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"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
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sábado, 7 de abril de 2012

Ellen G.White e o Plágio - Conclusões (por Phillipe Hotman)



Há duas coisas importantes nessa conclusão. Uma é observar o que disseram os apoiadores e amigos da Igreja Adventista e a partir daí tirar conclusões sobre a questão do empréstimo literário na obra de Ellen G. White. A segunda é tentar imaginar qual seria a melhor solução para a Igreja Adventista ao enfrentar as verdades sobre esse problema.

A importância de analisar o que disseram apoiadores é relevante, pois é claro que os críticos do ministério de Ellen G. White acreditam que ela era uma plagiadora. Que copiava indiscriminadamente de vários autores para compor suas obras, não citava suas fontes e apropriava-se de produções de seus colaboradores e assistentes literários. Além disso, de maneira direta e indireta, ela negou que tivesse agido dessa maneira.

Poderíamos falar de várias pessoas ligadas a Igreja ao longo da história do movimento, mas a análise das conclusões do Relatório do pesquisador Fred Veltman fala por si. Afinal de contas, foi a própria Igreja Adventista que pediu a investigação, montou a equipe e convidou um obreiro adventista, o Ph.D. Fred Veltman para conduzir as pesquisas. O peso e o impacto das declarações do relatório não podem ser subestimados



Após mais de cem anos de negativas oficiais, um documento oficial da Igreja é produzido por uma equipe, liderada por um expert no assunto de análise literária, numa pesquisa que levou mais de oito anos e consumiu mais de quinhentos mil dólares. 

As afirmações são categóricas e objetivas. Fred Veltman não utiliza a expressão ‘plágio’, mas como se pode ver pelo teor do Relatório, os eufemismos ‘empréstimo literário’ e ‘dependência literária’ apontam claramente nessa direção. Fred Veltman, pesquisador da Igreja adventista, falando oficialmente na Revista destinada aos pastores (publicação oficial) diz sem rodeios que foi Ellen G. White “quem tomou expressões literárias das obras de outros autores sem lhes dar crédito como suas fontes.” (Ministry, nov. de 1990, p. 11).  Ou seja, não se pode falar de uma conspiração, de alguém ‘armando’ para prejudicar a sra. White, de assistentes literários inserindo ideias de outros autores de forma camuflada nos escritos dela. Foi ela mesma quem fez isso. 

Veltman continua e diz que “Ellen G. White utilizou os escritos de outras pessoas consciente e intencionalmente.” (idem). Após um trabalho exaustivo que consumiu milhares de horas, quase três mil dias, muitos meses e anos, numa análise aprofundada, a equipe de investigação de Fred Veltman pôde concluir claramente que a profetisa agiu de forma consciente e intencional. “As semelhanças literárias não são o resultado de acidente ou memória fotográfica.” (idem). 

Veltman vai além e confirma que mentiras foram contadas para acobertar o questionável procedimento. De maneira direta e indireta, “implícita ou explicitamente, Ellen G. White e outros que falaram em nome dela, não admitiram e até negaram a dependência literária [plágio] da parte dela."  (idem). 

O comportamento errático, as negativas oficiais, o acobertamento por parte da igreja e da liderança, levam o Ph.D. Fred Veltman a afirmar que Ellen G. White teve abaladas a sua honra, sua integridade e até mesmo sua confiabilidade. (idem, p. 14). Um duro golpe. Mas fazer o quê? 

Para defender Ellen G. White, nos livros que procuraram justificá-la e no site oficial, escritores e redatores citam as referências existentes na obra “O Grande Conflito”. Destacam também a introdução dessa obra que afirma que no livro foram utilizadas citações de outros autores. Mas essa postura é enganosa e evasiva, pois leva membros sinceros e alguns incautos a pensar que sempre foi assim e que o mesmo se passa em todas as obras da autora. O Grande Conflito recebeu diversas modificações entre a década de 1880 e 1910. Mas uma ampla modificação da introdução e a colocação sistemática de várias fontes de referência ocorreram somente a partir da edição de 1911. E esse tipo de correção não foi feito nas demais obras, após passados tantos anos

Vários livros da autoria de Ellen G. White têm extensas citações, pensamentos, trechos, sequência de páginas, títulos de capítulos e construção de ideias e sentido extraídos de outros autores anteriores ou contemporâneos dela. Patriarcas e Profetas, Profetas e Reis e Atos dos Apóstolos são gritantes exemplos dessa prática chamada de ‘empréstimo literário’. 

O projeto ‘Desire of Ages Data’ conduzido por Fred Veltman, como diz o nome, só foi feito com a obra O Desejado de Todas as Nações. E revelou o uso de no mínimo 23 (vinte e três) diferentes fontes sem a menção dos autores. Não foi feita nenhuma referência a eles. Ellen G. White copiou tanto de outros autores nessa obra, que Veltman afirma que "a maior parte do conteúdo do comentário de Ellen G. White sobre a vida e o ministério de Cristo, O Desejado de Todas as Nações, é mais derivado do que original.” (Ministry, nov. de 1990, p. 12). Será que isso é tudo? Não. Veltman diz que nenhuma ideia na obra é apenas dela. Nenhuma. “Em termos práticos, esta conclusão declara que não se pode reconhecer nos escritos de Ellen G. White sobre a vida de Cristo nenhuma categoria geral de conteúdo ou conjunto [catálogo] de idéias que sejam somente dela." (idem). 

Fred Veltman chega a ser ousado quando faz algo que nenhum outro teólogo adventista antes dele ousou fazer. Mesmo sabendo que a Igreja colocou Ellen G. White no patamar dos profetas e escritores bíblicos, ele chega ao ponto de questionar e por em cheque o tipo de inspiração dela. Questiona até mesmo o “papel dela como uma profetisa.” (idem, p. 13). É claro que ele tem que questionar, pois além de tomar as ideias dos outros em suas obras, ela exigiu direitos autorais para si e os deixou como herança para filhos, netos e bisnetos. 

Muito bem, foi feita a admissão oficial, fruto de pesquisas. Ellen G. White era uma plagiadora. Ou, como deseja a Igreja Adventista, uma tomadora de ‘empréstimos literários’. Iniciaria a Igreja Adventista um novo capítulo em sua relação com os escritos e obra de Ellen G. White? Seria Ellen G. White rebaixada a uma simples conselheira? O mito Ellen G. White seria colocado no seu devido lugar? 

Quanta ilusão. Nada foi feito. A Igreja certamente deve ter avaliado que o Relatório foi uma concessão indevida, pois incrementou ainda mais as suas táticas de defesa do ‘Espírito de Profecia’. Um livro e uma Bíblia seriam as respostas às conclusões do Relatório Veltman. 

Patrocinou Herbert Douglass para escrever um livro onde ele defende e justifica de forma completa o comportamento errôneo de Ellen G. White. Ele chama de criatividade e seletividade a prática dela de copiar e reorganizar os textos dos outros. (Herbert Douglass, Mensageira do Senhor, p. 451). Douglass retira de Fred Veltman frases isoladas para dar a impressão de que o Relatório é favorável a Ellen G. White, quando na verdade uma simples leitura do mesmo mostra o contrário. 

Herbert Douglass defende Ellen G. White fazendo comparações dela com autores bíblicos que mencionavam uns aos outros. Entretanto a sra. White, de acordo com Fred Veltman, utilizou obras de ficção para compor um livro sobre a vida de Cristo. Isso mesmo, ela tomou ideias de autores que não estavam escrevendo a partir de uma perspectiva bíblica. E escondeu esse fato. Até mesmo Francis Nichols, um ferrenho defensor de Ellen G. White, admite que ela fez uso do livro apócrifo de II Esdras. (Referências a Esdras em A Word to the Little Flock aparecem nos rodapés do folheto, p. 14-20, “Ellen G. White and Her Critics”, Washington: RHPA, 1951,  apêndice, p. 561-84). 

Douglass afirma que os críticos estão muito preocupados com a quantidade de fontes que Ellen G. White utilizou e isso não é importante. (idem, p. 457). Nesse ponto Douglass tem razão. Não é a quantidade de ‘empréstimo literário’ [plágio] que importa. O que de fato importa é que ela, muito ou pouco, copiou de outros, não deu o devido crédito a eles, mentiu e negou que tivesse feito isso e além do mais, foi apoiada pela administração da Igreja ao longo de cem anos na negativa de que ela tivesse agido assim (quando eles sabiam da verdade sobre o assunto). 

Mas para não trair sua consciência, Douglass deixa no seu texto preciosas e esclarecedoras informações. Na página 456 de seu livro em defesa de Ellen G. White, ele diz que os textos e trechos de outros autores transcritos por ela sem citação de fontes, “copiados ou parafraseados foram usados não somente na produção de seus livros”, mas também em cartas, sermões, diários e às vezes até mesmo “para expressar pensamentos que lhe foram diretamente inculcados em visão”. Douglass parece não ter refletido muito bem sobre o que escreveu. Em sua pesquisa ele descobriu que até mesmo para descrever o que viu em visões, Ellen G. White teve que utilizar textos de outros autores. Isso é impressionante. Não é essa uma clara confissão da prática ampla e organizada de ‘plágio’

A glorificação de Ellen G. White pela Igreja Adventista ultrapassa o bom senso. Deram a ela um título divino (Espírito de Profecia); defenderam-na da prática de qualquer erro; justificam suas práticas antiéticas; escrevem uma Bíblia com comentários dela (Clear Word Bible) e em reuniões quinquenais da Associação Geral, reforçam o mito para incentivar a devoção e alavancar as vendas de seus livros.

A santificação e endeusamento de uma mulher ocorrem na Igreja Católica.  A Igreja Adventista parece ter achado isso bem interessante.






1846 – 1915

Período da produção literária de Ellen G. White (Livros, artigos, cartas, livretos, manuscritos)





1863

Primeiras críticas relativas a utilização dos escritos de outros autores sem atribuir-lhes crédito.





1875

Mary Clough, sobrinha de Ellen G. White, denuncia a metodologia literária da tia, confessando ao pr. Adventista George B. Starr o seu mal-estar em participar de tais atividades.





1883

Após ameaça de processo por causa do livro Sketches of Life of Paul, escrito por  Ellen G. White a partir do livro A Vida e as Epístolas de Paulo, dos autores Conybeare e Howson, a Editora T. Y. Crowell Co. New York faz acordo com a IASD e o livro foi recolhido.





1911




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