Falando sobre aqueles que aceitam a Cristo, Paulo perguntou e respondeu: “Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” (Romanos 8:34). Aos santos, Paulo diz que NADA pode nos separar do amor de Deus. Para Ellen White é um pouco diferente, pois o Juízo Investigativo pode nos separar do amor de Deus.


A palavra de Deus é clara: os que aceitam a Jesus não passarão pelo juízo! Não podemos confundir os diferentes sentidos da palavra juízo, mas o único tipo de juízo pelo qual passam os santos é o ser feita a justiça em favor deles: receberão o galardão de Deus!



10ª Razão – Não existe Juízo Investigativo, porque Cristo não está nos julgando agora, Ele está intercedendo por nós, e isso de maneira nenhuma se constitui num juízo


O que faz Cristo no Céu neste momento? Para Ellen G. White Cristo está agora ocupado na tarefa de julgar os justos: “Quando se encerrar o juízo de investigação, Cristo virá, e Seu galardão estará com ele para dar a cada um segundo a sua obra." (GC, p. 489). Segundo ela, Ele está realizando o juízo de investigação (juízo investigativo). Mas é isso que diz a Bíblia?

55.  Mas está Cristo agora ocupado em um juízo investigativo?  NÃO, de forma alguma. A Bíblia fala que Cristo está agora ‘intercedendo por nós’: “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se achegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. (Hebreus 7:25). João diz que Ele é nosso “advogado junto ao Pai” (I João 2:1).

56.  É fato que chegará o dia em que Ele julgará as nações e no Seu papel de juiz, condenará os ímpios no juízo final. Ele tem a autoridade para julgar. “O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo.” (João 5:22). Cristo “foi constituído juiz dos vivos e dos mortos.” (Atos 10:42). Deus “com justiça há de julgar o mundo, por meio do Varão que destinou.” (Atos 17:31). Mas em todos estes versos se vê claramente que o “juízo” não é para os santos, mas para os ímpios.

57.  "Qualquer que Me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante de Meu Pai que está nos Céus.”  Apoc. 3:5; Mat. 10:32. Observe que essas são PROMESSAS reservadas aos SANTOS, uma verdadeira INTERCESSÃO, não um juízo. A intercessão de Jesus não implica num juízo investigativo “antecipado” para os santos.




11ª Razão – O Juízo para Premiação NÃO pode nem mesmo ser chamado de Juízo pois nele nenhum justo será condenado


58.  Jesus faz aos seus seguidores uma promessa imediata: “Na verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida". (João 5.24)

59.  Compareceremos diante de Deus apenas para recebermos o nosso galardão, pois já estamos “salvos em Cristo”. A promessa é maravilhosa: “Quem crê nEle não é condenado; mas quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus.”(João 3:18).

60.  Veja que a promessa de Jesus é feita no presente, no agora, no hoje! Não em um “vago e impreciso” momento “investigativo”, que ninguém sabe bem ao certo. Os salvos comparecerão diante de Deus em segurança, certos de sua salvação, assegurada pelo sangue de Cristo, para receber sua maravilhosa recompensa.




12ª Razão – Pode o Juízo Investigativo ser sustentado pelo texto de Daniel 12:1? NÃO, pois Daniel 12:1 é o momento de libertação para o povo de Deus no limiar da volta de Cristo

“Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo; e haverá um tempo de tribulação, qual nunca houve, desde que existiu nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. (Daniel 12:1 e 2)


61.  Este texto NÃO pode ser uma BASE para o Juízo Investigativo proposto por Ellen White por razões bem SIMPLES:

a)      Ele se refere claramente ao tempo de angústia;
b)      Ele ocorre imediatamente antes da ressureição.

62.  Há uma ‘verificação’ dos nomes no livro da Vida. Já sabemos que não podemos associá-la e nem chamá-la de ‘juízo’, sendo que é uma referência aos santos (João 5:24). Ora, sendo evidente que isso ocorre antes da volta de Jesus (Daniel 12:1), antes da primeira ressurreição (I Tess. 4:16) e antes do juízo final, é correto então chamar de “juízo” a “verificação” da qual fala Daniel 12:1 e 2?

63.  Este texto é importante porque claramente contém elementos “chaves” inegáveis: a) só serão livrados os que tiverem o nome escrito no livro; b) o texto associa isso ao tempo de angústia; c) o texto faz referência aos vivos; d) o texto faz referência a ressurreição.

64.  Por que não estaria aqui o juízo investigativo? Duas importantes informações que decorrem da análise dão essa resposta. A primeira é o período de tempo envolvido na verificação dos nomes no Livro. NADA indica que seja um período longo, pois ele é mencionado como ocorrendo como um fato ligado ao próximo acontecimento que é a ressureição.

65.  Além disso, os que serão salvos ou libertos no tempo de angústia são apenas os que estiverem vivos nessa ocasião. Observe com atenção o texto e veja que Daniel associa o “encontrar” o nome no livro aos que estarão vivos no tempo de angústia. Ele não fala de uma verificação no livro com outra finalidade. Apenas o livramento dos que estiverem vivendo o tempo de angústia.

66.  Não sabemos (ao certo) o número DE PESSOAS JUSTAS vivendo no final dos tempos. Serão  aqueles que testemunharão a volta de Cristo, e assim, acredita-se que seu número será pequeno quando comparado com o total da população do planeta. Logo, a verificação de seus nomes não é, em absoluto, um processo demorado. Ainda que fossem MUITOS, sabemos que, além de Deus ser ONISCIENTE e ONIPOTENTE, essa verificação é feita nos Céus, onde o tempo não segue as mesmas leis físicas aqui da Terra.

67.  Não é necessário um LONGO período de tempo para essa análise e verificação. Vale lembrar que Tiago White em mais de uma ocasião rejeitou a “crença num juízo investigativo” da forma como ele é ensinado pela Igreja hoje. Ele afirmou: "Não é necessário que a sentença final seja dada antes da primeira ressureição como alguns creem, para que os nomes dos santos sejam escritos no Céu, e Jesus, e os anjos certamente saberão como juntá-los e leva-los para a nova Jerusalém.” (A Word to the Little Flock, 1847, p. 24). Ele estava contradizendo duramente Ellen White, sua esposa, quando ao abordar a tese da investigação, disse: "Alguns discutem afirmando que o dia do julgamento será antes do segundo advento. Essa interpretação é certamente sem fundamentação na palavra de Deus”. (Tiago White, Advent Review de Setembro de 1850).

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