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"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ellen G.White e o Plágio - Parte II (por Phillipe Hotman)

Parte II


 Embora negassem oficialmente o plágio nas obras de Ellen G. White, desde a época em que ela vivia, os dirigentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia e alguns assistentes literários tinham conhecimento que Ellen G. White utilizava obras de outros autores para produzir seus escritos. Conforme se pode perceber pela leitura do Relatório da Conferência dos Professores de Bíblia da Associação Geral de 1919, quatro anos após a morte de Ellen G. White, os principais líderes mostraram saber desse fato e alguns demonstravam uma séria preocupação de como fariam para contar aos irmãos da igreja. (Report of Bible Conference, 1919). Quanto desse assunto eles sabiam? Porque esse assunto não chegou às Igrejas?


 I.            Arthur Daniells, presidente da Conferência Geral da IASD (na época de Ellen G. White), afirmou em 1919 sobre o livro "Sketches of Life of Paul" de 1883, que Ellen G. White havia copiado tanto material do livro "A Vida e as Epístolas de Paulo", que seus autores Conybeare e Howson, ameaçaram a denominação em função do plágio. Embora o livro estivesse sendo considerado para ser vendido pelos colportores, ele foi tirado de circulação (o livro chegou a ser publicado em 1883 por duas casas publicadoras adventistas, Review and Herald e Pacific Press; Report of Bible Conference, 1919). Anos mais tarde, D. E. Robinson, em defesa de Ellen G. White, afirmou que o pr. A. G. Daniels não deveria se lembrar adequadamente do fato, pois não foram os autores, mas foi ‘a Editora T. Y. Crowell Co. New York’ que entrou em contato com a liderança da denominação adventista e que ‘não houve ameaça de processo’, mas que houve um acordo e o livro foi recolhido. (W. C. White, "Brief Statements Regarding the Writings of Ellen G. White" (St. Helena, Calif., "Elmshaven" Office, August, 1933, reprinted, 1981).

II.            O relatório da Conferência de 1919 mostra que muitos dirigentes (aqui incluido Tiago White) sabiam desde o tempo em que EGW ainda vivia, que seus escritos continham errose que neles havia plágio (empréstimo literário) de outras obras. Embora fosse tomada uma decisão durante a citada reunião para que o relatório ou suas conclusões fossem disponibilizados para toda a liderança da igreja em todos os níveis, infelizmente nada foi feito para esclarecer aos membros da Igreja e nem mesmo aos pastores em formação sobre esses assuntos. Embora pessoas de influência tenham demonstrado claramente essa preocupação (W.W. Prescott, A.G. Daniels e outros) foi feita uma opção pelo silêncio. As 2400 páginas dos Relatórios ficaram em uma sala da Conferência Geral até 1974, ano em que foram ‘descobertas’ pelo administrador da igreja Dr. F. Donald Yost e finalmente disponibilizadas à alta liderança. Depois do advento da internet, e depois de pressões externas, elas foram disponibizadas no site do White State (www.whitestate.org) (Report of Bible Conference, 1919).

III.            Em 1980 (antes mesmo da investigação do Dr. Fred Veltman), numa reveladora declaração do presidente da Conferência Geral  da Igreja Adventista, Neal C. Wilson, foi afirmado de que a alta liderança e o White State sempre souberam do plágio. Entretanto, Neal Wilson disse que tinha que admitir que “a quantidade de material que foi tomado ‘emprestado’ era maior do que o que eles sabiam anteriormente." (Neal C. Wilson, "This I Believe about Ellen G. White," Adventist Review, 20 Março de 1980, p. 8-10).

IV.            Declaração semelhante foi feita pelo neto da sra. White, Arthur White, pouco antes de sua morte: “É certo que o intenso trabalho de estudo (...) tem revelado um uso mais amplo de outros escritos por parte de Ellen G. White do que era consciente o White State e os dirigentes da Igreja.” (Arthur L. White, "The Prescott Letter to W. C. White [6 de Abril de 1915], Washington: EGW Estate, 18 de janeiro de 1981, p. 4, 7).

V.            A srta. Mary Clough, sobrinha de Ellen G. White, que a serviu na função de assistente literária por algum tempo entre 1874 e 1875, ciente de como o trabalho de produção das obras de Ellen G. White era feito, terminou por denunciar a metodologia literária da tia, confessando ao pr. Adventista George B. Starr o seu mal-estar em participar de tais atividades. (George B. Starr, in EGW Estate "Uma declaração concernente ... Fannie Bolton” EGW State DF 445). O depoimento dela ao pr. Starr é confirmado em um documento oficial adventista chamado “The Truth About The White Lie” (Document prepared by the staff of the Ellen G. White State in cooperation with the Biblical Research Institute and the Ministerial Association of the General Conference of SDA, August 1982. Revised January 1999).

VI.            A assistente de Ellen G. White, Vesta Farnsworth, numa surpreendente e sincera declaração ao obreiro Guy C. Jorgensen, negou que Ellen G. White tentasse impedir que outros vissem o que ela fazia:  "A acusação de que a irmã White cobria os escritos dela com o seu avental quando um visitante entrava para esconder o fato de que ela não estava copiando algo de algum livro, é verdadeiramente absurda. Não era nenhum segredo que ela copiava passagens selecionadas de livros e periódicos. Mas quando ela estava escrevendo testemunhos e reprovação a ministros mais velhos, ela às vezes desejou que isto não deveria ser do conhecimento de obreiros mais jovens. Isto a levou freqüentemente a cobrir os escritos dela quando as visitas chegavam". (Vesta Farnsworth to Guy C. Jorgensen, 01/12/1921).

O livro “O Grande Conflito” é um dos clássicos da literatura adventista e um dos livros mais admirados de Ellen G. White. Também houve plágio em sua produção?
 I.            Em 1980, o Dr. Don McAdams, um erudito adventista, afirmou nas reuniões de Glendale que, “... se cada parágrafo do livro “O Grande Conflito” tivesse adequadamente notas de rodapé indicando as fontes, então todos os parágrafos do livro teriam referências ao pé da página.” McAdams também observou: "Ellen G. White não apenas tomava emprestados parágrafos aqui e ali segundo os encontrava no curso de suas leituras, mas também em realidade seguia os historiadores página após página, deixando fora muito material, mas utilizando sua seqüência, algumas de suas idéias e freqüentemente suas palavras. Nos exemplos que examinei, não encontrei nenhum fato histórico em seus textos que não estivesse nos textos deles.”(McAdams, "E. G. White and the Protestant Historians", p. 231-234, citação geral).

II.            Quatro anos após ter negado que Ellen G. White houvesse praticado plágio, o mesmo Robert W. Olson (responsável pelo White State) admitiu que "possivelmente cinquenta  por cento ou mais do material do livro “O Grande Conflito” foi extraído de outras fontes.” (Adventist Review de 23 de fevereiro de 1984). Vale mencionar que H. L. Hastings, autor não adventista, publicou um folheto intitulado “A Grande Controvérsia entre Deus e o Homem”. Anos depois, em 14 de março de 1858, Ellen G. White teve sua famosa visão em Lovett´s Grove sobre “O Grande Conflito”. Quatro dias mais tarde, em 18 de março de 1858, Tiago White publicou uma resenha do livro de H.L. Hastings na Review. Seis meses após a publicação dessa resenha, Ellen G. White publicou sua própria versão da “Grande Controvérsia”. As idéias foram publicadas em “Spiritual Gifts”, vol. I. Mais tarde este material evoluiu para converter-se no livro “O Grande Conflito”. (Review and Herald, 18/03/1858).

III.            Sobre a obra "O Grande Conflito", fruto de cópias de outros autores (empréstimo literário ou plágio) conforme declarações de Robert Olson e Don McAdams (eruditos adventistas), Ellen G. White afirmou especificamente: "Enquanto eu preparava o manuscrito do "Grande Conflito" era sempre consciente da presença dos anjos de Deus. E muitas vezes as cenas sobre as quais estava escrevendo se apresentam novamente em visões à noite, de maneira que estavam sempre frescas e vívidas em minha mente." (Carta 56, 1911, O Colportor Evangelista, p. 128).

IV.            Ainda sobre a obra “O Grande Conflito”, ao copiar do livro "The History of Protestantism" da autoria do Rev. J.A. Wylie, até mesmo a gravura utilizada no livro citado foi transposta para o "Grande Conflito" sem autorização. ("The History of Protestantism" da autoria do Rev. J.A. Wylie, p. 30, 1876; "The Great Controversy", Original 1886, p. 76-77). Para colocar fim a acusação de uso indevido da imagem, um acordo foi firmado e a organização adventista comprou 1000 exemplares de outra obra da editora Cassel & Company.

V.            Em defesa de Ellen G. White e dos editores, a Conferência Geral explica que a matriz foi comprada da Cassell & Company Ltd., e os documentos que comprovam esta compra foram destruidos num incêndio da Pacific Press. Mas a comparação entre as gravuras mostra que a história está mal contada. A gravura que aparece no Grande Conflito parece uma cópia feita em processo rudimentar; quando se comparam as gravuras, vê-se que não têm o mesmo tamanho; apagaram o nome do artista e puseram "Pacific Press Oakland,Cal.". Estes detalhes são importantes, pois se a matriz original tivesse sido comprada, as gravuras teriam o mesmo tamanho, mesma qualidade e o mesmo nome do autor. O que será que aconteceu? (Ennis Meyer, adventistas.ws).

VI.            Todas as edições da obra O Grande Conflito anteriores a 1911 são falhas com relação a menção das fontes: autores e livros de onde as ideias, pensamentos e textos foram extraídos.


Bem, realmente é surpreendente que ela tenha utilizado tanto material de outros autores para compor “O Desejado de Todas as Nações” e “O Grande Conflito”. Mas será que para escrever suas outras obras e seus artigos ela também utilizou material de outras fontes? 
I.            Durante as décadas de 1980 e 1990 as descobertas e revelações sobre o plágio que chegaram aos ouvidos dos adventistas sobre as obras de Ellen G. White evoluiram desde os clássicos da série “Conflito” (Patriarcas e Profetas, Profetas e Reis, O Desejado de todas as Nações, Atos dos Apóstolos, O Grande Conflito) para os livros de saúde, depois para os “Spiritual Gifts”, artigos e até mesmo os “Testemonies”, que alguns julgavam totalmente originais. O estudo de Fred Veltman, embora enfocasse o “Desejado”, confirmou o que outros haviam revelado: dependendo do material utilizado dos escritos de Ellen G. White, o copiado podia chegar a até 90% (Veltman Report, 1990). Mas o Veltman Report aponta uma média geral de 31%  É tanto plágio que nem mesmo o livro Educação, (que depois foi plagiado por um primeiro ministro de uma nação africana) escapou. E neste livro (Educação), até um dos mais recitados e admirados pensamentos de Ellen G. White, considerado como uma das pérolas da inspiração, é de outro autor:

“A maior necessidade do mundo é de homens – homens que não se compram nem se vendam, homens  que sejam verazes e honestos no mais íntimo de seu ser, homens que não temam chamar o pecado pelo verdadeiro nome, homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo, homens que permaneçam ao lado da verdade ainda que caiam os céus.” (Educação, p. 7, publicado em 1903).

Este pensamento havia sido publicado na “Review and Herald” na Seção “Seleto” muitos anos antes e estava sem o nome do autor, porque tinha sido retirado de uma fonte desconhecida ou que não era aceitável nomear. ["Recheio" Editorial], Review, Tomo 37, n. 6, janeiro de 1871).

II.             Em 1898 Ellen G. White escreveu um artigo que foi publicado na Review and Herald. O artigo dizia assim: “Nas visões da noite, ministros e obreiros pareciam estar em uma reunião onde as lições da Bíblia estavam sendo ministradas. Nós dissemos: ‘Temos o Grande Professor conosco hoje’, e escutamos com grande interesse as suas palavras. Ele disse: “(...)”

III.            Após essa introdução, Ellen G. White citou literalmente uma cópia do texto de John Harris, extraido do livro “The Great Teacher” (O Grande Professor) escrito em 1836 e reeditado algumas vezes. Observe que ela atribuiu ao Espírito de Deus o trecho copiado do livro de Harris. Note que ela utilizou até mesmo o título do trabalho de Harris (“O Grande Professor”) dizendo que este tinha sido mencionado na visão. (Manuscrito 27, Extraído de “Ellen G. White-Mensageira da Igreja Remanescente”, p. 35. Da autoria de seu neto Arthur L. White) (John Harris, The Great Teacher (Amherst: T. S. & C. Adams, 1836: Boston: Gould and Lincoln, 1870) p. 14-18: Veja também EGW, Testimonies for the Church, tomo 6, p. 58-60) (Review and Herald de Abril 4, 1899).

 
Há como defender Ellen G. White nessa questão do Plágio?

Esse assunto torna-se inquietante e desagradável, mas será que é possível defender Ellen G. White ou encontrar as explicações para este procedimento?

I.            Vários dos autores dos quais Ellen G. White copiou eram bastante meticulosos em seus escritos e indicavam suas fontes. Um caso de destaque é o de J. N. Andrews, pesquisador e intelectual adventista, do qual ela utilizou considerável material desde muito cedo em sua carreira literária. (Doug Hackleman, Adventist Currents, junho de 1985).

II.            Ellen G. White pediu aos outros que iriam citar os seus escritos que fizessem menção dela como autora. Em 30 de janeiro de 1905, David Paulson solicitou a Ellen G. White que permitisse a utilização de seus artigos para a sua revista mensal The Life-boat. Willie White, filho de Ellen G. White, respondeu assim a solicitação em 15 de fevereiro de 1905: “Minha mãe me pediu que diga ao sr. que pode sentir-se livre de selecionar de seus escritos artigos curtos para a ‘The Life-boat’. Você pode fazer resumos destes artigos curtos e de escritos similares,dando o devido crédito em cada caso.” (D. M. C., Life of Ellen G. White, cap. 10). Diante disso é estranha a tentativa de defender Ellen G. White feita por Robinson, de que "ela atuava sem conhecimento dos padrões literários que consideravam o uso dos escritos alheios como condenável ou desleal.” (White and Robinson, "Brief Statements," p. 18).

III.            Ellen G. White pediu a seu filho “que não contasse a ninguém” que ela copiava de outros autores. (The Adventist Review, 23 fevereiro, 1984, p. 5 no artigo “Sources of the Great Controversy”).

IV.            Para Herbert E. Douglas, a responsabilidade sobre o negar e ocultar o método utilizado por  Ellen G. White ao se valer dos escritos de outros seria da própria sra. White. Citando Robert W. Olson, ex-diretor do Patrimônio Literário White, ele afirma: “’Em minha opinião, ela não queria que seus leitores, concentrando-se no método, fossem distraídos da mensagem. A indevida atenção sobre como escreveu poderia levantar dúvidas desnecessárias a respeito da autoridade do que ela escreveu.” A fala de Robert Olson neste trecho é incrivelmente reveladora. É desconcertante. É como se ele estivesse pedindo a todos para não darmos muita importância ao fato de Ellen G. White se valer do plágio para produzir suas obras, pois isso poderia nos levar a duvidar da autoridade dela como profetisa da Igreja Adventista. (Robert W. Olson, "Questions and Problems Pertaining to Mrs. White´s Writings on John Huss," EGW State, 1985, p. 6)

V.            Reservadamente em documentos do White State, Robert Olson afirmou: “Também é fato que ela tinha diante de si os livros de onde copiava os trechos e não uma memória fotográfica.” (...) “Estou convencido de que ela tinha diante de si algumas obras enquanto escrevia, no entanto a igreja crê que ela possuía memória fotográfica e inconscientemente utilizava as palavras de outros autores.” (“Mensageira do Senhor”, p. 462; www.whitestate.org; Robert W. Olson, "Questions and Problems Pertaining to Mrs. White´s Writings on John Huss," EGW State, 1985, p. 6).

VI.            Uma única vez, numa contradição de suas próprias declarações de sempre escrever o que era inspirado em visões, Ellen G. White admitiu, após ser questionada do ‘porquê’ de suas visões publicadas serem tão semelhantes aos ensinos dos livros de J. C. Jackson sobre saúde, de que, como havia muita "harmonia" de pensamento, ela "copiou" trechos da obra do autor citado. (R&H do dia 08/10/1867).

VII.            O que se sabe hoje é que, ao longo de mais de cem anos, várias pessoas chamaram a atenção para a questão do plágio nas obras de Ellen G. White. Canright foi o primeiro a chamar a atenção para esse assunto. Depois William Patterson, Ingemar Linden, Ronald Numbers, Jonathan Butler, Don McAdams, Warren H. Johns, Ron Graybill e outros acrescentaram mais dados à evidência já acumulada de sua dependência literária durante toda a sua vida, de fontes às quais ela não deu o devido crédito. E por muitos anos e décadas, tanto Ellen G. White e os responsáveis pelo Patrimônio White, bem como os administradores da Igreja negaram esse fato, Somente com as críticas levantadas pelo pastor Walter Rea (e depois tornadas públicas com a publicação do livro White Lie) que a organização adventista se viu forçada a investigar oficialmente a questão.

VIII.            Herbert E. Douglass, numa tentativa de defender Ellen G. White da acusação de plágio faz a seguinte declaração: "Ellen G. White não copiou por atacado ou sem discriminação. O que selecionou ou não selecionou, e como se alterou o que selecionou ‘revela que ela usou fontes literárias’ para amplificar mais destacadamente ou indicar seus próprios temas transcendentais; ela era o mestre, não o escravo, de suas fontes." E ainda mais, Douglass faz outra defesa estranha de Ellen G. White, ao afirmar que ela tinha “apreço pelos melhores pensamentos alheios para comunicar a clara intenção da mente”. (Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor, p. 461, em inglês). Observe que Douglass, um defensor de Ellen White, está dizendo claramente que ela gostava tanto das melhores ideias dos outros, que ela as tomava para si. É verdade. Ela tomava para si, dizia que tinham vindo de Deus, negava que havia pego dos outros, compunha seus livros e exigia direitos autorais.


IX.            “Ellen G. White havia descoberto percepções e fraseologias de outros autores que a ajudavam a explicar melhor os penetrantes pensamentos que ela queria comunicar”. (“Mensageira do Senhor”, p. 252, 253, 450-453, em português).  Robert Olson, que foi por vários anos o diretor do White State também se pôs a defender Ellen G. White: "É fato que Ellen G. White verdadeiramente usou obras de outros até certo ponto enquanto empenhada em seus escritos, mas não há nenhuma evidência da intenção de fraude, por parte dela, nem há evidência de que qualquer outro autor fosse alguma vez privado de seus legítimos benefícios por causa das atividades dela." (idem). Estranho, ele não nega a intenção de fraude, ele nega a evidência da intenção de fraude. E ao dizer que nenhum outro autor foi privado de seus interesses por causa das atividades dela, ele deliberadamente deixa de mencionar e gostaria que não nos lembrássemos do caso do livro que ela plagiou de Conybeare e Howson em 1883 e quase enfrentou um processo por isso.

X.
            O White State realizou uma pesquisa interna em 1983 e chegou a afirmar que de todos os escritos de Ellen G. White, em apenas 2% (dois por cento) havia paralelos com as obras de outros autores. Porém, o estudo mais aprofundado do Dr. Fred Veltman revelou em 1990 que esse percentual era muito maior. Atualmente, diante de tantas evidências e do conclusivo estudo do Dr. Veltman, o White State (Depositários do Patrimônio literário de Ellen G. White) em seu site oficial (ellengwhite.org) afirma sem rodeios: "Ellen G. White freqüentemente fez uso de fontes literárias ao comunicar suas mensagens."

XI.            No site oficial dos Depositários do Patrimônio literário de Ellen G. White (ellengwhite.org; whitestate.org) são disponibilizados o resultado oficial das investigações do Dr. Fred Veltman, o Relatório da Conferência dos professores de Bíblia da Associação Geral de 1919 (Report of Bible Conference, 1919) e vários outros documentos.

XII.            Em 1981, nove anos antes da publicação do conclusivo relatório do Dr. Fred Veltman (que revelou que Ellen G. White de fato praticou plágio), a Igreja Adventista contratou o advogado Vincent L. Ramik, um especialista em patentes, marcas registradas e nos casos de copyright para defender Ellen G. White das acusações de plágio em seus escritos. O advogado contratado pela Igreja, como era de se esperar, deu um parecer favorável a sra. White. As afirmações a seguir são do próprio site do White State (responsável oficial pelo Patrimônio Literário de Ellen G. White): O "mero uso de expressões de outros não constitui o roubo literário" (…).

XIII.            A opinião legal de Vincent Ramik: "Ellen G. White não era uma plagiarista, e trabalhos dela não constituem infração dos direitos de copyright." Ramik continua, ao listar porque Ellen G. White deve ser inocentada da acusação de plagio: 1) "suas seleções ‘permaneceram bem dentro dos ‘limites legais' do uso justo.’ 2) ‘Ellen G. White usou os escritos de outros; mas na maneira que os usou, ela tornou-lhes excepcionalmente seus próprios’ (…) ‘adaptando as seleções em sua própria estrutura literária.’ 3) ‘Ellen G. White incitou seus leitores a terem cópias de alguns dos livros que ela empregou, demonstrando que não tentou esconder o fato de seu uso de fontes literárias, e que não teve nenhuma intenção de fraudar ou substituir os trabalhos de nenhum outro autor." Ressalte-se que Ramik não era um juiz julgando um caso, mas apenas um advogado dando um parecer a um cliente. As leis que punem o plágio só passaram a valer nos Estados Unidos em 1916, um ano após a morte de Ellen G. White. (O parecer do advogado católico levou em consideração as leis vigentes nos Estados Unidos sobre direitos autorais entre 1850 e 1915 e foi publicado na Adventist Review em 17 de setembro de 1981, p. 3, e também se encontra no site do White State).

Perguntas:

I.         Ao longo de sua carreira literária, Ellen G. White negou diversas e reiteradas vezes que utilizasse outras fontes, que não os seus sonhos e visões para escrever seus livros. No entanto, ela de fato copiava de outros autores, sem atribuir-lhes crédito. Que nome dar a essa atitude?

II.      Porque Ellen G. White copiou de outros autores sem dar-lhes crédito?

III.   Porque Ellen G. White afirmava estar sendo inspirada por Deus ao mesmo tempo em que praticava plágio?

IV.   Porque Ellen G. White negou direta ou indiretamente a sua verdadeira metodologia literária?

V.      Porque os dirigentes da Igreja Adventista (que tinham consciência do plágio) não advertiram ou repreenderam Ellen G. White? Se o fizeram, porque ela continuou?
VI.   Porque os dirigentes da Igreja adventista negaram e decidiram ocultar dos membros da igreja a verdade sobre os métodos utilizados por Ellen G. White ao escrever seus livros?

VII.Por que a Igreja afastou da organização e retirou a credencial do pastor que levou o assunto à administração da IASD?

VIII.  Porque o relatório do Dr. Fred Veltman não foi apresentado a toda a Igreja em todo o mundo?

IX.   Precisava Ellen G. White ser defendida por um advogado? O parecer do advogado inocenta ou ratifica a culpa de Ellen G. White?

X.      O advogado foi contratado para dar um parecer específico a um cliente particular. Se o parecer fosse contrário ao esperado, teria ele sido divulgado pela Igreja?

XI.   O advogado Vincent Ramik disse que ela não seria condenada pelas leis americanas sobre direitos autorais do período. Isso torna correto o que Ellen G. White fez?

XII.O fato de Ellen G. White não ser considerada plagiária por um advogado torna moralmente correto o que ela fez?

Um comentário:

Sodré disse...

https://www.facebook.com/willian.lirafelicio/posts/405976009473468?comment_id=3527060&notif_t=mentions_comment

Olá irmão em Cristo..estou divulgando e conclamando adventistas para que sejam honestos quanto a questão, e fundamentem suas crenças em Cristo apenas.

Deus me deu uma visão da igreja adventista da nova aliança e estou montando um site... www.igrejaadventista.rede.comunidades.net

Conto com suas orações, amizade, conselhos e tb criticas

Que Deus nos ilumine e nos abençoe!


Amém


Sodré
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