Somente Cristo! Somente a Bíblia!

"Fiz uma aliança com Deus: que ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir." - Martinho Lutero
Carregando...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A CONFUSÃO SOBRE O PLANO DA REDENÇÃO


"Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos".

Jer. 23:32


A visão de Ellen G. White sobre a formulação do plano da redenção proporciona evidência inequívoca de que ela não passou pelas provas de um profeta.

Ellen G. White relata sua visão em 1854:

“A tristeza encheu o Céu ante a realidade de que o homem se perdera e que o mundo que Deus havia criado se encheria de mortais condenados à miséria, enfermidade e morte e que não havia meio de escape para o ofensor. Toda a família de Adão tinha que morrer. Vi então o amorável Jesus e contemplei em Seu semblante uma expressão de simpatia e pesar. Logo O vi aproximar-Se da inexcedível luz que envolvia o Pai. Disse o meu anjo assistente: "Ele está em conversa íntima com Seu Pai." A ansiedade dos anjos parecia ser intensa enquanto Jesus estava em comunhão com Seu Pai. Três vezes Ele foi envolvido pela gloriosa luz em torno do Pai, e na terceira vez Ele veio do Pai e pudemos ver Sua pessoa. Seu semblante estava calmo, livre de toda perplexidade e angústia, e brilhava com uma luz maravilhosa que palavras não podem descrever. Ele fez então saber ao coro angélico que se abrira um caminho de escape para o homem perdido; que estivera pleiteando com o Pai, e obtivera permissão de dar Sua própria vida como resgate para a raça, de levar os seus pecados, e receber sobre Si a sentença de morte, abrindo desta maneira caminho pelo qual pudessem, mediante os méritos do Seu sangue, encontrar perdão para as transgressões passadas, e mediante a obediência ser levados de volta ao jardim do qual haviam sido expulsos. Então poderiam ter acesso ao glorioso, imortal fruto da árvore da vida a que tinham perdido agora todo o direito.” (1)

Que visão tão espantosa! Após o pecado de Adão, Jesus se aproxima do Pai com uma ideia. Três vezes "roga" ao Pai que se lhe permita ser o Redentor da humanidade. Finalmente, o Pai cede e aceita o plano de Cristo. É exatamente como foi formulado o plano da redenção? Criou-se o plano após a queda do homem? Jesus teve que rogar a Deus para que aceitasse seu plano?

A visão de Ellen G. White parece pôr em dúvida a capacidade de planejar e a presciência de Deus. Pinta um quadro de um deus que é tomado por surpresa pelo pecado do homem, e depois, de repente, tem que inventar um plano para restaurar a felicidade do céu. Isto se opõe diretamente à Palavra de Deus. A Bíblia diz que o plano da redenção foi desenhado muito antes que fosse criado o mundo:

“O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós.” (1 Pedro 1:20).

Em um sermão em Grimsby, Inglaterra, em 19 de setembro de 1886, Ellen G. White disse:

"Após a queda de Adão e Eva, a raça humana se afundou na miséria sem esperança, e foi então quando este grande plano da redenção se desenhou. Foi então [quando] o Filho de Deus consentiu em abandonar o trono de seu Pai, deixar de lado sua coroa real, vestir-se da humanidade, tomar sobre si mesmo a natureza do homem e converter-se em homem entre os homens". (2)

Esta citação enfatiza que Jesus não "consentiu" no plano senão após a queda. O verbo "consentiu" significa aceitação ou aprovação do que é planejado ou feito por outro". (3) Ellen G. White infere que Jesus não consentiu (não aceitou nem aprovou) o plano senão após a queda do homem. Isto contradiz o ensino bíblico de que Cristo foi destinado antes da criação do mundo". (4)

“O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós.” (1 Pedro 1:20).

“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:8)

O sacrifício de Cristo não foi uma improvisação. Não foi um remédio concebido após a queda. Deus sabia tudo a respeito dela ainda antes que o mundo fosse criado:

“Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos.” (Atos 2:22-23).

Em vez de um deus tateando às cegas à procura de uma solução após a queda do homem, a Bíblia apresenta um quadro muito diferente. No quadro da Bíblia, Deus está solidamente no controle do Universo. Tem pensado em cada uma das contingências. Antes que ocorra uma situação de urgência, já tem planos para lhe fazer frente.

“O SENHOR, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei, e louvarei o teu nome, porque fizeste maravilhas; os teus conselhos antigos são verdade e firmeza”. (Isaías 25:1).

1890: A “visão” revisada

Em 1882, a declaração de 1854 de Ellen G. White apareceu reimpressa no livro Primeiros Escritos. No entanto, oito anos mais tarde, em 1890, uma versão muito revisada de sua declaração apareceu no livro Patriarcas e Profetas. No relato revisado, não se faz nenhuma menção de uma visão e o relato tem sido reconstruído para dar a entender que já havia um plano em seu lugar:

“A queda do homem encheu o Céu todo de tristeza. O mundo que Deus fizera estava manchado pela maldição do pecado, e habitado por seres condenados à miséria e morte. Não parecia haver meio pelo qual pudessem escapar os que tinham transgredido a lei. Os anjos cessaram os seus cânticos de louvor. Por toda a corte celestial havia pranto pela ruína que o pecado ocasionara.”

“O Filho de Deus, o glorioso Comandante do Céu, ficou tocado de piedade pela raça decaída. Seu coração moveu-se de infinita compaixão ao erguerem-se diante dEle os ais do mundo perdido. Entretanto o amor divino havia concebido um plano pelo qual o homem poderia ser remido. A lei de Deus, quebrantada, exigia a vida do pecador. Em todo o Universo não havia senão um Ser que, em favor do homem, poderia satisfazer as suas reivindicações. Visto que a lei divina é tão sagrada como o próprio Deus, unicamente um Ser igual a Deus poderia fazer expiação por sua transgressão. Ninguém, a não ser Cristo, poderia redimir da maldição da lei o homem decaído, e levá-lo novamente à harmonia com o Céu. Cristo tomaria sobre Si a culpa e a ignomínia do pecado - pecado tão ofensivo para um Deus santo que deveria separar entre Si o Pai e o Filho. Cristo atingiria as profundidades da miséria para libertar a raça que fora arruinada.”

“Perante o Pai pleiteou Ele em prol do pecador, enquanto a hoste celestial aguardava o resultado com um interesse de tal intensidade que palavras não o poderão exprimir. Mui prolongada foi aquela comunhão misteriosa - o "conselho de paz" (Zac. 6:13) em prol dos decaídos filhos dos homens. O plano da salvação fora estabelecido antes da criação da Terra; pois Cristo é "o Cordeiro morto desde a fundação do mundo" (Apoc. 13:8); foi, contudo, uma luta, mesmo para o Rei do Universo, entregar Seu Filho para morrer pela raça culposa.” (5)

Agora, em lugar de dizer que Deus desenhara um plano após a queda, como Ellen G. White vira em sua primeira visão, verificamos que afirma que “Deus já tinha concebido um plano”. No entanto, ao escrever esta seção, Ellen G. White encontrou-se com um dilema. Sua primeira “visão’ incluía uma reunião entre Deus e Jesus, na qual Jesus intercedia com Deus para que aceitasse seu plano de salvar a raça. Como poderia conciliar-se essa reunião com sua nova interpretação de que o plano da redenção existia antes da queda? Que poderia fazer a respeito dessa reunião? Já não fazia sentido ter uma reunião, mas Ellen G. White se aferrava a ela porque estava na visão anterior e algo tinha que ser feito com ela. De modo que lhe ocorreu uma estranha explicação. Escreveu que o Pai e Jesus estavam “a lutar” sobre seguir adiante ou não com o plano que eles já tinham formulado e sobre o qual estavam de acordo. Pensemos em isto. Por que teriam Jesus e o Pai que se reunir e “lutar” a respeito de algo que eles já sabiam, por Sua presciência, há milhares de milhões de anos, que ocorreria e cuja solução já tinha sido planejada e lembrada por eles? Até Ellen G. White reconhece que Jesus e o Pai estiveram em perfeita unidade sobre este tema por toda a eternidade:

“Os termos desta unicidade entre Deus e o homem no grande pacto da redenção foram lembrados com Cristo por toda a eternidade. ...O plano da redenção não foi concebido após a queda do homem para curar a terrível maldade”. (6)

Se o Pai e o Filho estiveram em “unidade” sobre este tema “desde toda a eternidade”, então por que era necessário que se reunissem e “lutassem” entre si a respeito disso? Soa confuso? Tem razão! É confuso!

Mais confusão?

Em 1898, 44 anos após ela relatar sua visão em que Jesus rogava ao Pai após a queda do homem, em “O Desejado de Todas as Nações”, um livro composto por Marian Davis, Ellen G. White escreveu um relato bem mais de acordo com as Escrituras:

“O plano de nossa redenção não foi um pensamento posterior, formulado depois da queda de Adão. Foi a revelação "do mistério que desde tempos eternos esteve oculto". Rom. 16:25. Foi um desdobramento dos princípios que têm sido, desde os séculos da eternidade, o fundamento do trono de Deus. Desde o princípio, Deus e Cristo sabiam da apostasia de Satanás, e da queda do homem mediante o poder enganador do apóstata. Deus não ordenou a existência do pecado. Previu-a, porém, e tomou providências para enfrentar a terrível emergência. (7).

No entanto, em 1911 ela escreve em O Grande Conflito que o plano foi concebido após a queda:

“O reino da graça foi instituído imediatamente depois da queda do homem, quando fora concebido um plano para a redenção da raça culpada.” (8).

Isto afirma claramente que o plano foi concebido após a queda, o qual é coerente com sua primeira visão, mas diametralmente oposto às suas afirmações em Patriarcas e Profetas e O Desejado de Todas as Nações.

Note-se esta reivindicação de inspiração feita por Ellen G. White em relação aos três livros citados acima:

“Quantos têm lido cuidadosamente Patriarcas e Profetas, O Grande Conflito e O Desejado de Todas as Nações? Eu desejo que todos compreendam que minha confiança na luz que Deus tem dado permanece firme, porque eu sei que o poder do Espírito Santo engrandeceu a verdade e fê-la gloriosa, dizendo: "Este é o caminho, andai nele." Em meus livros a verdade é declarada, fortalecida por um "Assim diz o Senhor".” (9).

São estes livros realmente a verdade, "respaldada por um 'Assim diz o Senhor'? É Deus o autor de confusão?

Porque Deus não é Deus de confusão...

1 Coríntios 14:33


NOTAS

1. Ellen G. White, Supplement to the Christian Experience and Views of Ellen G. White, p. 47 (1854). Veja-se também Primeiros Escritos, p. 126 (1882).

2. Ellen White, Sermons and Talks, Vol. 2, p. 31.

3. The American Heritage® Dictionary of the English Language, Fourth Edition Copyright©2000 by Houghton Mifflin Company.

4. 1 Pedro 1:20. Veja-se também Apoc. 13:8: "O cordeiro imolado desde a fundação do mundo".

5. Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 63.

6. Ellen White, Signs of the Times, 24 de agosto de 1891. Também na edição de 25 de Abril de 1892: “O propósito e o plano da graça existiu desde toda a eternidade. Antes da fundação do mundo, foi de acordo com o conselho decidido de Deus que o homem fosse criado, dotado de poder para fazer a vontade de Deus. Mas a rebeldia do homem, com todas suas consequências, não estava oculta para o Onipotente, mas isto não lhe dissuadiu de levar a cabo seu propósito eterno, porque o Senhor estabeleceria seu trono em justiça. Deus conhece o fim desde o princípio: 'conhecidas de Deus são todas suas obras desde o princípio do mundo'. Portanto, a redenção não foi uma improvisação – um plano formulado após a queda de Adão – senão um eterno propósito que se levaria a cabo para bênção, não só deste átomo do mundo, senão para o bem de todos os mundos que Deus tem criado.”

7. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pág. 2, (1898).

8. Ellen G. White, O Grande Conflito, pág. 347. A mesma citação encontra também na edição de 1888 e de 1911.

9. Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, Vol 3, p. 122.


Adaptado de Dirk Anderson

Nenhum comentário: