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domingo, 2 de dezembro de 2007

A CONTRIBUIÇÃO ADVENTISTA PARA A GUERRA BIOLÓGICA: Projeto "Whitecoat"

Um projeto do exército dos Estados Unidos, que concluiu faz mais de 25 anos, é novamente objeto de escrutínio. O "Projeto Whitecoat" era o nome em código do exército para uma série de estudos sobre guerra biológica levados a cabo com aproximadamente 2.300 militares Adventistas do Sétimo Dia desde 1954 até 1973. Agora o exército está a pesquisar os efeitos em longo prazo que o projeto possa ter causado nos participantes. Os veteranos do Whitecoat se reuniram recentemente para uma reunião em Frederick, Maryland. Segundo reportagens recentes de Associated Press [1] e National Public Rádio [2], a maioria está orgulhosa do papel que desempenharam na defesa da nação e informam ter experimentado pouco ou nenhum impacto adverso sobre sua saúde. Ainda que possa haver alguns que apóiem o uso de “humanos porquinhos-da-índia” na investigação sobre guerra biológica, há pontos maiores em disputa do "Projeto Whitecoat" que estão a surgir novamente. Estes pontos em disputa se focalizam no papel que a Igreja Adventista do Sétimo Dia jogou no desenvolvimento, por parte do exército dos Estados Unidos, de armas químicas e biológicas (CBW, por suas siglas em inglês) para a destruição em massa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, e sob estrito segredo, o Exército dos Estados Unidos estabeleceu Camp Detrick nos arredores de Frederick, Maryland, com o único propósito de desenvolver armas bacteriológicas. O programa estava controlado pelo Serviço de Guerra Química do Exército, um ramo que tinha trabalhado com armas gasosas usadas pelos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. O exército começou a estudar os efeitos tanto ofensivos como defensivos da guerra biológica.

Em 1952, o Corpo Médico do Exército destacou uma unidade médica em Fort Detrick e em 1954 esta unidade começou a utilizar soldados Adventistas do Sétimo Dia em sua investigação, presumivelmente nos aspectos defensivos da guerra bacteriológica. Em 1956, a unidade médica foi reorganizada numa unidade permanente e independente chamada Unidade Médica do Exército dos Estados Unidos, Fort Detrick. em 1969, o nome foi mudado novamente, desta vez para Instituto de Investigação Médica do Exército dos Estados Unidos Para Doenças Infecciosas (USAMRIID, por suas siglas em inglês). Fort Detrick foi a base para o que se conheceu como o "Projeto Whitecoat", o nome em código para o grupo de soldados Adventistas do Sétimo Dia que eram usados como porquinhos-da-índia humanos na investigação sobre guerra biológica.

Porquinhos-da-Índia-Humanos

Proporcionados Pela

Igreja Adventista do Sétimo Dia

Nas forças armadas, o "Projeto Whitecoat" era único porquanto utilizava como sujeitos de prova exclusivamente a soldados que eram Adventistas do Sétimo Dia. Estes jovens adventistas tinham sido recrutados pelo exército e registrados como "objetores de consciência", porque recusavam desempenhar atividades de combatentes por razões religiosas. A estes objetores classificou-lhos como 1-A-O e foram enviados ao Centro de Treinamento Médico do Exército dos Estados Unidos em Fort Sam Houston, Texas. Ali foram habilitados para ser enfermeiros de primeiros socorros. Foi deste corpo médico não combatente de onde o Exército escolheu seus sujeitos de prova para o "Projeto Whitecoat".

Se somente a metade dos não combatentes que se estavam treinando em Fort Sam Houston era de Adventistas do Sétimo Dia, por que foram adventistas os únicos selecionados dessa reserva de soldados? A razão disto era um "acordo de cavalheiros" que havia entre os dirigentes adventistas e o exército. A revista Spectrum informou:

Em outubro de 1954, o então Cirurgião Geral, George Armstrong, enviou uma carta a Theodore R. Flaiz, secretário do Departamento Médico da Conferência Geral, dizendo-lhe que o Tenente Coronel W. D. Tiggertt, oficial comandante da unidade médica de Fort Detrick, tinha sido convidado 'a apresentar aos representantes da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia uma solicitação de ajuda num estudo da maior importância para a saúde de nossa nação. Só com a ajuda de voluntários pode obter-se a necessária informação'. [3] (O grifo é nosso).

A cálida resposta do Dr. Flaiz estava datada no dia seguinte. Nessa carta, acusava resposta da carta do general Armstrong e dizia que tinha ouvido a apresentação do Cel. Tiggertt. Flaiz escreveu:

Achamos que, se alguém devesse reconhecer uma dívida de lealdade e serviço pelas muitas cortesias e considerações recebidas do Departamento de Defesa, nós, como Adventistas, temos uma dívida de gratidão por estas amáveis considerações. O tipo de serviço voluntário que se está a oferecer a nossos rapazes, neste problema de investigação, oferece uma excelente oportunidade para que estes jovens prestem um serviço que será de valor, não só para a medicina militar, senão para a saúde pública em geral. Acho que expresso, não só a opinião de nosso grupo administrativo neste escritório, senão também de nossos jovens adventistas nos serviços militares, observando que se deveria considerar um privilégio ser identificado com o significativo passo adiante na investigação clínica. [4] (O grifo foi acrescentado).

É claro que a correspondência do exército com a igreja apresentava esta operação conjunta como um importante projeto de saúde pública que resultaria em "um significativo passo adiante na investigação clínica". Para uma denominação que se orgulha de sua ênfase sobre a saúde, a oportunidade de fazer ressaltar seu zelo "humanitário" pode ter sido demasiado boa para a passar por alto. A Adventist Review explicou mais tarde por que o exército procurou a ajuda dos Adventistas em seu programa de guerra bacteriológica. O artigo de 1969 diz:

Sabia-se que os militares médicos adventistas estavam altamente motivados para o serviço humanitário. Assim, pois, a aproximação à Igreja Adventista do Sétimo Dia tinha o propósito de estabelecer se isto seria considerado algo para o qual um soldado adventista oferecer-se-ia como voluntário. Após um estudo exhaustivo, o Departamento Médico da Conferência Geral e o Comité da Conferência Geral concordaram em que este serviço humanitário era da mais alta categoria, e que qualquer soldado adventista podia se sentir livre para se oferecer como voluntário para ele. [5]

O coronel Dan Crozier, naquela época comandante do USAMRIID, tinha dito que "por causa de seus altos princípios e sua vida temperante, os soldados adventistas são mais uniformes em aptidão física e atitude mental. Percebemos que os soldados [adventistas] são cooperadores e estão dispostos a servir". [6]

A boa saúde e o humanitarismo dos adventistas não lhes faziam imunes às lisonjas do exército, segundo Neil C. Livingston, um Adventista do Sétimo Dia que vive em Spokane, Washington, e que pesquisou e escreveu a respeito do "Projeto Whitecoat". "Foram adulados pelo exército para que entrassem neste projeto", disse. "Foi um intenso trabalho de persuasão".

Depois que os oficiais da igreja estiveram de acordo em que os recrutas adventistas poderiam participar na investigação de Fort Detrick, o general Armstrong elogiou o fato de que eles cressem no "benefício de toda a humanidade". Livingston sustenta que "a verdadeira opinião do exército é que os adventistas são os únicos estúpidos o bastante para oferecer seus jovens como voluntários para um projeto tão perigoso".

O Caminho Para a Guerra Biológica Pavimentado de Boas Intenções

"completamente ... defensivo ... e, portanto, humanitário".

Os perigos potenciais do "Projeto Whitecoat", bem como sua relação com a guerra biológica ofensiva, são pontos em debate suscitados por vários grupos durante a década de 1960. Em 1962, a revista canadense Macleans informou:

“A utilização de voluntários humanos para provar novos agentes químicos e biológicos não carece de riscos. Os experimentos ingleses resultaram pelo menos numa morte, que foi discutida na Câmara dos Comuns. Informou-se que o programa norte-americano teve pelos menos três decesos, durante os dez últimos anos, e uns 715 casos de doença e lesões de "intensidade variável". Os voluntários norte-americanos são recrutados nas penitenciárias e nas forças armadas. Muitos dos porquinhos-da-índia humanos neste último grupo foram jovens Adventistas do Sétimo Dia. Pacifistas por convicção, preferem participar em atividades não militantes enquanto estão no exército”. [7]

Os oficiais da Igreja Adventista e do exército fizeram questão de que os voluntários do "Projeto Whitecoat" fossem utilizados somente na investigação da guerra biológica defensiva ou na investigação de "doenças infecciosas", como dizem eles, e que o USAMRIID estivesse completamente separado da investigação biológica ofensiva de Fort Detrick. Os oficiais do exército afirmam que os voluntários de Whitecoat contribuíram para o desenvolvimento de vacinas para a febre amarela, a hepatite A, o antrax e a peste negra, bem como vacinas, ainda experimentais, para a tularemia, a febre Q e a encefalite eqüina venezuelana. [8]

Clark Smith, diretor do (Adventist) National Service Organization (NSO) [Organização do Serviço Militar Nacional (Adventista)], um departamento de capelania da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, informou que, desde 1956 até 1969, o USAMRIID tinha publicado 160 documentos nos diários profissionais de muitos países. A investigação da unidade não está classificada e está livremente disponível em qualquer biblioteca médica adequada, convertendo supostamente o "Projeto Whitecoat" num significativo colaborador na luta contra as doenças infecciosas ao redor do mundo. [10]

No entanto, a estimativa de 160 trabalhos de investigação conduz a erro, pois esta cifra pertence a toda a investigação levada a cabo no USAMRIID entre 1956 e 1969. O "Projeto Whitecoat", parte de USAMRIID e o único programa de Fort Detrick a usar porquinhos-da-índia humanos, produziu apenas cinco trabalhos de investigação publicados durante os primeiros doze anos do projeto e um total de 23 para quando o projeto foi concluído, em 1973. [10] Os oficiais do exército e da igreja tentaram criar uma fachada de "investigação sobre a saúde pública" e "medicina militar", mas não puderam sustentá-la. Até Smith apartou-se da tolice de falar de "saúde pública" quando reconheceu:

[O Projeto Whitecoat] remonta-se ao período de 1953-1954, com o conceito original de que o estudo estabelecesse a vulnerabilidade do homem ao ataque com armas biológicas e submetesse a prova a eficácia das vacinas contra a febre Q e a tularemia ... [um conceito levado adiante até 1973].

Deve-se assinalar que, em estando a obra do USAMRIID publicada e disponível livremente, os que trabalham no campo da ofensiva podem utilizar esta informação como o poderia fazer qualquer outra pessoa interessada. [Uma maneira sub-reptícia de reconhecer que a investigação beneficiou ao campo da ofensiva].

No entanto, na opinião deste comitê de estudo, a obra dos voluntários adventistas no USAMRIID pertence inteiramente à área defensiva da guerra biológica e é, portanto, de natureza humanitária. O comitê pensa que os esforços e os sacrifícios destes voluntários são perfeitamente corretos para o cristão que deseje entrar neste campo. [Reconhece que os adventistas estiveram envolvidos na investigação sobre a guerra biológica]. [11]

Neste ponto, a mente que raciocina pode ter dificuldades para conciliar o termo "humanitário" com o de "guerra biológica". Agora, como na década de 1960, surge a pergunta: Em que área da guerra biológica deveria se envolver a igreja?

Recrutando aos Cordeiros

"... a antigo e provada arte de vender, estilo adventista".

A Enciclopédia Adventista do Sétimo Dia diz: "Outro exemplo de heroísmo não combatente enquanto se está no serviço militar é a 'Operação Whitecoat', um projeto de experimentação médica, cujo pessoal está composto INTEIRAMENTE de voluntários ASD...." [12] (os grifos são nossos). Ainda que essa proporção talvez se deva, em parte, à parcialidade do USAMRIID para espécimes adventistas, as afirmações dos oficiais da igreja e dos voluntários indicam que a igreja estava envolvida ativamente no recrutamento de rapazes adventistas para o projeto.

Além das afirmações que antecedem, o diretor de NSO, Clark Smith, disse que "os voluntários do Whitecoat são recrutados dentre o pessoal militar durante o Treinamento Individual Avançado no Centro de Treinamento Médico do Exército dos Estados Unidos, Fort Sam Houston, Texas". [13] (o grifo é nosso).

Um artigo em Youth´s Instructor, de 1963, dizia que "durante este período de treinamento, aos recrutas adventistas era proporcionada informação concernente à Operação Whitecoat. Duas ou três vezes em cada ano, o diretor do projeto, o coronel Dan Crozier, de Frederick, Maryland, e o pastor J. R. Nelson, secretário da Organização para o Serviço Militar Nacional da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, viajam ao Texas para entrevistar a possíveis candidatos para o projeto". [14] (o grifo é nosso).

"Um amigo meu assistiu à Academia [Adventista] de Mount Ellis, em Bozeman, Montana", Neil Livingston lhe disse a The Winds. "Quando se graduou em 1957, foi recrutado pelos representantes do NSO..." para o Projeto Whitecoat. [15]

Um veterano do "Projeto Whitecoat", César Vega escreveu: "Eu, sim, tive algo de experiência como estudante na Escola Superior [Adventista] de La Sierra. Durante esse tempo, falou-se-me da experiência pela primeira vez (não o chamavam o Projeto Whitecoat ainda e eu fui um dos primeiros a participar da experiência)... Por que o fiz, ainda não o sei. Estou seguro de que foi sobretudo pela pressão de meus iguais e a antiga e provada arte de vender adventista". [16] (O grifo é nosso).

Um veterano do Whitecoat, G. R. Bietz, disse: "Não lembro como nos recrutaram ... Lembro de um homem da conferência, ainda posso ver seu rosto, mas não recordo seu nome". [17] (O grifo é nosso).

Um artigo numa publicação adventista declara: "Um coronel e um representante da Organização do Serviço Militar Nacional da Conferência Geral apareceram durante uma reunião especial [de recrutas], falaram de um desusado projeto de investigação médica e pediram voluntários". [18]

Um homem da Conferência Geral, junto com um oficial de alta patente do exército, foram a Fort Sam Houston para procurar voluntários para um programa governamental secreto chamado "Projeto Whitecoat". Soava como uma boa maneira de servir a meu país e, acima de tudo, o programa era patrocinado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. [19]

A julgar pelos depoimentos dos oficiais da igreja e de os recrutar por igual, parece que o papel que a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia atuou na Operação Whitecoat não foi uma mera sanção passiva da participação dos membros da igreja. Parece, muito mais, que recrutavam pessoal ativamente para o USAMRIID, atuando como adjuntos.

Eram Realmente Voluntários?

"A verdade é que estavam matando a nossa gente lá no Vietnã ..."

A palavra "voluntário" aparece em todos os artigos e documentos que cercam o Projeto Whitecoat, e sim, os que participavam se ofereciam como "voluntários" para o projeto. Após assinar, ficavam livres para se retirar do projeto em qualquer momento. Segundo o Código de Nuremberg de 1947, os voluntários do Whitecoat eram plenamente informados por médicos competentes dos possíveis efeitos que cada experimento podia ter sobre seus corpos. Após serem infectados, aos voluntários eram proporcionados excelentes cuidados médicos e, no entanto, apesar das aparentes garantias de qualidade, é claro que era a coerção o que os mantinha unido ao projeto.

"A igreja se tinha colocado de acordo com a autoridade governamental para convencer a estes jovens de que deviam fazer isto para que não tivessem que ir ao Vietnã", disse Livingston à Associated Press em outubro. [20] Foi o temor de enfrentar o serviço ativo como enfermeiros de campo no Vietnã ou na Coréia o que manteve ao Projeto Whitecoat transbordante de voluntários adventistas.

"Disseram-nos que, se não nos oferecêssemos como voluntários, atribuir-nos-iam o serviço militar ativo em ultramar", disse um dos voluntários a Livingston durante uma entrevista por telefone. "Eu me ofereci para este experimento para não ser enviado a ultramar", escreveu Wilson Wynn, outro voluntário. [21] "A verdade é que estavam a matar a nossa gente lá no Vietnã... Não há muitos de nós [Adventistas], creio eu, que não teríamos ido ao Vietnã se não nos tivéssemos oferecido como voluntários [para Whitecoat]", explicou um veterano de Whitecoat, Lester Bartholomew, numa entrevista com The WINDS.[22]

"A maioria dos que participaram eram recrutas que escolheram o Whitecoat a ter que ir à Coréia ou ao Vietnã", escreveu John E. Keplinger, capelão (COR.) AUS, Ret. [23]

Evidentemente, foi o temor, muito mais que os "ideais humanitários", o que reteve aos recrutas adventistas no Projeto Whitecoat, pois, tão cedo se concluiu o recrutamento, o projeto fracassou, aparentemente por falta de "voluntários". "O Projeto Whitecoat se deu por finalizado em janeiro de 1973 com a finalização do recrutamento", escreveu o Coronel Dan Crozier, antigo oficial comandante do USAMRIID. [24] (O grifo é nosso).

Simulação de Febre Q no

Campo de Batalha em Dugway

"Não nos disseram que este era um projeto de 'Guerra Bacteriológica' ..."

Tom Kopco era um adventista recrutado pelo exército em 1954. Ofereceu-se como voluntário para o Projeto Whitecoat e estava no primeiro grupo de soldados adventistas "que serviram num projeto experimental de guerra bacteriológica altamente classificado que se levou a cabo em Fort Dugway, Utah", segundo uma declaração assinada por ele em 1989. [25] "Soava como uma boa maneira de servir a meu país e, acima de tudo, o programa estava patrocinado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia", escreveu. O projeto era uma experiência de febre Q executado em sujeitos de prova humanos no Campo de Provas de Dugway, onde o Exército leva a cabo provas de guerra química e biológica. Foi aqui onde foram enviados muitos dos primeiros voluntários do Projeto Whitecoat.

Kopco e seus parceiros voluntários foram separados em oito grupos, de cerca dez soldados cada um, e transportados a lugares de provas situadas a aproximadamente 40km, na salina de Utah. Fizeram-nos sentar em cadeiras situadas em diferentes níveis sobre uma alta plataforma de madeira. Ao redor deles havia jaulas com ratos, graciosos, e porquinhos-da-índia. Exatamente após a meia-noite, quando as condições do vento eram favoráveis, os oficiais se punham máscaras anti-gás e a prova começava. Um fresco orvalho carregado do infeccioso vírus da febre Q era espalhado por grandes leques ou jogado de aviões sobre os voluntários, segundo se dizia. Após ficar contagiados, os soldados eram levados de volta a Fort Detrick em avião para serem submetidos a provas e observações. Alguns soldados não foram a Dugway para ser expostos ao contágio porque, em vez disso, inalavam o vírus da febre Q por uma máscara facial em Fort Detrick.

Kopco informou ter-se sentido um pouco doente, enquanto outros se sentiram "mortalmente doentes". "Tínhamos que passar por seus alojamentos muito silenciosamente porque o mais ligeiro ruído os deixava loucos", escreveu. Um deles era César Vega, um voluntário do Projeto Whitecoat, de Riverside, Califórnia. Disse que esteve bem durante uma semana após ser contaminado em Dugway, mas que depois caiu doente com uma febre terrível e perdeu a consciência. Acordou dois dias mais tarde, coberto de gelo, numa tentativa do pessoal médico, para lhe baixar a febre. Esteve doente durante as três semanas seguintes. Os experimentos com a febre Q em Dugway levaram-se a cabo ao começo do Projeto Whitecoat, enquanto as provas subseqüentes se efetuaram no quartel geral do USAMRIID em Fort Detrick, Maryland.

"Não nos disseram que este era um projeto de 'guerra bacteriológica', como eu entendo que realmente o era", escreveu Harry V. Wiant, Jr., um veterano do Whitecoat que participou das experiências com a febre Q em Dugway. [26]

Experiências Com Tularemia

Após as experiências iniciais com a febre Q, o Projeto Whitecoat avançou para outras doenças exóticas como a febre amarela, o antrax, e a tularemia, todas potencialmente fatais. Lester Bartholomew era um jovem adventista de 20 anos quando foi recrutado em meados da década de 1960. Ele contou a The WINDS que se ofereceu como voluntário para o Projeto Whitecoat enquanto estava em treinamento básico em Fort Sam Houston. Após ser transferido à unidade do Whitecoat em Fort Detrick, participou em três projetos nos quais foi contagiado com tularemia, peste negra, e febre de coelhos [sic]. Durante o primeiro projeto, contagiou-se respirando de uma máscara facial. As seguintes duas infecções foram-lhe administradas em injeções.

Bartholomew disse que adoeceu gravemente, com febre de 106 graus em certo ponto. O pessoal médico o cobria de gelo e tomava-lhe amostras de sangue com freqüência. Bartholomew foi hospitalizado e recuperou-se, mas experimentava febre recorrente e fadiga após ter recebido alta.

Thomas Ford é outro veterano do Whitecoat que foi infectado com tularemia. Ele também se recuperou após ser hospitalizado, mas, após receber alta, experimentou uma recaída de "febre alta, calafrios e mal-estar", bem como "latidos rápidos crônicos". [27]

Aproximadamente 2.300 adventistas estiveram envolvidos no Projeto Whitecoat entre 1954 e 1973. Diz-se que a Administração de Veteranos não reconheceu nenhuma afirmação relacionada com o programa.

A Grande Mentira

"Minha primeira objeção ao projeto da febre Q era que nos foi representada falsamente como uma obra humanitária, não de guerra bacteriológica". Harry V. Wiant, Jr.

Tanto o USAMRIID como a Igreja Adventista do Sétimo Dia asseguraram que a investigação levada a cabo com voluntários adventistas era puramente defensiva e que resultou em importantes vacinas e informação. Acentuaram a separação entre os aspectos ofensivo e defensivo da guerra biológica, chamando ao Projeto Whitecoat "o estudo das doenças infecciosas", uma frase que implica uma conotação puramente médica. Mas, é a investigação "defensiva" da guerra química e bacteriológica (CBW) tão separada da "ofensiva" como o branco do negro? Não é "guerra bacteriológica" outra maneira de dizer "guerra de doenças infecciosas"?

A chegada do Projeto Whitecoat em 1954 correspondia à crescente dependência do Exército dos Estados Unidos de CBW como um componente viável de sua estratégia geral. Em 1959, o Exército encarregou uma campanha de relações públicas chamada em código "Operation Blue Skies" [Operação Céus Azuis], que tinha o propósito de criar uma imagem positiva da guerra química e biológica na mente do público. Alarmado por esta tendência, o congressista por Wisconsin, Kastenmeir, apresentou um projeto de resolução reafirmando a política dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial de que este país não seria o primeiro a usar CBW. Durante um discurso após ter tomado a palavra, advertiu que o exército estava a tratar de reverter esta política. Seu projeto de resolução fracassou, muito mais por causa da ativa oposição dos Departamentos de Defesa e de Estado.

Em correspondência com a campanha "Blue Skies" do exército, havia uma série de artigos escritos por Don A. Roth e publicados no periódico adventista Youth´s Instructor, em outubro de 1963. Roth relatava a história do jovem soldado raso Tom Kopco, um voluntário do Whitecoat, que acabava de abordar um transporte aéreo do exército que se dirigia a Fort Dugway, Utah. Sentado em seu assento, o jovem soldado raso recordava seu treinamento básico. Roth escreveu:

“O lugar era Fort Sam Houston, Texas, e ele quase tinha terminado seu treinamento básico pós-recrutamento. Um coronel e um representante da Organização do Serviço Militar Nacional da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia apresentaram-se numa reunião especial, falaram de um desusado projeto de investigação médica e pediram voluntários. Nesse ínterim, ele não compreendeu bem todos os pequenos detalhes do programa, mas lhe pareceu que devia participar do projeto. A resposta plena e completa a suas inquietudes deu-lhe a certeza de que esta era uma obra cuja qual valia a pena participar. Seu sangue patriótico lhe correu pelas veias com força ao antecipar a possibilidade de fazer algo de benefício material por seu país. Seu nome apareceu em linha pontilhada.” [28]

Quando lho compara com a declaração de Kopco em 1989, é claro que este relato era uma versão adocicada da participação adventista na investigação sobre guerra química e biológica. Num segundo artigo, Roth escreveu:

“O projeto tem que ver simplesmente com experimentación médica. Mas, como resultado desta atividade, o Serviço Médico do Exército fez progressos materiais no desenvolvimento de métodos apropriados para a prevenção e o tratamento de doenças infecciosas. Ao aproximar-se estes estudos a sua conclusão, a informação obtida comunica-se directamente à profissão médica dos Estados Unidos. Assim, pois, todos os cidadãos se beneficiam do programa, não só os membros das forças armadas.” [29]

No entanto, alguns médicos do exército tinham aparentemente mais escrúpulos que a Igreja Adventista do Sétimo Dia quanto aos possíveis envolvimentos da "experimentação médica". Isto levou o Coronel Tigertt, comandante do USAMRIID, a criticar, num artigo publicado em Military Medicine nesse mesmo ano, aos médicos que se negaram a participar do programa por causa das implicações morais. Tigertt escreveu:

“O que surpreende é que muitos médicos recusaram ter algo que ver com o problema [da investigação]. Explicam sua apatia dizendo que a ética proíbe sua participação em qualquer esforço cujos derivados possam ser usados para causar sofrimento ou a perda da vida... Tais atitudes, sejam plenamente desenvolvidas ou não, não podem ser ignoradas porque estorvam seriamente os esforços para proceder as investigações apropriadas.” [30] (O grifo é nosso).

Esta aparente "apatia" à qual se refere Tigertt era causada pelo juramento hipocrático, que diz:

“Usarei tratamentos para ajudar aos doentes segundo minha capacidade e meu julgamento, mas nunca com o propósito de fazer dano nem cometer mal. Também não administrarei veneno a ninguém quando se me peça faze-lo, nem sugerirei tal curso de ação.” (O grifo é nosso).

Talvez, o Código de Ética em Tempo de Guerra da Associação Médica Mundial tenha apagado o entusiasmo investigativo dizendo: "Considera-se não ético que os médicos debilitem a fortaleza física e mental de um ser humano sem justificativa terapêutica, e que empreguem o conhecimento científico para pôr em perigo a saúde ou destruir a vida". [31] (O grifo é nosso).

Era este o mesmo Coronel Tigertt, que estava tão ansioso em subverter o juramento de "não causar dano", o qual entusiasmou e convenceu aos adventistas oferecendo-lhes a oportunidade de participar "num estudo da maior importância para a saúde de nossa nação"? Era o próprio, sim. No entanto, a capa superficial "humanitária" é tão delgada que os dentes caninos deste programa se sobressaem quase em cada ponto.

Um Acidente Com Gás Nervoso, e Mais Mentiras

Cinco anos depois que apareceram o Coronel Tigertt e os artigos de Youth´s Instructor, surgiram incômodas perguntas a respeito da guerra química e biológica e o apoio que recebeu da "investigação médica". Isto começou com um aparente acidente no Campo de Prova de Dugway, a mesma instalação onde os voluntários do Projeto Whitecoat foram contagiados com o vírus da febre Q.

Em 24 de março de 1968, a Associated Press informou que no dia 13 de março do mesmo ano uma neblina do letal gás nervoso "foi empurrada pelo vento por cerca de quase 50km desde uma supersecreta área de provas de guerra química do exército ... e matou a 6.400 ovelhas em Skull Valley, na parte ocidental de Utah". [32]

Este acidente pode ter servido para acordar a algumas pessoas a respeito dos efeitos potencialmente devastadores da guerra química e biológica. Quase num ano mais tarde, o programa First Tuesday, da NBC, apresentou um segmento sobre o tema da guerra química e biológica. O programa mostrou os efeitos de vários agentes sobre os animais e depois entrevistou a um jovem Adventista do Sétimo Dia que tinha sido voluntário do Projeto Whitecoat.

Em julho de 1969, o programa "60 Minutos", da CBS, examinou o tema da guerra química e biológica. Novamente, foi entrevistado um jovem voluntário do Projeto Whitecoat. Evidentemente, os meios de comunicação não engoliam o conto de que "só estamos envolvidos em investigação defensiva". Isto preocupou à cúpula Adventista, que respondeu com dois artigos na Adventist Review defendendo a participação da igreja no Projeto Whitecoat. O artigo na edição do 20 de março de 1969 diz:

“O governo dos Estados Unidos decidiu que, tão logo pudesse desenvolver-se um tratamento definitivo para a doença, poder-se-ia dar às descobertas ampla divulgação nas publicações médicas ao redor do mundo. Esta publicidade eliminaria efetivamente essa doença do arsenal potencial da guerra biológica. Ao mesmo tempo, também disseminaria pelo mundo inteiro os conhecimentos médicos sobre o tratamento, de maneira que os que estão atualmente afligidos por essa particular doença possam ser ajudados.”

O autor do artigo da Review defende as investigações levadas a cabo no USAMRIID sobre a premissa de que, ao desenvolver um tratamento para uma doença em particular, esta seria eliminada do arsenal potencial de guerra biológica. Assim, pois, os não-combatentes e a Igreja Adventista em geral ajudariam a erradicar a guerra biológica mediante sua participação nas investigações defensivas no USAMRIID, segundo a Review. Quiçá, este autor também tivesse para venda um terreno pantanoso e uma ponte.

O "Projeto Whitecoat" É Essencial

Para a Guerra Biológica Ofensiva

Um artigo da revista Spectrum convida a uma conclusão muito diferente, sugerindo que o Projeto Whitecoat serviu, em realidade, para expandir o arsenal de guerra química e biológica. Martin Turner escreveu em 1970:

“Como já vimos, não é seguro que a existência de um tratamento ou vacina efetivos para uma doença seja suficiente para assegurar sua eliminação "do arsenal potencial da guerra biológica". A verdade é que deve existir esse tratamento para que a doença seja incluída nesse arsenal.” (O grifo é nosso).

O Exército dos Estados Unidos aprendeu bem na Primeira Guerra Mundial, uma guerra que produziu mais de um milhão de baixas só por meio de armas gasosas, que qualquer mudança imprevista no vento traz o agente de volta a seus próprios homens. Com a guerra biológica sucede o mesmo. A oficialidade de um exército seria criminosamente negligente ao usar um agente biológico em qualquer parte próxima de seu próprio pessoal, a não ser que estivessem logisticamente em seu lugar contramedidas biológicas como vacinas. Disparar armas químicas e biológicas sem estas medidas seria o mesmo que se disparar um tiro no pé, porém numa escala muito maior e bem mais mortal.

O valor das medidas "defensivas", como as vacinas, para uma ofensiva de guerra química e biológica foi sublinhado pelo microbiólogo Ivan Malek, que disse: "Em caso de um deliberado ataque microbiológico, é possível preparar ao próprio pessoal, por exemplo, vacinando-o contra microorganismos selecionados, de maneira que não fiquem seriamente expostos ao perigo quando entrem na área infectada". [33] Em outras palavras, antes de lançar ántrax no inimigo nossos soldados deveriam ser inoculados com vacinas que podem ter sido provadas em voluntários do Projeto Whitecoat no USAMRIID.

Martin Turner confirmou isto com o comandante do Projeto Whitecoat, o Coronel Crozier, o qual admitiu o papel integral que o USAMRIID desempenhou na missão de guerra química e biológica. Escreveu Turner:

“A unidade médica poporciona ao laboratório de investigação ofensiva vacinas desenvolvidas por meio de experimentos sobre voluntários do Whitecoat. O coronel Crozier reconheceu que estas vacinas são indispensáveis para o trabalho dos pesquisadores na área ofensiva e que, se o serviço médico não o fazia, teriam que desenvolver as vacinas eles mesmos. Não via nenhum problema ético, no entanto, e explicou que ‘estamos comprometidos somente no estudo de doenças infecciosas, e não podemos remediar que uso possam fazer outros de nosso trabalho’”. (O grifo é nosso).

A linha obscura que separa os lados aparentemente "ofensivos" e "defensivos" da guerra bacteriológica quase desaparece, deixando que os observadores casuais cheguem à conclusão de que são um e o mesmo. Esta foi a conclusão do Dr. Malek, que disse:

“Um dos traços característicos das armas biológicas é que é difícil distinguir uma obra efetuada para fins puramente defensivos da que é principalmente ofensiva ... Esta é a razão pela qual os estabelecimentos militares que trabalham no desenvolvimento destas armas o façam muito mais sob a etiqueta de defesa.” [34] (O grifo é nosso).

Turner também citou a Elinor Langer, um perito em guerra química e biológica, que disse:

“Com poucas exceções, como o desenvolvimento de equipamentos de detecção e proteção, pouco da investigação sobre guerra química e biológica pode se descrever com precisão como defensivo... Por causa da natureza das armas químicas e biológicas, a investigação ainda de áreas aparentemente 'puras', como o desenvolvimento de vacinas, tem pelo menos envolvimentos iguais tanto para o uso ofensivo como para o defensivo.” [35]

Talvez, a evidência mais clara que aponta à verdadeira missão do Projeto Whitecoat pode se encontrar num manual do exército sobre guerra química e biológica, que diz claramente que "a defesa química e biológica é um pré-requisito da capacidade de ataque". [36]

Enquanto pesquisava para um artigo destinado a Spectrum, Turner entrevistou ao congressista Richard McCarthy, que no final da década de 1960 se opôs à guerra química e biológica. Turner escreveu a respeito de McCarthy:

“Durante uma conferência sobre guerra química e biológica em dezembro [de 1969], Turner disse que sua investigação o tinha convencido de que o Projeto Whitecoat estava sendo usado para propósitos ofensivos, antes que defensivos. "Em seu conceito essencial, todo a ênfase era no sentido de dissuadir, ofensiva, e de que nós ameaçamos com a possibilidade de se usar uma doença contra alguém mais se eles a usam contra nós. Agora, o que eles fizeram de natureza defensiva é mínimo e até eles mesmos o admitem. Não temos nenhuma medida para inocular ao povo norte-americano contra esta classe de guerra bacteriológica... O que eu sei [do Projeto Whitecoat], e fundamento isto nas afirmações de pessoas muito responsáveis, é que é ofensivo, não defensivo, e que os Adventistas do Sétimo Dia estão sendo enganados". (O grifo é nosso).

Branqueamento, Obstrucionismo e Mentiras, Mentiras, Mentiras...

Em 27 de novembro de 1969, a Adventist Review publicou um artigo que continha uma entrevista com Clark Smith, diretor da Organização (Adventista) do Serviço Militar Nacional. Os comentários de Smith refletiam as declarações feitas no artigo da Review de 20 de março, que não somente defendia a participação da igreja no Projeto Whitecoat, como também textualmente defendia todo o programa de guerra química e biológica de Fort Detrick. O aparente controle de danos de Smith estava estranhamente ausente da mais ligeira imparcialidade em relação à acusação de que o Projeto Whitecoat poderia estar ajudando à capacidade ofensiva de alguma maneira. Ausente estava até a mais ligeira desaprovação do desenvolvimento de armas bacteriológicas que ele admitia que estavam a ser desenvolvidas em Fort Detrick. É evidente que a cúpula dirigente da igreja não tinha nenhum gênero de saudável desconfiança do programa secreto de guerra bacteriológica do governo.

Em sua defesa do Projeto Whitecoat, Smith dependeu muito da clintonesca definição legal de investigação defensiva e ofensiva em Fort Detrick, isto é, USAMRIID e a investigação ofensiva estavam sob diferentes comandos e tinham edifícios completamente diferentes na base. Smith disse que a única conexão entre as duas era "uma peça de equipamento experimental que custava mais de um milhão de dólares" e que eles compartilhavam, e quase elogiou a "prudência financeira" do exército em não duplicar este gasto.

Smith também afirmou que as instalações do USAMRIID estavam "abertas" para qualquer visitante "que tivesse algum propósito", e que suas descobertas investigativas estavam disponíveis para o público enquanto a unidade de investigações ofensivas estava encerrada por trás de uma porta, aberta apenas para os que tivessem uma permissão especial, pois suas descobertas eram classificadas. Toda a papelada burocrática relacionada ao Projeto Whitecoat era completada por oficiais adventistas "assim que não há nada secreto sobre o projeto inteiro", assegurou Smith. [37] Smith criticou a "atual agitação" dos que questionavam a contribuição da igreja para a investigação sobre guerra química e biológica, repreendendo-os a respeito da " importância de obter os fatos e obtê-los com clareza".

Está bastante claro que, se os Adventistas do Sétimo Dia criam em seus líderes, não obtiveram os fatos com clareza. Seus dirigentes deixaram de revelar a estreita relação entre a investigação defensiva e a ofensiva sobre a guerra química e biológica evidenciada por peritos qualificados. Quando surgiram perguntas no seio da denominação, a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia nomeou a um comitê para que pesquisasse. Em 1969, este comitê visitou o então comandante do USAMRIID, Coronel Dan Crozier, o qual lhes assegurou que o Projeto Whitecoat era puramente defensivo. O Coronel Crozier até afirmou que "nenhum soldado recebeu jamais nenhuma vacina senão até que ele e alguns de seu grupo de pesquisadores a tivessem provado em seus próprios corpos em procura de quaisquer efeitos adversos", uma falsidade absurda que Smith transmitiu às congregações da igreja sem o menor rubor.

Em vez de pesquisar mais a fundo, o comitê se deteve em sua entrevista com o Coronel Crozier e emitiu uma conclusão de que "o trabalho dos voluntários adventistas no USAMRIID é inteiramente na área defensiva da guerra biológica e, portanto, é de natureza humanitária". É opinião de alguns adventistas que esta é a conclusão que a cúpula dirigente da igreja procurava. Em outras palavras, era um branqueamento.

Não é necessário dizer que a separação entre os dois programas de guerra química e biológica não era tão hermética como a igreja fez crer a seus membros. Em sua declaração de 1989, o veterano do Whitecoat, Tom Kopco, disse que os experimentos de febre Q nos quais participou eram "secretos" ou classificados e ocultos aos olhos do público, o mesmo que o programa ofensivo. "Ordenou-se-nos não dizer nada durante dez anos", disse. Em realidade, todos os voluntários adventistas do Projeto Whitecoat tinham que receber uma permissão de segurança "secreta" antes de entrar "no projeto".

O veterano do Whitecoat, Lester Bartholomew, disse a The WINDS que teve que esperar cinco meses antes de receber sua permissão de segurança. Ele e outro adventista foram atribuídos para trabalhar no edifício 427, que alojava a divisão de virologia da unidade de investigação ofensiva sobre a guerra química e biológica, uma "área quente" que requeria uma permissão supersecreta. Esta era sua "estação de serviço" entre projetos. Bartholomew disse que seu trabalho consistia em despachar o "material nocivo", recipientes de vidro que continham agentes químicos, a postos militares ao redor do mundo, incluindo Fort Dugway, Utah e Guam, esta última uma área de estacionamento de fornecimentos para a guerra do Vietnã. Bartholomew suspeita muito que o "material nocivo" que ele embalava e despachava era usado no Vietnã. Em certa ocasião, um membro do pessoal de virologia lhe disse que, se deixasse cair os dois recipientes que estava a manipular, "apagaria do mapa o estado de Maryland".

Quando esteve "no projeto", Bartholomew se deu conta de que o Projeto Whitecoat era em realidade de natureza ofensiva. Na clínica, passou numa semana inteira diante de uma caixa na qual piscavam luzes e números e se requeria que ele fizesse cálculos rápidos para provar seus reflexos mentais. As provas se repetiam após ter sido contagiado de tularemia. Em certo ponto, Bartholomew perguntou a uma das pessoas que administravam a prova do que se tratava tudo aquilo. "Bom, se tornamos o inimigo enfermo, podemos calcular como os afetará", foi a resposta. "Digo-lhe que, desde então, não confio no governo e não confio na igreja, porque os dois mentiram para mim", disse-lhe Bartholomew a The WINDS.

Por Que a Igreja Adventista?

A Igreja Adventista do Sétimo Dia faz grande ênfase sobre a saúde, talvez mais que qualquer outra denominação cristã. Seu sistema de hospitais e clínicas pode encontrar-se em muitos países e a igreja está orgulhosa de seus lucros na investigação médica e na educação sobre a saúde. Os ensinos adventistas advertem contra o uso do álcool, o fumo e a carne de animais, e aos membros da igreja geralmente requer-se que se abstenham destas coisas. Historicamente, a igreja antecipou uma ameaça a suas liberdades religiosas de parte dos círculos governamentais, fazendo ainda maior a seguinte dicotomia: Como pode uma igreja cristã que faz uma ênfase tão grande sobre a saúde, que antecipa uma ameaça de parte do governo, encontrar na vanguarda de um programa de investigação sobre a guerra bacteriológica em sociedade com o governo?

"Parecia que estivessem a tratar de se dar bem com o governo e dar uns tapinhas nos ombros do governo para não ter nenhum problema", disse Bartholomew a The WINDS. "Como igreja, queremos realmente nos dar bem com você, não queremos ser conhecidos como uma seita e, por isso, proporcionamo-lhes porquinhos-da-índia", era o raciocínio da igreja.

Outros adventistas assinalam ao período de meados da década de 1950, quando ocorreu esta mudança no modo de pensar da cúpula dirigente adventista. Historicamente, a igreja permaneceu separada das outras denominações cristãs, mas mudou essa postura quando ingressou nas conferências evangélicas de 1955-1956. Esta entrada no movimento ecumênico coincidiu com a chegada do Projeto Whitecoat, ambos como resultado da busca por parte da igreja da aceitação na corrente principal.

"Nenhuma outra igreja se teria saído com a sua nisto", disse Neil Livingston a The WINDS. Livingston assinala casos nas décadas de 1970 e 1980 que estabeleciam que "a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a mais centralizada das principais denominações cristãs deste país". [33] Livingston afirma que a igreja é hierárquica, muito mais que congregacional, e nela o poder flui de cima para baixo, muito mais que o inverso. Isto converteu os dirigentes adventistas de Takoma Park, Maryland, em agentes úteis para os oficiais militares de alta patente das cidades próximas de Frederick e Washington. O governo centralizado da igreja deu aos oficiais do NSO a influência que precisavam para recrutar rapazes adventistas para o Projeto Whitecoat. "Outras denominações jamais teriam tolerado este tipo de interferência externa" por parte dos dirigentes da igreja, disse Livingston, citando o tipo de estrutura congregacional aberta de outras denominações protestantes.

Livingston também citou o impacto do sistema educativo adventista sobre a cultura da igreja como outra das razões para sua utilidade para o exército. "Desde o momento em que estes jovens entram para a escola superior, estão longe de casa", disse. Muitos meninos adventistas vão a uma escola de internato adventista e depois à escola preparatória, onde vivem em dormitórios. "A igreja os tem desde tenra idade... e isto faz que olhem aos dirigentes com admiração", fazendo a estes meninos mais vulneráveis a sugestões das autoridades superiores, como sucedeu com o Projeto Whitecoat.

Responsabilidade

O Projeto Whitecoat foi concluído há cerca de 25 anos com o fim do recrutamento. Pareceria que o tempo tinha relegado a este sujeito ao arquivo dos "casos fechados", uma nota ao pé da era do Vietnã e da Guerra Fria. Talvez assim seja, mas ainda proporciona uma interessante lição sobre como as igrejas cristãs dos Estados Unidos se venderam aos poderes governamentais por trás dos bastidores. O Projeto Whitecoat foi só um passo no caminho pelo qual a Igreja Adventista e as igrejas protestantes andaram longe. Pode dizer-se sem perigo de equívoco que estas igrejas chegaram ao fim desse caminho – o fim de sua utilidade para os que estão no poder.

Outra razão do por que o Projeto Whitecoat continuou sendo digno de exame é o assunto da responsabilidade, da qual nenhuma pessoa nem igreja pode escapar. AINDA QUE UMA CONVENÇÃO DE ARMAS BIOLÓGICAS (BCW) TENHA SIDO ASSINADA EM 1972 E PERMITA A INVESTIGAÇÃO "DEFENSIVA", CARECE DE VERIFICAÇÃO E CUMPRIMENTO. ESTA INVESTIGAÇÃO SE ACELERA PRODUZINDO ARMAS DE PESADELO COMO A "BALA ÉTNICA" DE ISRAEL, QUE ATACA SÓ A ALVOS DE ESTRUTURA GENÉTICA ÁRABE. BIOTECNOLOGIAS COMO ESTAS SÃO A VANGUARDA E QUANTO DELAS SE CONSTROEM SOBRE A INVESTIGAÇÃO QUE SE LEVOU A CABO NO USAMRIID ANTES DE 1973?

Há enormes arsenais de uma velha geração de armas químicas e biológicas, muitas das quais foram produzidas durante o apogeu do Projeto Whitecoat. Estas armas são agora instáveis, como o são as estruturas políticas do mundo. Uma calamidade sozinha que fosse, ou certo número de calamidades que funcionassem juntas, poderiam desencadear uma mortal pestilência. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, por causa de sua falsa pretensão de boa saúde e boas obras, compartilharia uma grande porção de uma maldição como a que acarretaria um desastre como este.

As questões em disputa que rodeiam a guerra química e biológica são inumeráveis. Há em jogo questões morais a respeito da manipulação de formas de vida para fins de assassinato em massa. Há assuntos em disputa a respeito de quando usar estas armas se estão disponíveis. Há pontos em disputa sobre compensações para suas vítimas, tanto civis como militares. Todos estes pontos permanecem sem se elucidar, o mesmo que as misteriosas doenças e mortes que rodeiam a vários veteranos do Whitecoat e, mais recentemente, milhares de veteranos da Guerra do Golfo.

Hipocrisia

A questão em disputa que se sobressai, acima de todas as demais, é o espectro da hipocrisia, o crime mais grave na escala cósmica. Talvez alguns não vejam nenhum ponto em disputa. Os adventistas simplesmente mudaram o campo de batalha por um laboratório de investigação. Ainda que isto seja verdadeiro para os que crêem na guerra, não é verdade para os Adventistas do Sétimo Dia, que historicamente recusaram participar da guerra. Em 1864, sua Conferência Geral escreveu a Austin Blair, governador de Michigan, afirmando que os adventistas tomam a Bíblia como seu guia, e "crêem unanimemente que seus ensinos são contrários ao espírito e à prática da guerra... Por isso que nosso povo não se tem sentido livre para ingressar no serviço militar".

No ano seguinte, a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia emitiu uma declaração no sentido de que os adventistas "reconhecem a justiça de render tributo, usos, honra e reverência ao poder civil, como se ordena no Novo Testamento. Ainda que com alegria damos a César o que as Escrituras mostram que lhe pertencem, vemo-nos obrigados a declinar toda participação em atos de guerra e derramamento de sangue por serem inconsistentes com os deveres impostos sobre nós por nosso divino Mestre para nossos inimigos e para toda a humanidade".

Este é o verdadeiro significado do "óbice de consciência" – daquele que recusa participar da guerra por razões de consciência, mas os adventistas esticaram este significado com o correr do tempo para permitir o serviço como enfermeiros de campo e voluntários do Whitecoat, ainda que o manual de campo do exército estabelecesse claramente que "a missão do serviço médico num teatro de operações é a de contribuir para o sucesso do esforço militar". [38] Assim, pois, ao manter uma aparência exterior benevolente enquanto compravam paz do governo, os adventistas se abstinham de ter que matar alguns dos inimigos no campo de batalha, em favor de ajudar na matança de potenciais milhões. Isto é digno de nossa mais enérgica condenação. Tomaremos emprestados os parágrafos finais de Martin D. Turner no artigo de Spectrum, nos quais diz:

“Uma consciência que é tão sensível aos perigos do café e aos anéis de casamento, mas não se preocupa pelos envolvimentos morais da participação na investigação da guerra biológica e da guerra mesma, deve parecer paranóica a muita gente pensante”. [Logo Turner cita ao Dr. Malek:]

“Os guardiões da Igreja Adventista ...estão satisfeitos com uma moralidade de forma sem substância, na qual as artes da doença podem ser apresentadas como as artes da cura e na qual a guerra bacteriológica pode ser abraçada em piedosa obediência ao mandato divino contra a morte”. [39]

Notas:

* Jaleco branco. Alusão aos que usam ou que manipulam germens patogênicos.

1. Os Adventistas Debatem o Papel da Igreja na Investigação Sobre a Guerra na Era do Vietnã. David Dshneau, Associated Press, 8 de outubro de 1998.

2. All Things Considered, National Public Rádio, 13 de outubro 13 de 1998. (Requer RealAudio Player)

3. PROJECT WHITECOAT, Martin D. Turner, revista Spectrum, Verão de 1970.

4. Ibid.

5. PROJECT WHITECOAT. Os Enfermeiros Adventistas nos Estados Unidos se Oferecem Como Voluntários Para Servir à Humanidade, Adventist Review, 20 de março de 1969.

6. OPERATION WHITECOAT (part II), Dom A. Roth, The Youth´s Instructor, 15 de outubro de 1963.

7. PSYCHOCHEMICAL WEAPONS. Sydney Katz, Associate Editor of Macleans, 21 de abril de 1962.

8. Veja-se a referência 1.

9. PROJECT WHITECOAT. Uma Entrevista com CLARK SMITH, diretor do National Service Organization, Adventist Review, 27 de novembro de 1969.

10. Veja-se a referência 3.

11. Veja-se a referência 9.

12. Seventh-day Adventist Encyclopedia, Second Revised Edition, Art. "Noncombatancy".

13. Veja-se a referência 9.

14. Veja-se a referência 6.

15. Cartas e declarações relacionadas com o Projeto Whitecoat obtidas de Neil C. Livingston, que facilitou parte de sua investigação para este relatório.

16. Carta de César Vega datada de 12 de outubro de 1989 (ref. 15).

17. Entrevista telefônica com G. R. Bietz, 9 de novembro de 1989 (ref. 15).

18. OPERATION WHITECOAT (part I), Dom A. Roth, The Youth´s Instructor, 8 de outubro de 1963.

19. Declaração pelo veterano de Whitecoat Thomas Kopco, assinada em 10 de outubro de 1989 (ref. 15).

20. Veja-se a referência 1.

21. Carta de Wilson Wyn datada de 12 de outubro de 1989 (ref. 15).

22. Lester Bartholomew, de Oregon, numa entrevista telefônica com The WINDS, 19 de outubro de 1998.

23. Carta de John E. Keplinger, Capellán (Cor.) AUS, Ret. datada de 12 de outubro de 1989 (ref. 15).

24. Carta do Coronel Dan Crozier, USA MC, Ret. Commanding Officer, USAMRIID [Project Whitecoat] datada de 7 de novembro de 1989 (ref. 15).

25. Veja-se a referência 19.

26. Carta de Harry V. Wiant, Jr., datada de 15 de novembro de 1989 (ref. 15).

27. Veja-se a referência 1.

28. Veja-se a referência 18.

29. Veja-se a referência 6.

30. W. D. Tiggert, Status of Medical Research Effort, Military Medicine, pp. 142, 143, (Fevereiro de 1963) em Turner (ref. 3).

31. World Medical Association, Code of Ethics in Wartime (New York: 1956) em Turner (ref. 3).

32. Associated Press, como foi impresso no Newark Sunday News, Sec. 1, 24 de março de 1968.

33. Dr. Ivan Malek, citado por Stephen Rose (editor), CBW: Chemical and Biological Warfare (Boston: Beacon Press 1969), p. 124, em Turner (ref. 3).

34. Ibid.

35. Elinor Langer, Chemical and Biological Warfare, Science 155, 174-179 e 299-305 (13 e 20 de Janeiro de 1969) em Turner (ref.3).

36. United States Army Field Manual FM 101-140, Armed Forces Doctrine for Chemical and Biological Weapons Employment (1962), p. 10.

37. Vejam-se as referências 3 e 9.

38. Army Field Manual FM 8-10, Medical Service Theater of Operations.

39. Referência 3, Turner também cita a referência 33 no parágrafo final, escrita 11 de novembro de 1998.

OUTROS LINKS SOBRE A MATÉRIA “WHITECOAT PROJECT”

http://www.apfn.org/THEWINDS/library/turner.html

http://www.geocities.com/artandersonmd/1996_spectrum_whitecoat.adventists.pdf

http://www.pbs.org/wnet/religionandethics/week708/cover.html

USA Today: "The Risks of Operation Whitecoat" by Glenn O'Neal, December 19, 2001

http://www.usatoday.com/news/health/bioterrorism/2001-12-20-whitecoat-sidebar.htm

USA Today: "Behind the biowarfare Eight Ball" by Glenn O'Neal, December 19, 2001

http://www.usatoday.com/news/health/bioterrorism/2001-12-20-whitecoat-usat.htm

Los Angeles Times: "Taking a Germ Bullet," by Aaron Zitner, November 26, 2001

http://www.latimes.com/news/nationworld/nation/la-112601germs.story

Spectrum Magazine: "Adventists and Biological Warfare" by Krista Thompson Smith, March 1996

http://www.spectrummagazine.org/library/archive21-25/25-3smith1.html

UCLA School of Public Health: "The Frontlines of Biowarfare" by David Snyder, Washington Post, May 6, 2003

http://www.ph.ucla.edu/epi/bioter/frontlinesbiowarfare.html

Project Whitecoat Martin D. Turner Spectrum, Summer, 1970

http://www.apfn.org/THEWINDS/library/turner.html

Thomas J. Colosimo - Operation Whitecoat

http://members.tripod.com/tomcolosimo/id32.htm

Research on Medical Countermeasures Protect Military Service Members by Caree Vander Linden U.S. Army Medical Research Institute of Infectious Diseases Public Affairs

http://www.armymedicine.army.mil/news/releases/20050318research.cfm?m=3&y=2005

USAMRIID Rewrites Offensive Biological Weapons History, says Operation Whitecoat is a Model for the Future

http://www.hartford-hwp.com/archives/27a/295.html

The Operaton Whitecoat Story: Biological Warfare & Human Subjects

http://usarmywhitecoat.org/

A Brief History of Military Contributions to Ethical Standards for Research Involving Human Subjects

http://geocities.com/artnscience/jm4-primr.html

heraldsun.com: Adventist was human guinea pig for ...

www.heraldsun.com/state/6-4446

The History of Bioterrorism in America By Richard Sanders, Coordinator, Coalition to Oppose the Arms Trade.

http://coat.ncf.ca/our_magazine/links/issue46/articles/history_of_biowarfare_in_usa.htm

The History of Bioterrorism in America Posted: Sunday, November 24, 2002

http://www.raceandhistory.com/selfnews/viewnews.cgi?newsid1038118811,57464,.shtml

Human Subjects Protection at Detrick: Biowarfare to Biodefense Recruit vaccine re-creation on track https://mrmc-www.army.mil/docs/Library/Newsletters/Point/Point0405.pdf

Operation Whitecoat

http://www.pbs.org/wgbh/amex/weapon/peopleevents/e_whitecoat.html

Biological Weapons, Human Experimentation and Informed Consent: The Ethical Implications of Project Whitecoat, 1954-1973

http://www.humanrights.harvard.edu/undergradstudy/papers/Whitecoat%20final%20draft.doc

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